Reforma da Previdência e Paulo Guedes são duas ilusões que fascinam Bolsonaro

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Charge do Clayton (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

Esta é minha opinião com base nos fatos concretos que estamos assistindo e analisando na tentativa de transmitir aos leitores uma visão crítica da realidade e não da fantasia que dura pouco mas que pode contribuir para fascinar e mesmo desestabilizar o presidente Jair Bolsonaro.Trata-se de colocar a mágica na frente da lógica, e são antônimos.

Assim, atribuir à reforma da Previdência a condição de fórmula mágica capaz de resolver um elenco de problemas nacionais, é simplesmente uma farsa. Falei em ilusão e me recordo do título de um grande filme francês dirigido por Jean Renoir em 1937, “A Grande Ilusão”. Transfiro o título e o coloco na área de Paulo Guedes.

FALTA DE CONTEÚDO – O ministro usa sua cultura econômica para desenhar projetos e sempre à primeira vista tem fascinado setores do Palácio do Planalto. Não todos, porém, são suficientemente iludidos para que não se passe da primeira para uma segunda leitura. Pode-se então perceber, na segunda leitura, a falta de conteúdo concreto e a impossibilidade de representar uma solução espetacular.

Por falar em segunda leitura, dou um exemplo: no palco da Comissão de Orçamento e Tributação da Câmara, Paulo Guedes fez questão de acentuar: existe um excesso de servidores e acentuou paralelamente que os concursos públicos estão suspensos.

SEM DEMITIR – Para resolver a questão dentro de seu estranho pensamento, a reportagem de Daniele Brant e Tiago Rezende, na Folha de São Paulo de ontem, acrescentou o seguinte recado de Guedes: “Não precisa demitir, basta desacelerar as entradas que o excesso vai embora sem custos, sem brigas”.

Para mim, uma afirmação dessas desqualifica seu autor no campo da realidade. É mais uma de suas fantasias. Já há repartições atingidas por falta de servidores, como acontece no INSS do Rio de Janeiro, que não tem mais funcionários na Seção de Patrimônio. E nos tempos de hoje quem pode pedir demissão de um emprego estável?

Ao Valor, em matéria de Edna Simão, Ana Kruger e Marcelo Ribeiro, o ministro Paulo Guedes condenou os estímulos artificiais à Economia. Disse que o governo está cauteloso porque se depara com o que virá depois da reforma da Previdência. Faço uma pergunta: Se há estímulos artificiais, é por que existe os naturais. Quais são eles? Na verdade, Guedes defende o “laisser faire”, em que o mercado faz tudo e o governo não faz nada.

ILUSÃO TOTAL – Na Câmara , mais uma vez, Guedes ressaltou a economia de um trilhão de reais em dez anos, ou cem bilhões a cada exercício. Ilusão total. Mais um voo no plano da fantasia dourada, estilo “Mágico de Oz”, que encantou as plateias dos anos de 1940 a 1950. Aliás, a obra de Victor Fleming continua encantando aqueles que recorrem à cinemateca do passado.

Há em todos os setores humanos a busca de algo capaz de resolver todos os problemas e ultrapassar todos os obstáculos. É verdade, sob este aspecto, vale a pena voar e idealizar iniciativas expressivas para o gênero humano. Mas é preciso distinguir entre a arquitetura de tais projetos com sua execução. Porque o mundo está cheio de projetos belos na forma mas na prática não funcionam. Uma coisa é a teoria a outra é a execução.

Às vezes, descobrem-se medidas coloridas e que trafegam pelas escadas da cultura. Mas isso não quer dizer que tais projetos sejam viáveis. No meio de um projeto do governo descobriu-se um dispositivo que aumenta de 27,5% para 33% o imposto de renda pago na fonte. O Ministro Paulo Guedes e todos nós desejamos o crescimento econômico, mas como alcançar tal meta? Essa é a questão essencial, e Guedes nem toca no assunto.

