Reforma com democracia

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Charge do Bruno Galvão, reproduzida do Google

Cristovam Buarque
O Globo

Os políticos se dividem entre os que fazem contas e os que fazem de conta. O futuro está com os primeiros. Mas se querem ser democratas, precisam convencer o povo a acreditar na aritmética e na exatidão de seus números. Poucos fatos demonstram melhor o fracasso da classe política brasileira do que a dificuldade em levar adiante a reforma da Previdência com apoio da sociedade. Não fazer a reforma é irresponsabilidade fiscal comprometendo o futuro; fazer a reforma sem a compreensão da população é a falência política comprometendo a democracia.

Estes fracassos têm origem na atual falta de legitimidade dos políticos, seja pelos privilégios que mantemos, pelo isolamento em relação aos sentimentos da população, pela corrupção, por sucessivos estelionatos eleitorais, sobretudo pela perda na capacidade de refletir com lógica e construir entendimento.

IDEIAS E SONHOS – Desapareceu a política de combinar ideias e sonhos com as equações dos recursos disponíveis. Alguns grupos se unem na defesa de ilusões sem respeito aos limites fiscais; outros optam pela frieza das equações sem respeito à opinião da população.

Desapareceu o diálogo entre os grupos: o sectarismo político e a voracidade das corporações não deixam a política formular alternativas que permitam construir o futuro justo e sustentável com o apoio do povo.

A reforma da Previdência é um exemplo. Não está havendo diálogo que permita uma convergência entre os desejos e os recursos disponíveis: alguns ajustam os dados para fazer possível vender ilusões; outros se apegam aos números sem convencer a população de que a realidade exige reforma; outros não aceitam perder vantagens; grupos que se consideram de esquerda se transformam em conservadores ao defender privilégios.

Até mesmo os que não perdem com a reforma ou estão protegidos pelas regras de transição, e os jovens, que terão a previdência assegurada graças à sustentabilidade adquirida, estão contra a reforma.

CULPA DOS POLÍTICOS – A culpa é dos políticos preocupados apenas em garantir a base de apoio parlamentar e sem competência para convencer a população.

Sem respeitar as finanças, estamos irresponsavelmente vendendo ilusões e provocando a falência financeira da Previdência; sem o convencimento, estamos abrindo mão da democracia. Sem as reformas que o momento e o futuro exigem, a sociedade caminha para uma catástrofe sobre a geração de amanhã, mas, sem a compreensão da população de hoje, estamos provocando uma falência política. Porque, se aprovada sem entendimento, a reforma fracassará do ponto de vista democrático, mesmo que venha a equilibrar as finanças.

A política responsável e competente deve compatibilizar os propósitos sociais com os recursos disponíveis, olhando os interesses das futuras gerações e atraindo o apoio do eleitor de hoje, mesmo quando sacrificados. Sem a reforma necessária ou com a reforma sem convencimento, a população vai sofrer porque os políticos de hoje não estivemos à altura do momento, fomos incapazes de casar ideias com equação, responsabilidade com liderança.

12 thoughts on “Reforma com democracia

  1. É no mínimo estranhíssimo, um presidente tampão, mexer de forma tão obstinada e cruel, em um sistema obscuro e desconhecido, como o da previdência.

    O sujeito, convocado para projetar a maldade que vai inviabilizar a aposentadoria, é consultor do sistema de previdência privada.

    Se aproveitam da crise, onde 20 milhões perderam o emprego, deixando de contribuir ao INSS, criando um desequilíbrio momentâneo, para enfiar no brasileiro este absurdo.

    A mídia em geral, por ignorância ou má fé, repete sem parar que a tal reforma, é a salvação do Brasil.

    O congresso também, foi cooptado com todo o tipo de cargos e canalhices.

    A sociedade brasileira precisa reagir e deter esse esquema mafioso, mais uma facada no povo brasileiro.

  2. Vejo que não é só a falta de transparência. Falta de honestidade também. Não vejo nenhum empenho em receber das empresas caloteiras nem empenho em devolver para a Previdência os recursos desviados e/ou roubados nos últimos trinta anos pelos diversos políticos e partidos.

  3. Senador Buarque, use a Tribuna, para mostrar a verdade, o 1ª S, significa Seguro, cujo cofre é abastecido compulsoriamente pelo Cidadão-Trabalhador, espoliado pelos politiqueiros, das quadrilhas hediondas de Brasília, que o governo, administra, com corrupção,pagando ao 2º “S” de Ação social, cujo cofre é o Tesouro Nacional.
    Acusar o trabalhador da quebra do Brasil, é uma covardia sem limite, é uma hipocrisia, maior que o Everest, A única verdade dita na sua fala: é sobre a irresponsabilidade dos politiqueiros com sua politicagem, que transformaram o Brasil em republiqueta democradura.
    O Seguro, não tem Déficit, o Deficit é falta de vergonha na cara nos 3 poderes, que estão a estuprar e vilipendiar a Cidadania.
    Em meus 88 anos, nunca vi, tanta podridão na Administração pública, verdadeiros “morcegos” a chupar o sangue do Cidadão trabalhador.
    Senador, nossas “Obras”, se má, que infelicita 220 milhões, seu julgamento no além túmulo, pela consciência, será o Ranger de dentes.
    Deus nos ajude, confiamos em ti, para sairmos pacificamente desse oceano de lama.

  4. A realidade e cruel…o povo com sua aposentadoria nao consegue sobreviver, os politicos com as aposentadorias muito acima do que o cidadao que trabalha quando tem trabalho paga sua parte, nao consegue nem ter seu salario pago em dia e ainda tem que se virar nos trinta para por comida na mesa , a realidade e cruel e verdadeira, o povo que agora nao tem trabalho nem salario pago em dia tem que engolir essa reforma da previdencia na marra para que os politicos no futuro proximo possam continuar politicos e recebendo suas aposentadorias, o pior e que 200 milhoes de brasileiros sabem disso e nao conseguem mudar o curso dessa politica que a cada dia , acaba com a realidade de ser brasileiro .

  5. Não professor Cristovam Buarque, a culpa não é dos políticos! Cada vez que culpamos outros, tentamos esconder nossos próprios erros e escolhas.
    Esta gente safada, idiota, ladra, vigarista, interesseira e tudo mais que não presta, foi ELEITA, DEMOCRATICAMENTE, por eleitores irresponsáveis. Alguns deles foram reconduzidos, várias vezes.
    O erro maior é cometido por aqueles que pagam deputados/senadores e não sabe de nada, e não querem saber o que está acontecendo.
    Nossos representantes sabem, muito bem, o que estão fazendo, sim! Todos, dos dois lados.
    Não duvido das intenções do senador. Lamento que não tenha a liderança, a energia e a capacidade de se fazer ouvir.
    Fallavena

  6. Na minha modestíssima opinião, uma mea culpa escancarada do senador Cristovam Buarque. confirmando, exatamente, tudo o que é dito, diariamente, pelos leitores da Tribuna da Internet sobre os políticos

    Mesmo não sendo nenhuma novidade, pelo menos fica assegurada para a posteridade,a confissão e confirmação de personagem que é do ramo.
    No mais, no que se espera como cenário para reverter tamanha esculhambação, nada feito…
    .
    Como disse um leitor, escrever é fácil…

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