Renda do trabalho cai 11%, derruba receitas de INSS e FGTS, e trabalho informal não garante aposentadoria

Charge do Ivan Cabral (ivancabral.com)

Pedro do Coutto

Pesquisa do IBGE publicada ontem com grande destaque pelo O Globo e pela Folha de S. Paulo revelou que a renda do trabalho humano recuou 11% este ano e que 49% da força de trabalho são preenchidas por empregos de baixo salário e também pelo trabalho informal que não gera receita para o INSS e para o FGTS, e não assegura aposentadoria para os trabalhadores.

O trabalho do IBGE certamente exigiu um esforço muito grande de sua equipe técnica para detectar o reemprego de um milhão de pessoas  e a expansão do trabalho informal. O trabalho informal abrange 45% da força de trabalho brasileira, que soma praticamente 100 milhões de homens e mulheres, correspondendo a quase metade da população total. No O Globo, a reportagem focalizando o assunto é de Cássia Almeida e Amanda Scatolini. Na Folha de S. Paulo é de Leonardo Vieceli. Encontram-se nas edições de ontem dos dois jornais.

MENOR NÍVEL – No O Globo, matéria de Stephanie Tondo, assinala que o recuo da renda para R$ 2449 colocou-a no menor nível registrado desde 2012. É possível que a pesquisa tenha incluído no emprego com carteira assinada o volume registrado no final do ano no mercado informal. É fácil eliminar essa dúvida. Basta registrar o volume crescente, se é que houve, na arrecadação dos empregadores para o INSS e para o FGTS.

Eliminada a dúvida, temos que considerar que a cada 12 meses a população brasileira cresce 1%. São assim, dois milhões de pessoas a cada ano e, portanto, a mesma proporção se registra nos que completam 20 anos e andam em busca de um lugar ao sol.

O mercado, entretanto, está bastante fechado. E, assim, conforme digo sempre, temos que somar o total de desempregados com o total de jovens não empregados. Eles não fazem parte das estatísticas de emprego, pois não começaram a trabalhar. Mas a consequência para a economia do Brasil é a mesma. Menor força de trabalho, menor consumo, retração das receitas do FGTS e INSS.

DESPREOCUPAÇÃO – São problemas muito graves, mas a equipe econômica do ministro Paulo Guedes não se preocupa com a face social brasileira. Só se preocupa com o aumento da taxa de juros e com isenções fiscais que afetam a receita tributária. Mas essa é outra questão.

Paulo Guedes diz que o reajuste dos servidores públicos quebra o país. Está significando uma movimentação intensa de múltiplos setores do funcionalismo público para obter reajuste de vencimentos capaz de compensar as perdas inflacionárias dos últimos quatro anos. Até os magistrados redigiram documento nesse sentido.

Mas em outro documento, este do ministro da Economia, dirigido ao presidente Jair Bolsonaro e a alguns ministros do governo, segundo acentuam Eliane Oliveira e Geralda Doca, O Globo, Paulo Guedes afirma que é impossível conceder aumento este ano, exceto, é claro, aquele dos policiais federais e da Polícia Rodoviária, os quais foram a  ele determinados diretamente pelo presidente da República.

PREJUÍZO ELEITORAL – Mas, opondo-se ao reajuste do funcionalismo, igual para todos, como determina o artigo 37 inciso 10 da Constituição Federal, Paulo Guedes acarreta, sem dúvida, um prejuízo eleitoral de grande porte ao presidente Jair Bolsonaro.

Bolsonaro encontra-se bem atrás da corrida pela sucessão, como revelam as últimas pesquisas do Datafolha e do Ipec. Está tentando desesperadamente buscar votos que lhe estão escapando em grande parte pela sua própria atuação.

O caso da vacinação de modo geral e da vacinação infantil em particular revela nitidamente o caráter tão negacionista quanto negativista do presidente da República nesse panorama, incluindo a si próprio. Assim, a posição de Paulo Guedes, se for seguida pelo Planalto, vai deixar claro que Bolsonaro faz o que Guedes impõe, o que representa uma subversão tanto administrativa quanto política.