8 thoughts on “Reforma da Previdência e Paulo Guedes são duas ilusões que fascinam Bolsonaro

  1. Proposta de reforma da Previdência, do governo Jair Bolsonaro “fere de morte valores fundantes da Constituição de 1988, tal como o de explicitar, em nível constitucional, os principais fundamentos das políticas públicas voltadas à construção da sociedade nacional”, diz a Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PFDC) em nota técnica

  2. O grande e experiente Jornalista Sr. PEDRO DO COUTTO finaliza seu bom Artigo se perguntando:
    Todos nós desejamos o crescimento Econômico ( até atingirmos o Pleno Emprego), mas como alcançar tal meta?
    Essa é a questão essencial e o Ministro da Fazenda Dr. PAULO GUEDES nem toca no assunto.
    Para a volta do crescimento Econômico o Ministro Dr. PAULO GUEDES defende o Modelo Neo-Liberal ( Consenso de Washington )
    1- Redução do tamanho do Estado com venda de Ativos, especialmente Empresas Estatais.
    2- Criação de Superavit Primário de pelo menos 1,6% do PIB, e maior depois, para estancar o crescimento da Dívida Pública e aos poucos reduzi-la.
    3- Abertura maior do Mercado Interno para baratear mercadorias no Brasil.
    4- Abertura total para os Fluxos Financeiros Internacionais inclusive os de Curto Prazo para atuarem em nossa Economia.
    5- Reformas da Previdência, Trabalhista, Administrativa, Simplificações, etc, visando DES-ENGESSAR nossa Economia engessada.
    ……………………..

    Desde 1930 com o grande Presidente VARGAS que Industrializou o Brasil, vimos adotando o Modelo Nacional Desenvolvimentista semi-Estatal que deu excelentes resultados, mas que com o tempo foi acrescido de muitos erros, como excesso de Regulamentações em todo processo produtivo, excesso de proteção do Mercado Interno gerador de acomodação Industrial, enfim com o tempo foi se acumulando todo um excesso que era justificado pela ideia errada de que os Empreendedores são EXPLORADORES e portanto devem ser contidos na sua EXPLORAÇÃO.
    Isso levou ao que o Estado Brasileiro ( Fed. Est. Mun.) consuma 41% do PIB só em CUSTEIO, Dívida Pública de 80% do PIB, não Invista NADA, e a maioria dos que tem algum Capital prefira ganhar míseros 2% aa de Juros reais financiando Dívida Pública do que EMPREENDER.

    Para voltar o crescimento Econômico forte tem que se desfazer isso.
    Primeiro entender que o EMPREENDEDOR é o verdadeiro criador de RIQUEZA e deve ser tratado pelo Governo, como a menina dos seus olhos. Que o POVO é o maior Fator de Produção muito mais importante do que todas nossas imensas Riquezas Naturais que para gerarem frutos devem ser exploradas, o que custa caro,
    Sendo o POVO o maior Fator de Produção deve ter boa Saúde, boa ESCOLA , boa formação Familiar e gozar de boa SEGURANÇA.

    Há consenso de TODOS que o Estado Brasileiro tem que diminuir, e são necessário Reformas e Simplificações em nosso processo Produtivo, mas nós da Escola Nacional Desenvolvimentista semi-Estatal com viés para PRIVATISTA NACIONAL acreditamos que:
    1- Quando se vende um Ativo Governamental (Empresa Estatal por exemplo) deve-se vender para o Capital Nacional de forma majoritária.
    2- Que a abertura de nosso Mercado Interno é necessária mas de forma “lenta gradual e segura” para não rebentar mais ainda nossa Indústria Nacional tão sacrificada por excesso de Regulamentações e Câmbio super-valorizado e Juros altos.
    3- Que os Fluxos de Capital Internacional devem ser incentivados na Economia Real ( a que produz Bens e Serviços), e rigorosamente controlados os Financeiros de Curto Prazo.
    …………………….
    Vemos que muito do que o Ministro da Fazenda Dr. PAULO GUEDES defende está certo, apenas a maneira de fazê-lo em muitos casos é que está errado. Ex. vender Empresas Estatais para o Capital Internacional.
    Toda atividade Governamental deve visar aumentar o LUCRO das Empresas especialmente as pequenas e médias Empresas.
    Lembrando que só as Empresas Nacionais com Matriz no Brasil reaplicam 100% de seus Lucros aqui no Brasil e criam TECNOLOGIA NACIONAL.
    Que, como o Gov. CARLOS LACERDA sempre nos ensinou: CAPITAL BOM é CAPITAL BRASILEIRO.

    • Bom Dia Flávio Bortolotto,

      Com todo respeito por sua opinião, nacionalismo e capital brasileiro são conceitos muito mais ideológicos do que reais. Entregamos a Base de Alcântara, vendemos a Embraer para a Boeing, a dívida pública consome todos os recursos do Estado e ainda temos que emitir dívida porque estamos em déficit primário.

      O mercado especulativo domina tudo. É onde está o capital brasileiro. O capitalismo financeiro controla totalmente o mundo de hoje e particularmente no Brasil grandes empresas ainda tem lucro por causa de aplicações no mercado.

