Resistências no PL expõem fragilidade da candidatura de Jair Bolsonaro

Desentendimentos poderão enfraquecer ainda mais a candidatura de Bolsonaro

Pedro do Coutto

Após Jair Bolsonaro ter anunciado o seu ingresso no PL e o presidente da legenda, Valdemar Costa Neto, ter marcado a solenidade de filiação para o dia 22, surgiram resistências de seções regionais com as quais Bolsonaro não concorda. O presidente da República deseja modificá-las porque as considera prejudiciais na medida em que canaliza votos para candidatos a governos estaduais que não se encontram entrosados com ele. Valdemar Costa Neto disse que a solenidade de inscrição foi adiada para data ainda não estabelecida, mas o fato concreto é o de que o mal-estar verificado representa um obstáculo tanto para o candidato quanto para o partido.

Ficou exposta uma acentuada fragilidade da candidatura de Bolsonaro, pois, caso contrário, os diretórios estaduais não teriam assumido compromissos com candidatos fora da órbita do Palácio do Planalto. É o caso de São Paulo onde correntes do PL encontram-se alinhadas com o governador João Doria que apoia a candidatura de seu vice, Rodrigo Garcia, e também conta com a legenda para disputar a Presidência da República caso derrote Eduardo Leite nas prévias partidárias do PSDB.

ACORDO – Surgiram problemas também em estados do Nordeste, principalmente em Pernambuco, com o PL, deixando por conta da direção estadual fazer um acordo para apoiar o candidato a governador. A decisão do PL tende para que a legenda no estado apoie a candidatura Lula da Silva e faça uma aliança com o PT em torno de um candidato comum ao Palácio do Campo das Princesas.

Em alguns outros estados nordestinos, onde é forte a presença de Lula, a tendência de Valdemar Costa Neto é respeitar as decisões e aceitar os rumos traçados pelos diretórios estaduais. De outro lado, o presidente da República manifestou o interesse em que o candidato ao governo paulista seja o atual ministro da Infraestrutura Tarcísio de Freitas, nome considerado muito fraco junto ao eleitorado do principal colégio do país.

É possível, mas não é muito provável, que as divergências entre Bolsonaro e setores do PL sejam superadas. Entretanto, a superação deixará as suas marcas e, na prática, vai tornar muito difícil que essas correntes do PL recuem e decidam apoiar candidatos indicados por Bolsonaro. Eu disse que seria possível, mas não é provável que isso aconteça. Explico: os desentendimentos entre candidatos e legendas partidárias funcionam para enfraquecer a candidatura ao Planalto, uma vez que retiram votos importantes em áreas estaduais.

ALINHAMENTO COM LULA – Além disso, deixam o campo aberto a que tais correntes venham a se alinhar com Lula da Silva no caso de haver segundo turno em outubro de 2022. As marcas decorrentes de desentendimentos permanecem apesar de recuos táticos e se refletem nas urnas. Mas quero acrescentar que tais vacilações só acontecem quando os candidatos apresentam dificuldades de vencer, uma vez que a véspera do poder exerce sempre uma atração política muito forte. O contrário exatamente se verifica quando o candidato escolhido apresenta sintomas de que será derrotado. Foi o que aconteceu, por exemplo, com a candidatura do general Henrique Lott, em 1960, à sucessão de JK.

Inclusive, sentindo  dificuldade de Lott avançar contra Jânio Quadros, João Goulart, candidato a vice, aceitou uma propaganda favorável a seu nome que excluía o cabeça da chapa. Explico: até as eleições de 1989, as eleições para presidente e vice-presidente da República permitiam que os eleitores e eleitoras votassem para presidente de um determinado partido e para vice-presidente de outra legenda. Eram votações separadas.

JINGLE – A principal peça publicitária de João Goulart era um jingle de Miguel Gustavo, um gênio da área, que dizia: “Na hora de votar, ninguém vem me atrapalhar. É Jango, é Jango, é o Jango Goulart. Para vice-presidente, a nossa gente vai Jangar, é Jango, é Jango é o Jango Goulart”. Nenhuma palavra para Lott, como se constata.

São coisas do destino. O general Lott em uma entrevista a um grupo de jornalistas em sua residência, na rua Dias da Rocha, revelou ter convidado Oswaldo Aranha para ser seu vice. Aranha morreu em abril aos 66 anos de idade, depois de uma presença marcante na vida nacional e até internacional, pois foi o primeiro secretário-geral da ONU, eleito em 1947 e o único que foi reeleito até hoje. Não tivesse falecido, não haveria crise da posse de Jango em 1961.

DELÍRIO – O Globo de segunda-feira, ontem, publicou matéria sobre declarações do ministro Paulo Guedes em Dubai como integrante da comitiva do presidente Bolsonaro. Disse que a economia brasileira está firme e já estão contratados para investimentos públicos R$ 700 bilhões. Como se constata um delírio, pois o governo quer adiar o pagamento dos precatórios para distribuir recursos do Auxilio Brasil a pessoas carentes.

