Renato Feder confirma que “recusou” convite de Bolsonaro para assumir comando do MEC

Charge do Miguel (Arquivo do Google)

Deu no G1

O secretário de Educação do Paraná, Renato Feder, publicou mensagem neste domingo, dia 5, na qual afirma ter recusado convite do presidente Jair Bolsonaro para ser o novo ministro da Educação. Neste sábado, dia 4, a colunista do G1 e da GloboNews Ana Flor informou que Bolsonaro havia segurado a indicação de Feder após repercussão negativa que o nome teve entre apoiadores de grupos ideológicos e evangélicos.

“Recebi na noite da última quinta-feira uma ligação do presidente Jair Bolsonaro me convidando para ser ministro da Educação. Fiquei muito honrado com o convite, que coroa o bom trabalho feito por 90 mil profissionais da Educação do Paraná. Agradeço ao presidente Jair Bolsonaro, por quem tenho grande apreço, mas declino do convite recebido. Sigo com o projeto no Paraná, desejo sorte ao presidente e uma boa gestão no Ministério da Educação”, escreveu Feder em uma rede social.

 

BUSCA CONTINUA – Neste domingo, segundo a colunista Ana Flor, o presidente Jair Bolsonaro, diante das críticas ao nome de Feder, decidiu procurar outra pessoa para o Ministério da Educação. Procurada pela TV Globo, a assessoria do Palácio do Planalto disse que não vai comentar as declarações de Renato Feder.

Atual secretário de Educação do Paraná, Renato Feder era um dos cotados para o MEC quando o ex-ministro Abraham Weintraub deixou o governo, no fim de junho. Mas Bolsonaro acabou escolhendo o professor Carlos Alberto Decotelli, que saiu do governo antes mesmo de tomar posse, em razão da descoberta de informações falsas em seu currículo.

CENTRÃO – Feder é formado em Administração, tem mestrado em Economia e já dirigiu escolas. Contando com Decotelli, Feder seria o quarto ministro da Educação no governo Bolsonaro. De acordo com a colunista do G1 e da GloboNews Andreia Sadi, assessores de Bolsonaro avaliavam que a nomeação de Feder poderia agradar o Centrão. 

Isso porque, o governador do Paraná, Ratinho Jr., um dos principais aliados de Feder, é do PSD. A sigla faz parte do grupo de partidos que se aproximou do presidente nos últimos meses. O PSD é comandado pelo ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab e integrou os governos Dilma Rousseff (2011-2016), Michel Temer (2016-2018) e, agora, também apoia o governo Bolsonaro.

RESISTÊNCIA – Segundo a colunista Ana Flor, as resistências a Feder vêm do fato de ele ter trabalhado no governo tucano de São Paulo, mesmo que por pouco tempo, e por ter doado recursos para a campanha à prefeitura de São Paulo de João Doria, atual governador do Estado. Além disso, Feder é considerado pouco alinhado a grupos evangélicos.

O secretário de Educação do Paraná ainda desagrada à ala ideológica do governo, que se reúne em torno das ideias de Olavo de Carvalho. O escritor apadrinhou tanto a escolha de Ricardo Vélez Rodríguez quanto a de Abraham Weintraub, ex-ministros da Educação.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
Evidentemente, Feder não recusou o cargo. Foi, sim, recusado, pelos “apoiadores” do Planalto. O atual impasse comprova que a tão propagada mudança anunciada durante a campanha eleitoral ficou somente na promessa. Nada mudou. As escolhas continuam pautadas pelo toma lá dá cá, e pastas importantíssimas, a exemplo da Educação, serão comandadas não pelos mais qualificados, e sim pelos que mais se alinham aos interesses políticos dos apoiadores de Bolsonaro que, há muito tempo, perdeu o controle deste navio. Rendido, só torce para ter aliados na hora em que se deparar com os pedidos de impeachment. E, para isso, cargos são moedas de trocas importantíssimas para amenizar a sede de poder dos “amigos”. (Marcelo Copelli) 

3 thoughts on “Renato Feder confirma que “recusou” convite de Bolsonaro para assumir comando do MEC

  1. Com tanto fogo amigo, a oposição está definitivamente em férias coletivas. Impossível fazer mais estragos do que os ex aliados, os ex amigos, e os que ainda se dizem “apoiadores”.

  2. E não é que o ex- que não chegou a ser efetivo (Decotelli) colocou no currículo com experiência ter ocupado o cargo de ministro da educação por seus dias?

  3. A causa verdadeira da recusa não vai ser declarada nunca, ela não passa do mais puro racismo, porque competência o cara tem demais. A Educação do Paraná fica feliz com esta desistência pois vai continuar contando com um cara competente à frente da sua secretaria. O boçal vai aumentado assim a perda de votos aqui no Paraná.

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