      Os últimos grandes investimentos anunciados na mídia são de empresas transnacionais. As nacionais como a Odebrecht e congêneres estão à beira da falência já pedindo recuperação judicial.

      Os juros para o consumidor são os mals alto do mundo. As empresas não fazem investimentos porque não tem perspectiva de retorno. São mais de 60 milhões de pessoas com o cadastro negativo e não conseguem comprar a prazo nem pagar suas dívidas.

      A situação é complexa, não tem como ser otimista frente aos números negativos do PIB que vemos ser anunciados e quando dirigentes do Bradesco já considera o ano de 2019 perdido.

      Liberação de FGTS, PIS, PASEP não resolve a crise. Somente a volta de grandes investimentos públicos e o governo atual não está disposto a fazer isso. Quer privatizar tudo.

      Não se trata de ser otimista ou pessimista, basta acompanhar os números da economia. O que não podemos é alimentar falsas esperanças de melhorias num quadro de números tão sombrios como o que nos é apresentado pelos próprios órgãos oficiais como o IBGE até este momento.

      Um abraço!

        • Caros Srs. CN, Flávio José Bortolotto e Cidadão Brasileiro … fiz alguns comentários na página em que “Olavo de Carvalho classifica de comunistas …” sobre essa questão do esvaziamento industrial.

          Sds.

          E explico como houve antes um grande crescimento industrial em Pindorama.

        • Prezado Sr. CIDADÃO BRASILEIRO, Bom Dia.

          Concordo que nossa situação Econômica no Brasil é difícil. Mas já estivemos muito pior.
          Em 1950 ano em que nasci éramos 52 Milhões de Habitantes e com
          ANALFABETISMO de 57, 3% IBGE. Fora partes do Litoral e alguns Polos no interior, a População era muito Pobre e os Miseráveis numerosos. Muita Gente mal nutrida, sem dentes, com papo, descalças e mal vestidas. Ninguém do Povão era Aposentado e os Miseráveis não tinham Bolsa Família. Com 50 anos a Pessoa era considerada VELHO, e geralmente era mesmo.

          Nos últimos 60 anos se fez muita coisa e apesar dos atuais problemas, vamos fazer muito mais.

          Nacionalismo e Capital Brasileiro existem. Não na quantidade que deveria ser, mas existem. O Nacionalismo é a cola que agrega todas as partes de uma Nação para a execução de um grande Projeto de Desenvolvimento o qual depois de conseguido, orgulha toda a Nação. O Capital Nacional é a GERDAU SA, KLABIN SA, VOTORANTIM SA, WEG SA, RANDOM SA, NATURA SA, INBEV SA, etc,etc,

          Tenha certeza que depois das Reformas bem DIALOGADAS pelo Congresso e aprovadas, entendendo claramente que o EMPREENDEDOR é o grande criador de Riquezas, e que o LUCRO é o grande motor do crescimento Econômico, vamos melhorar muito.
          Abração.

    • Caro Flávio José Botolotto,
      Você tem toda a razão, são lucros das empresas nacionais que são investidos aqui que geram riqueza e progresso.
      O lucro das multinacionais, o Brasil não vê um centavo, vão todo para a matrizes, é um bom montante de dinheiro que sai do Brasil sem volta.

  3. Quanto ao excesso alegado de servidores, cabe ressaltar que existem 3 esferas do funcionalismo público no Brasil. Na esfera Federal, como foi oportunamente postado aqui por um dos debatedores, os campeões com maiores índices de servidores por habitante, são exatamente os países com os maiores idh. Já nas esferas, estadual e municipal, a coisa pode não ser bem assim. Principalmente em locais mais pobres. De qualquer forma, a qualidade, mais que a quantidade do servidor, é que tem feito a diferença nos países do mundo. cabe então se pensar bem antes de fazer “tubos se ensaio” com o país, como até onde deve ir a terceirização dos serviços ou deve continuar. Outro ponto é a forma de ingresso. Depois do afamado “trem da alegria”, o funcionalismo nunca mais foi o mesmo. Culpa do povo? Culpa de uma classe política que nunca foi suficientemente responsável, honesta e sincera a ponto de perceber o crime contra a pátria que estava sendo cometido por eles mesmos. Culpa só dos políticos? A mídia fez a sua parte como deveria? As instituições que perderam qualidade, responderam como precisavam? Os cidadãos que ingressaram sem qualquer qualificação e sem a mínima noção do que fariam, além simplesmente entrarem, não se envergonharam disso? Tem muitos culpados e poucos inocentes nesta história. Guedes é só mais uma consequência do que somos.

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