Renan, íntegro, ilustre, indomável, volta glorioso, a presidir o Senado

Helio Fernandes

Foi uma sessão longa e quase desnecessária. Apesar de tudo o que se dizia ou constatava, a maioria “queria” ou ansiava pela volta dele à presidência. Como está na historia, mesmo sem autor: “O filho do Rei Curiango voltou de longa viagem”. A partir das 10 da manhã, falaram vários senadores, antes dos candidatos.


O senador Renan Calheiros (PDMB-AL) foi eleito presidente do Senado por larga vantagem
Foto: Gustavo Miranda / O Globo O “ético” Renan

Eunicio de Oliveira gastou (desperdiçou) 2 minutos elogiando Sarney, outros 2 endeusando Renan. Esqueceu de dizer que nos bastidores estava “contra”, mas ganhou a liderança do governo, reforçou a adesão. Fernando Collor não tratou da eleição, chamou o Procurador-Geral da República de “chantagista e prevaricador”.

Eduardo Suplicy, hilariante como sempre, considerou que devia haver um candidato de consenso, pediu “a presença de São Francisco de Assis, para conseguir isso”.

Randolfe Rodrigues fez o discurso mais importante do dia. Do ponto de vista do texto e do conteúdo. E com o tom vibrante que o momento exigia. De 0 a 10, nota 11.

A FALA DOS CANDIDATOS

Pedro Taques, chamado pelo senador Valadares de “figura monumental”, não se mostrou tanto. Usou como tema (ou como tese de mestrado), o destino dos vencedores e vencidos. Fez 13 citações de gregos e romanos, relacionando os que venceram e os que perderam. E de forma “monumental”, terminou dizendo: “Tiradentes foi um perdedor”. Numa disputa apenas carreirística, o nosso maior herói (nacional e ele sim, monumental) foi novamente trucidado, embora inatingivel.

A VINGANÇA DA ÉTICA

Como deixei bem claro, Calheiros citou palavras que não poderia nem deveria citar, como esta que coloquei aí em cima. Mas resolveu se dirigir diretamente ao senador Capiberibe, vergonhosamente cassado por ele na primeira presidência. Foi um espetáculo lamentável na época.

Além de cassar Capiberibe, cassou-lhe a palavra, precisava que o suplente do Amapá, amicíssimo e eleitor de Sarney, assumisse. Que foi o que aconteceu. Agora, na semana passada, fez violenta radiografia de Renan.

Gastou mais do que os 20 minutos que tinha, falou em economia, em “revolução pela realização”. E disse que presidirá o Senador com total transparência. E mais: “Criarei imediatamente a Corregedoria das mulheres”. E encerrou sua apresentação lamentável, aplaudido.

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PS – Sarney falou então durante 42 minutos, verdadeira exaltação e dominada por elogios afetuosos com ele mesmo. A posse de Renan seria imediata, Sarney não iria perder a oportunidade.

PS2 – A votação foi rápida. Na Câmara segunda-feira será mais demorada, são 513 deputados e vários candidatos. Estavam presentes 78 senadores, faltaram apenas 3, a vantagem de Renan, foi a esperada.

PS3 – 56 votaram em Renan, 18 em Pedro Taques, 2 se abstiveram, 2 votaram em branco, a mesma coisa.

PS4 – Renan tomando posse: “Saímos da escuridão da ditadura, para a luminosidade da democracia”. E Sarney passando o cargo: “Renan tem todos os mérito para o cargo, será o presidente de todos os senadores”.

PS5 – Os dois primeiros a “cumprimentar” Renan, estavam estrategicamente colocados, Eunicio Oliveira e Romero Jucá, comprometidos e contaminados com a volta de Renan.

PS6 – A pergunta, obrigatória, que ninguém fez: “Senador Renan, o senhor vai cumprir o mandato inteiro de presidente, ou renunciará numa nova circunstância?

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