IGP-M E JUROS MAIS ALTOS – O ministro Paulo Guedes desenvolve uma preocupação obsessiva contra os salários, mas tem uma preocupação muito mais otimista e suave com os juros dos bancos e com o IGP-M que rege o aumento anual dos aluguéis, tanto os domiciliares quanto os comerciais.

Eliane Oliveira e Ana Clara Veloso, também no O Globo, mostram o aumento de juros dos bancos que subiram de 27,2% para 28,2% ao ano. Mas, os juros geralmente cobrados pelo sistema bancário estão na escala de 32% a cada 12 meses. Não vale a pena nem comentar sobre os juros espaciais e estratosféricos dos cheques especiais e dos cartões de crédito. São trinta vezes maiores do que a inflação calculada pelo IBGE.

VACINAÇÃO INFANTIL – O Caderno Saúde de O Globo de ontem, reportagem de Ingrid Ribeiro e Melissa Duarte, focaliza com força extraordinária de persuasão a importância fundamental da vacinação de crianças de 5 a 11 anos de idade para evitar mortes como a do menino Guilherme, que aos 10 anos foi vítima da Covid-19. Dizem as repórteres que a pandemia subverte a ordem natural das coisas ao ceifar vidas de crianças.

Em foto publicada com grande destaque na capa do caderno, a comerciante Socorro da Silva, de 51 anos, não consegue conter a lágrima quando exibe a foto do menino morto. Foram sonhos perdidos, projetos e histórias que deixam de existir, assinala a matéria. Socorro da Silva, uma expressão que revela a dramaticidade, diz que o neto era a luz de seus olhos.

Os que defendem a vacinação infantil, são mais de 80% da população, devem guardar a foto como um símbolo dramático do presente e uma advertência para o futuro que pode simbolizar muito bem a ansiedade pela vacinação das crianças, obstruída até poucos dias pelo presidente Jair Bolsonaro e  pelo ministro Marcelo Queiroga. Deve-se frisar que Queiroga foi obrigado a recuar, mas Bolsonaro, não se sabe por quais razões, continua combatendo a vacina.

ABSURDO DE PAES – Na tentativa de atender a reivindicação dos hotéis de Copacabana e tentar evitar aglomeração demasiada na Avenida Atlântica, o prefeito Eduardo Paes determinou que o metrô não circulasse mais além das 20h de amanhã, dia 31, até às 6h do primeiro dia de 2022. As linhas de ônibus para Copacabana terão o itinerário alterado no período e não entrarão no bairro. Um absurdo completo.

Em primeiro lugar, não influi sobre as aglomerações, pois os que desejam assistir ao show de cores entrarão em Copacabana antes das 20h. Em segundo lugar, proibir meios de transporte é algo até desumano. Milhares de pessoas têm a necessidade de se deslocar de onde se encontram ou residem para Copacabana, Ipanema e Leblon. Há encontros familiares, atendimentos médicos, e uma série de problemas que se relacionam com a proibição do prefeito. Os hotéis estão satisfeitos, a consciência urbana perde pontos.

9 thoughts on “Renda do trabalho cai 11%, derruba receitas de INSS e FGTS, e trabalho informal não garante aposentadoria

  1. “a economia a gente vê depois”, não é corona-lovers ?

    Como se vê, a bandalha narco-socialista que defendeu os lockdowns da vida, com fechamento do comércio, restaurantes, fechamento de escolas, prisão de ambulantes e transeuntes NUNCA esteve preocupada com a situação do trabalhador, o objetivo sempre foi lascar com os rendimentos da população, para depois culpar o Presidente da República. É uma gente demoníaca.

  2. Todos os efeitos nocivos aos trabalhadores só serão sentidos no longo prazo.
    Culpa de quem. Apoiou o golpe de 2016 que tornou possível Temer promover as barbaridades contra o trabalhador.
    No futuro é bem capaz de colocarem a culpa no PT.
    Cadê os milhões de empregos que a “reforma” criaria?

