Representação contra Flavio Bolsonaro deve ser analisada antes do caso do senador da cueca

Jayme Campos (DEM-MT) vai comandar o Conselho de Ética do Senado -  25/09/2019 - UOL Notícias

Jayme Campos é um conhecido engavetador de processos

Julia Lindner
O Globo

A representação contra o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) no Conselho de Ética do Senado, apresentada em fevereiro deste ano pelo PSOL, deve ser avaliada antes do caso envolvendo o parlamentar Chico Rodrigues (DEM-RR), flagrado nesta quarta-feira com dinheiro na cueca durante uma operação da Polícia Federal.

A informação é do presidente do colegiado, Jayme Campos (DEM-MT), que defende a apreciação na ordem em que as petições foram apresentadas.

ORDEM CRONOLÓGICA — “Tem que ser pela ordem, uai. Como é que entra uma representação ou uma denúncia contra um cidadão há três, quatro meses, e agora entra uma outra e já vai passar na frente? Tem que julgar na ordem cronológica” – disse Jayme Campos ao Globo.

Apesar do entendimento de Campos, a tramitação de todos os processos no Conselho ainda pode demorar. O presidente do colegiado afirma que os trabalhos só serão retomados após a volta das sessões presenciais dos colegiados, paralisadas por causa da pandemia do novo coronavírus. Mesmo antes da emergência sanitária, no entanto, nenhum pedido de cassação de mandato foi apreciado.

“Há uma resolução da Mesa Diretora proibindo reunião presencial das comissões. Nesse caso particularmente (do senador Chico Rodrigues), vou encaminhar para a Advocacia do Senado, que vai emitir um parecer. Depois, temos um cronograma a seguir” — justificou o presidente do Conselho de Ética.

ENGAVETADA – Apresentada há cerca de oito meses, a representação contra Flávio Bolsonaro aponta suposto envolvimento do filho do presidente Jair Bolsonaro com milícias no Rio de Janeiro; prática de “rachadinha”; lavagem de dinheiro; e contratação de funcionários fantasmas quando ele era deputado estadual na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Flávio Bolsonaro nega todas as acusações.

Em agosto, a Rede entrou com um pedido para que a admissibilidade da representação fosse analisada de imediato pelo presidente do Conselho de Ética. Em resposta, o secretário-geral da Mesa, Luiz Fernando Bandeira de Mello, afirmou que seria recomendado suspender o prosseguimento do processo “até a normalização dos trabalhos no âmbito do Senado Federal”.

HÁ OUTROS CASOS – Além de Flávio Bolsonaro, outros parlamentares são alvo de pedido de processo disciplinar no Conselho de Ética. Entre eles, os senadores Jorge Kajuru (Cidadania-GO) e Cid Gomes (PDT-CE). O presidente do Conselho de Ética pondera que nem todos os pedidos serão admitidos após a retomada das atividades presenciais.

Os partidos Rede e Cidadania protocolaram uma representação pela cassação do mandato do senador Chico Rodrigues (DEM-RR), alvo de operação da Polícia Federal na última quarta-feira por participar de suposto esquema de desvio na área da saúde. Durante buscas em sua casa, o parlamentar foi flagrado com cerca de R$ 30 mil em dinheiro vivo e tentou esconder parte das notas dentro da cueca. Outras legendas devem fazer o mesmo na próxima semana.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Nosso amigo Carlos Chagas costumava classificar esse tipo de matéria como “me engana que eu gosto”. Na verdade, os parlamentares se autoprotegem (desculpem a redundância, mas é isso mesmo). As Comissões de Ética são feitas para não funcionar. Se dependesse do Senado, o caso do dinheiro na cueca logo seria esquecido. (C.N.)

8 thoughts on “Representação contra Flavio Bolsonaro deve ser analisada antes do caso do senador da cueca

  1. Prezado Editor desta TI,CN, tenho como sugestão a limitação de linhas disponíveis para comentários sobre as matérias publicadas neste blog.Explico: Que quem tenha a competência de comentar e discorrer sobre certos assuntos, tenha também a capacidade de tornar as opiniões mais sucintas, com maior poder de síntese dos comentários. É extremamente chato ler opiniões que parecem um calhamaço de idéias e que, na verdade, ficam sem sentido e com muitas delongas que fogem sempre ao assunto se tornando extremamente enfadonhas e que no fundo, poucas pessoas tem a paciência de concluir a leitura de textos tão longos.Considero este espaço como um comentário e não como a edição de uma matéria. Perdão pela sinceridade. Att / Ricardo Lemos.

    • O problema não está na extensão dos comentários, mas na fraqueza do leitor que se deixa magnetizar por ele, e engorda a conta do oftalmologista.
      Se o conteúdo é PROLIXO, PRO LIXO deve seguir!

      • Cada um com seu Cada um né Paulo?A verdade o bom senso não tem só um dono…Devem, então serem discutidos e compartilhados.Opiniao monocrática é com o ministro Marco Aurélio, o pavão vaidoso…Sds.

  2. Certa a decisão do Presidente do Conselho de Ética, julgamento pela ordem de chegada. Assim também os projetos apresentados pelos parlamentares. ´Os presidentes das duas casas sentarem em cima dos projetos para serem apresentados ao seu bel prazer é uma verdadeira excrescência

  3. Não se esqueçam de que o senador da grana na cueca é membro do Conselho e Ética. E quanto a não respeitar a ordem de chegada, me parece que uma ordem do Supremo Tribunal Federal para suspender o mandato deve sim ter precedência sobre algumas outras. E, aliás, se o Supremo pode se reunir virtualmente porque a Comissão de Ética não pode se reunir virtualmente também? Hoje qualquer um consegue fazer uma reunião virtual usando os diversos aplicativos disponíveis. Me dá a impressão de que querem defender os próprios rabos (com perdão da palavra) defendendo o do senador.

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