Renan e Cunha armam novo pacto federativo com governadores

Renan e Cunha conseguiram reunir todos os governadores

Karine Melo e Yara Aquino
Agência Brasil

Uma pauta comum da Câmara e do Senado com propostas ligadas ao pacto federativo será uma das consequências da reunião desta quarta-feira entre o senador Renan Calheiros (PMDB-AL), o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e os governadores. Com base nas sugestões dos chefes dos execuivos estaduais, as propostas comuns que ganharão prioridade na pauta do Legislativo serão definidas esta quinta-feira por Renan, presidente do Senado, e Cunha, presidente da Câmara.

Uma comissão composta por 17 senadores será criada para acompanhar o andamento dessa pauta. A iniciativa vai ao encontro de uma sugestão do governador de Mato Grosso, Pedro Taques (PDT), que pediu ao Congresso a concentração de esforços em uma pauta dedicada a ajustes no pacto federativo.

“Existem propostas que beneficiam alguns estados e prejudicam outros. A definição de uma agenda exclusiva poderia levar à conciliação dos diversos interesses”, justificou Taques.

ATÉ O PETISTA APOIA

Para o governador da Bahia, Rui Costa (PT), a criação de uma agenda federativa não basta. Segundo ele, é necessário que, antes da votação de projetos de lei, governadores e prefeitos sejam consultados sobre os impactos das propostas na arrecadação e nas despesas de estados e municípios. “Se isso ocorresse, já seria uma grande ajuda. Coloquem a Federação em primeiro lugar”, reivindicou Costa.

Especificamente sobre propostas ligadas à saúde e à segurança pública, o governador da Bahia sugeriu que o Congresso repense o modelo de financiamento nessas áreas. “Não se trata de dizer que é problema de A ou de B. Estamos todos no mesmo barco, juntos e misturados. Juntos, precisamos buscar as soluções.”

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOGEste tema é importantíssimo, interessa a todo o país, menos ao governo Dilma Rousseff. Daqui a pouco a gente volta para analisar a guerra de bastidores entre o Planalto e a dupla Renan Calheiros/Eduardo Cunha. Uma briga muito boa. (C.N.)

2 thoughts on “Renan e Cunha armam novo pacto federativo com governadores

  1. Sou brasileiro, nascido em São Leopoldo – RS. Sou gaúcho.
    Moro no Rio de Janeiro desde 1976. Tornei-me ‘cariúcho’.
    Foi por acaso que um dia ouvi, na década de 90, o ex-presidente Itamar Franco pronunciar a expressão “pacto federativo”. Não me lembro em qual contexto ele inseriu estas duas palavras. Mas como sou curioso e tendo estas palavras sido ditas por uma pessoa culta, fui analisar o que seriam. Qual seu real significado.
    Para minha surpresa, após a análise desta infeliz expressão, descobri que ela mais do que qualquer outra idéia, atitude, ou ação dissociam o povo da classe política brasileira.
    Quando falo em povo, refiro-me a pessoas instruídas, com nível universitário. Até hoje, em nenhum dos meus colóquios, fui informado do que seria o tal pacto federativo!
    Escrevo estas linhas para que quem delas tomar conhecimento, revolte-se como eu; e perceba o quão funesta é esta expressão. Note que os únicos que tentam justificá-la são os políticos, será porque?
    Simples. Querem que nós sejamos como os Estados Unidos da América do Norte. Aliás quando inventaram a república, a tiracolo inventaram que éramos duas dezenas de países que se uniram! E por conseqüência passamos a nos chamar ‘Estados Unidos do Brasil’. Mais tarde mudaram para República Federativa do Brasil.
    Com isso cada país (estado) elegeria seus senadores para representá-lo na capital da Federação (Distrito Federal).
    A proclamação da república foi uma farsa tão mal feita, que ninguém naquela época cuidou para que nosso passado fosse reescrito ou esquecido, se não vejamos:
    1 – Tratado de Tordesilhas.
    Após o descobrimento da América pelos espanhóis, Portugal preocupado negociou o tratado de Tordesilhas, para que as terras ou ilhas que viessem a ser descobertas a leste da linha estabelecida fossem da coroa portuguesa, como o eram os arquipélagos dos Açores e Madeira.
    2 – A Descoberta.
    Quando Pedro Alvares Cabral, avistou o Monte Pascoal, ele não relatou que havia descoberto a Bahia, e sim terra nova, que lhe pareceu uma imensa ilha.
    3 – Expedições costeiras.
    Portugal mesmo ganhado dinheiro com suas viagens às índias, mandou expedições para avaliarem a extensão da terra descoberta. Em algumas delas houve tentativas de estabelecimento de povoados, esclarecido que os mesmos seriam dependentes da coroa. Em relatos já havia a descrição da descoberta de um rio enorme em cujas margens teriam sido vistas as famosas ‘amazonas’.
    4 – Colonização.
    Salvador, São Vicente, Olinda, e tantos outros povoados, foram todos fundados por portugueses, com administração ligadas diretamente a Lisboa. Não houve na época da colonização primitiva nenhuma vila fundada sem a orientação explícita de Portugal. Em 1559, a frança fundou a França Antártica, na ilha onde hoje se situa a Escola Naval no Rio de Janeiro. Em 1565 foram detonados pelos portugueses.
    Outras tentativas de invasão do território brasileiro aconteceram, principalmente no nordeste. Todas foram rechaçadas por Portugal.
    No sul, Portugal entregou a cidade de Colônia do Sacramento para manter integro seu território até o Rio Grande do Sul.
    5 – Capitanias.
    A única tentativa de divisão territorial que Portugal tentou, foi um fracasso absoluto. Durou apenas 4 anos e a maioria dos donatários nem se dignou a vir a tomar posse. Portugal retomou todas as capitanias, voltando o Brasil a ser uma colônia SEM divisões.
    6 – Governos Gerais.
    Mais uma vez Portugal entendeu que o Brasil, apesar de imenso só podia ser administrado por um governo central. Mudou-se a capital mais para o sul, foi escolhido o Rio de Janeiro.
    7 – Expedições e Bandeiras.
    Portugal visando ampliar o território da colônia promoveu e incentivou a exploração e ocupação do interior do Brasil. Alguém deve ter voltado e dito que encontrou uma selva densa e com mato grosso. Jamais alguém falou que descobriu outro país que se chamaria ‘Mato Grosso’.
    8 – Dom João VI.
    Um dia antes da invasão de Lisboa a esquadra portuguesa trouxe toda a corte para o Brasil colônia. A nova capital do reino passou a ser o Rio de Janeiro. Morando aqui no Brasil de 1808 até 1821, D João percebeu a vastidão e o potencial do brasil. Sábio deixou aqui seu filho primogênito.
    9 – A Independência.
    D Pedro I sem outra alternativa, declarou nossa independência. Fisicamente ele estava na província de São Paulo. Mas ele ao declarar a independência não bradou pela independência de São Paulo e sim do Brasil. Ao chegar ao Rio tratou de organizar a marinha brasileira que mesmo sem experiência se lançou para o nordeste e posteriormente ao norte para a expulsão completa de militares e autoridades portuguesas. Todo o território do Brasil seria um império independente.
    10 – As revoluções.
    Notadamente no inicio do segundo reinado diversos movimentos de cunho social econômico e até mesmo políticos causaram revoltas, revoluções e até mesmo guerra. As causas, mesmo as de cunho político nunca tiveram como motivo único ou principal aspirações do povo por independer seu território ou província do Império Brasileiro. Todas as revoltas foram resolvidas, muitos pleitos foram atendidos, e não permaneceu entre as partes ódio ou ressentimento.
    11 – República.
    Sem dúvida foi com a precipitação militar da proclamação da república que o Brasil passou como num passe de mágica de um país grande, para um monte de ‘estados’. O factóide estava sacramentado. Cada estado elegeria senadores que o representariam junto à Federação. Os políticos da época todos se locupletaram e ninguém se opunha ao tirano Floriano Peixoto. O primeiro teste da nova ‘Federação’ foi a guerra de canudos. As tropas do país chamado Bahia, sofreram diversos reveses até aprovar que tropas federais enquadrassem Antonio Conselheiro.
    12 – Pacto.
    Que pacto?
    Os territórios viraram estados? Declararam sua independência e aderiram à Federação?
    Decidiu-se mudar o Distrito Federal para o interior de Goiás. Goiás aceitou? E se não aceitasse?
    Decidiu-se unir os estados da Guanabara com o Rio de Janeiro, e ponto final. E o pacto?
    Decidiu-se dividir os estados do Mato Grosso e Goiás também. Como? Criaram mais dois estados. Aderiram ao pacto federativo?