  3. Os tucanalhas quando estão em campanha abrem a boca fétida para mentir, mentir, e mentir de novo, depois de eleitos, fica tudo na mesma.
    Sempre falam em Estado “enxuto”. limpínho de cheiroso.”. como nos perfumes franceses Lê Gambê…

    Doria descumpre promessa de reduzir secretarias em SP e repete Bolsonaro

    https://www1.folha.uol.com.br/poder/2021/12/doria-descumpre-promessa-de-reduzir-secretarias-em-sp-e-repete-bolsonaro.shtml

    Viva as Fabianas..

  4. Mais uma vez Pedro do Coutto vai ao cerne das questões.
    Clap, clap, clap!
    .

    Quanto aos argumentos e armações dos teleguiados narcomilicomilicianos (enrustidos ou não) cada vez mais patéticos, rasteiros.

  5. MENOR NÍVEL DE RENDA
    As empresas privadas estão pagando salários cada vez menores e exigindo cada vez mais desempenho de seus empregados, que são obrigados a cumprir múltiplas tarefas. A fase do especialista não tem retorno. Hoje é exigido o profissional generalista e ganhando aquela merreca, se quiser trabalhar.
    Com salários menores, não sobra muito para ir às compras e até aquele lazer do final de semana.
    O Capitalismo perde força com essa compressão salarial forçada para aumentar o luc o da moçada. A meu juízo, o valor de R$ 2.449, 00, da média salarial, está mais abaixo, em torno de R$ 2000,00.
    O resultado, pela relação de causa e efeito é a redução da arrecadação do INSS. Podem apostar, que em 2022 virá uma nova campanha para nova Reforma Previdenciária e os estudos para acabar com a Multa Rescisória de 40% para os demitidos Sem Justa Causa.

    A partir do ano que vem, passa de 98 para 99 anos o número do somatório de tempo de serviço + idade para os trabalhadores se aposentarem. Isso foi decidido na Reforma da Previdência, que entrou em vigor em 13 de novembro de 2019.

  6. DESPREOCUPAÇÃO COM UMA POLITICA SALARIAL

    Os aumentos salariais visando a reposição dos índices inflacionários devem ser concedidos anualmente, para todos os Servidores Públicos. Foi um erro colossal, incluir no Orçamento, a previsão apenas para os Policiais Federais e Rodoviários. Feriu-se o Princípio Constitucional da Isonomia.
    Não por acaso, todas as categorias do serviço público estão reivindicando o mesmo aumento para os policiais . O caso será judicializado. Um problemão para o governo, administrar mais uma crise.
    O ministro Paulo Guedes resistiu a essa decisão, mas, acabou cedendo. Guedes não briga para cima. É um bom lutador e ceifador de direitos sociais, sempre contra os trabalhadores de baixa renda, que ele crê, não deveriam nem viajar para a Disney. Ele, elitista até a raiz dos cabelos, não entende como isso pode acontecer. Mas, o ministro não está sozinho nessa ideia, por isso, relaxo as críticas a Ele, porque, a classe dos poderosos, nunca se conformou em dividir as cadeiras das aeronaves nos voos internacionais com brasileiros da Classe C. O Espírito da Escravidão ainda povoa a cabeça das nossas Elites.

  7. O INSENSÍVEL PREFEITO

    O prefeito Paes tomou uma decisão salomonica. Precisava atender ao trade turístico, que exigiu dele a liberação dos fogos pirotécnicos na orla carioca, para atender os turistas, que ocupam quase 100% das vagas nos hotéis.
    Com medo de ser acusado de disseminador do vírus da Covid, por causa da aglomeração das pessoas nas areias de Copacabana, Paes proibiu o funcionamento dos trens do Metro a partir das 20:00h, na tentativa de impedir o povão de chegar a praia e após a explosão dos fogos, forçar a galera a ficar na praia até o raiar do dia, para voltar para casa nos transportes públicos.
    Seria cômico se não fosse trágico. É mais do que um Absurdo, trata-se de uma Desumanidade.
    Demonstrou que não é um homem de coragem, trata o povo que o elegeu Prefeito, com desdém, até uma certa crueldade.
    Uma vez, sonhou com a presidência, o tempo demonstrou, que não merece ser eleito Governador do Estado.

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