Rejeitado pelos procuradores de Goiás, Demóstenes Torres pode perder o cargo e até a aposentadoria.

Carlos Newton

Reportagem de Vannildo Mendes, de O Estado de S. Paulo, mostra que os problemas do ex-senador Demóstenes Torres (DEM-GO) ainda estão longe de terminar. Muito pelo contrário, a situação se complica cada vez mais, porque o Ministério Público de Goiás já determinou o afastamento de Demóstenes da função de procurador estadual, que ele voltou a exercer desde que teve o mandato de senador cassado, há três meses.

“Era só que me faltava…”

A medida, imposta pelo corregedor-geral Aylton Flávio Vechi, decorre da abertura de processo administrativo disciplinar, instaurado para apurar “violação de deveres funcionais” em razão do envolvimento do ex-senador com o esquema investigado pela Operação Monte Carlo e comandado pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira.
Depois de flagrado em escutas telefônicas comprometedoras com o bicheiro Cachoeira, Demóstenes foi cassado em 11 de julho. No dia seguinte, ele reassumiu o cargo de procurador em Goiás, do qual estava afastado há 13 anos. Desde então, tem enfrentado a rejeição dos colegas, que motivaram a iniciativa da Corregedoria.

No processo administrativo, serão analisados os autos do processo de cassação que tramitou no Senado e da ação penal que corre na Justiça Federal contra o esquema de desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e exploração de jogos ilegais, comandado por Cachoeira.

Segundo o repórter Vannildo Mendes, o processo correrá em caráter sigiloso e pode resultar em punições que vão da advertência à demissão do cargo. Nesse caso, Demóstenes será aposentado compulsoriamente e ainda pode sofrer ação posterior para perda da aposentadoria, o que possível, mas dificilmente ocorrerá, cá entre nós.

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