Renan omite que Dilma foi quem condenou Pasadena

Pedro do Coutto

As reportagens excelentes de Maria Lima, Isabel Braga e Júnia Gama, no Globo, e de Gabriela Guerreiro na Folha de São Paulo, edições de 7 de maio, destacaram a repugnante manobra urdida pelo senador Renan Calheiros para adiar, não a instalação, mas os trabalhos da CPI da Petrobras, tanto os da Comissão criada pelo Senado, quanto os da Comissão Mista, congregando, como o nome indica, senadores e deputados. Jogada pérfida, passadista, anacrônica, colidente sobretudo com a realidade dos fatos.

Na ânsia de agradar setores do governo,o presidente do Congresso contribuiu para abrir uma dissidência no seu próprio partido, o PMDB, além de se chocar com setores do próprio PT. Renan, em seu lance obscuro, principalmente omite que, de fato, foi a presidente Dilma Rousseff quem se tornou a principal acusadora do episódio da refinaria de Pasadena, quando disse textualmente que, se tivesse lido na íntegra o texto do contrato, não o teria assinado. Além disso, demitiu da direção financeira da BR Distribuidora o próprio Nestor Ceveró, que conduziu a compra da refinaria. Portanto, se não atribuísse culpa a Ceveró, não o teria demitido quando a bomba explodiu. O outro ex-diretor Paulo Roberto Costa já se encontrava fora da Petrobras.

JOGO DUPLO

Dentro dessa sequência lógica, Renan Calheiros não está se mostrando politicamente um aliado de Dilma. Pelo contrário. Está fazendo o jogo daqueles que, desejando ocultar o verdadeiro encadeamento do que ocorreu, desejam aproveitar-se da fantasia de companheiros quando são, efetivamente, inimigos da presidente. No plano político, uma espécie extremamente perigosa é a dos falsos correligionários, dos falsos amigos. Pela frente aparentam uma imagem. Pelas costas faturam para si a proximidade com o poder e os poderosos. Aconteceu com Getúlio Vargas por ter confiado demasiadamente em Gregório Fortunato, chefe de sua guarda pessoal.

A vida não está cheia de Gregórios Fortunatos, mas o poder político está repleto de falsos aliados, falsos amigos, de aproveitadores, que simulam um comportamento solidário, quando na realidade participam de um jogo duplo, à base da encenação. Atitudes falsas e contraditórias, no caso Petrobras, levando a presidente da República a uma suprema contradição. Pois de um lado ela acusa a transação, apontando-a como prejudicial à Petrobrás, e portanto ao País. E de outro utiliza Calheiros para protelar a investigação do que ela própria condenou. Francamente, está na hora da presidente se pronunciar definindo concretamente sua posição quanto aos trabalhos da CPI, tanto fazendo seja ela do Senado ou do Congresso incluindo a Câmara dos Deputados.

Dilma Rousseff, na realidade, precisa assumir o comando de sua própria articulação política. Que não se esgota nos acordos partidários, mas se estende a toda sua administração. Sobretudo porque, hoje, os temas administrativos e da economia sobrepõem-se às articulações primárias entre as legendas. A atuação do governo, livrando-se dos falsos amigos, é muito mais importante do que o trânsito pelos canais sombrios dos políticos superados no tempo e no espaço.

5 thoughts on “Renan omite que Dilma foi quem condenou Pasadena

  1. SAIU NO CLAUDIO HUMBERTO: http://WWW.DIARIODOPODER.COM.BR/NOTICIAS/EX-DIRETOR-DA-PETROBRAS-SERIA-DONO-DE-DEZ-NAVIOS-2/

    HOMEM-BOMBA
    EX-DIRETOR DA PETROBRAS SERIA DONO DE DEZ NAVIOS
    POLÍCIA FEDERAL SUSPEITA QUE EX-DIRETOR DA PETROBRAS É DONO DE DEZ NAVIOS.

    Encosta um desses petroleiros do PR Costa num dos terminais da Petrobras. “Enche o tanque”, manda o diretor. O navio vai para Rotterdam, onde funciona o mercado spot de petróleo – pagou levou. O comprador deposita o dinheiro – vamos dizer de uma carga de 500 mil barris, R$ 50 milhões de dólares – numa conta na Suíça. Pronto. Sem contabilizar para a Petrobras, seus acionistas e o cidadão brasileiro, que também é dono, essa dinheirama vai para o esquema de corrupção. Ganha o Costa e quem mais?
    É impossível construir todo esse patrimônio por meio de roubalheira, sem que seus “protetores” políticos não tenham participações. Quem diria em! que o Petísmo iria produzir um novo Aristoteles Onassis Tupiniquim, tá explicado por que Lula fazia tanto questão de recuperar a indústria Naval. Navio é com a Transpetro do Renan Calheiros. Agora a Frota vai a pique.

  2. Independente de Dilma, de CPI e tal.

    Esse crápula mostra bem o que é ser descarado.

    DEFINITIVAMENTE NÓS SOMOS UMA REPUBLIQUETA DE BANANAS, SEM CONTESTAÇÃO.

  3. Renan Calheiros é um dos maiores pilantras deste país! Portanto não é por acaso que ele está tão alinhado com o governo petista!

    E ele é um excelente jogador. Conhece como poucos o jogo sujo da política brasileira, que é uma das mais imundas e corruptas do planeta Terra.

    Fará o possível e o impossível, o legal e o ilegal, ou seja, tudo o que for necessário para atacar, feito ácido poderoso, a CPI da Petrobras.

    E aos poucos irá apresentando caríssimas contas ao governo, relativas aos seus serviços prestados.

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