  2. Conterrâneo Ronaldo Luiz,
    Com relação aos dois presidentes do Congresso, abordei o papel de ambos em um comentário postado na página intitulada FHC, um Lacerda em Compotas.
    Extrai daquele texto, portanto, um trecho a respeito da atuação dessas autoridades e de seus comandados, conforme analogia com uma ópera conhecidíssima e uma de suas árias mais tocadas no mundo, apesar de extremamente difícil para o tenor que a executa.

    “Nesse meio tempo, a corte composta também por representantes populares no poder Legislativo, um plano elaborado para enganar a multidão que no império do PT há liberdade, pois o povo participa teoricamente das decisões através de deputados e senadores quando, na verdade, o Congresso, é conhecido como turma de bandidos, resgata a extraordinária ópera Il Pagliacci (Os Palhaços), de Ruggero Leoncavallo, e a sua ária imponente, Vesti la Giubba. Talvez uma das páginas de óperas mais difíceis de ser executadas pela exigência ao tenor – Pavarotti chegou a ser vaiado certa ocasião! -, dois dos maiores bufões do Brasil, Cunha e Renan, disputam quem seria o cantor que apresentaria este mavioso trecho, que diz exatamente o seguinte:
    “Vista A Fantasia
    Atuar! Enquanto estou preso pelo delírio
    Não sei mais o que digo e o que faço!
    Embora seja preciso que se esforce!
    Por acaso és um homem?
    Tu és palhaço!
    Vista a fantasia e pinte a cara
    As pessoas pagam,e querem rir
    E se arlequim te rouba a colombina
    Ria, palhaço, e todos aplaudirão!
    Transformas em pantomimas o riso e o pranto
    Em uma metamorfose o soluço e a dor
    Ria, palhaço, sobre o teu amor destroçado
    Ria da dor que te envenena o coração! “
    Os ternos bem cortados, as gravatas de seda japonesa, os sapatos em couro alemão, camisas em linho egípcio, são as fantasias que se vestem os parlamentares, que imaginam que a roupa faz o monge ou que empresta seriedade às sessões ridículas e idiotas que participam ocasionalmente a cada semana.
    https://www.youtube.com/watch?v=tLoeWZAHjAE

    Nada que tenha a iniciativa desses senhores me cheira bem.
    Um abraço.

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