Repórter brasileiro presenciou a cobertura tendenciosa da mídia na derrubada de Kadafi

Sergio Caldieri

Rolando Segura é um repórter da Telesur que esteve na Líbia durante seis meses reportando a guerra que terminou com o assassinato e esquartejamento do presidente Muamar Kadafi.

Guerra na Líbia foi “maquiada”

Ele deu essa entrevista ao Café na Política, a convite de Beto Almeida, dirigente da Telesur, em Brasília, e da qual também participaram o jornalista FC Leite Filho e Rosilene Correa, do Sindicato de Professores de Brasília e colaboradora da TV Cidade Livre, Canal 8 da NET (só DF). Leia alguns pontos da entrevista do correspondente de guerra:

“Recordo que me diziam nas redes sociais (da internet, que chegavam lá sem problemas): Olha, agora que você está aí com os principais canais e meios de informação do mundo, veja se aprende então a fazer jornalismo. Quando fiz o balanço do que me cercava, eu concluí: se isto é o jornalismo, se isto que estão contando a maior parte dos jornalistas, sinceramente, eu não mais seria jornalista. Era a maneira em que se ocultava e se falseava a realidade”.

“Por exemplo, poderíamos chegar a um lugar, como nos aconteceu muitas vezes, onde sem dúvida não havia a mais mínima dúvida de que era um edifício bombardeado, um edifício civil. Chegávamos, quando estavam tirando os cadáveres sob os escombros…um prédio de edifícios civis, com os vizinhos, com as pessoas chorando e retirando seus parentes, seus amigos, e, no outro dia, quando víamos as imagens, saíam as imagens do edifício de frente. Não saíam as imagens do edifício onde o míssil fez a cratera e de onde estavam saindo os cadáveres. As imagens eram do edifício da frente, que, claro, estava estragado, mas onde era a onda expansiva, não era a destruição da bomba. Ou seja, o mundo não viu o horror dessa guerra. Isso não saiu no El País, na Al Jazeera, na BBC. Isso não foi mostrado”.

“Existem inclusive denúncias de que as equipes de jornalistas que estavam lá trabalhando não eram realmente jornalistas, pela maneira como se comportavam. Por exemplo, havia antenas que se via estarem  transmitindo para OTAN. Evidentemente, entre os jornalistas, havia a denúncia de que havia pessoas que não eram realmente profissionais da informação”.

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