Se há recursos no momento de R$ 700 bilhões já fixados, como seria possível faltar dinheiro para um programa financeiro praticamente vinte vezes menor?

COMBATE À MISÉRIA – Na edição de ontem, O Globo publicou um ótimo editorial sustentando que o Auxilio Brasil, baseado na distribuição de R$ 400 até dezembro de 2022, é insuficiente para combater a miséria no Brasil. O editorial está perfeito. Para combater a miséria é preciso um planejamento econômico e social, concreto e permanente e não somente pontual.

Auxílio Brasil e Bolsa Família são iniciativas assistenciais, de emergência, e não podem ser comparadas a um programa constante de desenvolvimento sócio-econômico. As iniciativas assistenciais são marcadas pela concessão de ajudas para quem não contribui para a Previdência Social. Não tem cabimento, portanto, que recursos da renda do trabalho sejam canalizados para os que se encontram na fome ou chegando perto desta. A transferência de renda para ser legítima só pode ser do capital para o trabalho e nunca do trabalho para a assistência social.  

21 thoughts on “Resistências no PL expõem fragilidade da candidatura de Jair Bolsonaro

  1. Pedro do Coutto se consagra como um dos Jornalistas mais lúcidos e corajosos numa época de mediocridade, onde pululam análises de conjuntura parecendo oriundas das cloacas de teleguiados narcomilicianos.

    • Concordo plenamente, Batista.
      Pedro do Couto é sensacional. É um dia melhores analistas de eleições em atividade no Brasil.
      Quem discorda dele, é um zero a direita, ops, na esquerda, quer dizer, não vale nada.
      Até acho graça, de tanta ignorância, da lavra daqueles, que dizem amém a tudo que vem do Bolsonaro.
      Nenhuma crítica, nada, o que é Isso?
      O cara se abraçou com o Centrão, tem o orçamento secreto, o calote dos precatórios e ainda posa de nova política, que vinha para mudar, que não haveria toma lá dá cá.
      Tenha santa paciência.
      Não assassinem a lógica, porque a esperança tá indo embora.
      Eram estilingue agora viraram vidraça.
      Eram contra o Bolsa Família, a qual diziam que eram para idiotas e vagabundos ( como adoram essa palavra), mas, para continuar mais quatro anos, se tornaram adoradores da Bolsa Brasil, digo Auxílio. Esse é bão, é diferente, é melhor, porque partiu do Bolsonaro.

  2. Tenham dó no povo
    Um partideco mais sujo que pau de galinheiro (como se dizia antigamente), como do Valdemar fazer acordos até com o tucanalhas-petralhas vai esperar o que.?
    Aliás, aproveitando que estamos falando de corrupção, quantas malas as Fabianas Caviar vão oferecer para o Valdemar.??

      • O ruído adveio após críticas das redes sociais bolsonaristas, por causa das candidaturas nós Estados, principalmente em São Paulo e no Nordeste, liberadas por Valdemar Costa Neto para as coligações.
        Isso não interessa ao Bolsonaro e seus asseclas, porque ele precisa vencer Dória em São Paulo e Lula no Nordeste.
        Se Valdemar Costa Neto não voltar atrás,vão restará o presidente se filiar ao PP de Ciro Nogueira, o Ministro da Cada Civil.
        O prazo para filiação termina em março, mas, quanto mais cedo a filiação, melhor para Bolsonaro, pois ele precisa compor os candidatos em cada Estado para melhorar seus apoiadores no Senado, casa que o presidente tem a minoria nas votações.
        Bolsonaro deseja aumentar a bancada governista na Câmera e reduzir os danos no Senado.
        No Rio, o presidente aposta no Romário, que virá sempre com o governo para a reeleição.
        O grande problema para o presidente, é que em 2022, serão eleitos apenas um senador por Estado.
        Gente, por favor, isso é apenas uma análise, não tem nada de esquerda, direita ou centro.

    • Ronaldo, o Roberto Jéferson já declarou que Bolsonaro o deixou pelo caminho e a Sara também.
      O presidente não costuma lançar uma bóia para seus apoiadores que caem em desgraça.
      Ele é cruel com os ex amigos, em proporção maior do que com os inimigos.
      Detonou Bebiano, Santos Cruz, Moro, Mandetta. Basta discordar dele e dos filhos para trilharem o caminho do inferno, com sua caneta BIC.
      Há como a vida é doce e amarga nesse mundo da direita liberal.

  3. Enquanto percebemos estes pequenos problemas,a Jararaca está dando duro,goste dele ou não,fazendo o que um presidente ou quem almeja o cargo deveria estar fazendo.
    Política.
    Depois reclamam.

  4. O general Lott era o melhor candidato, infelizmente Janio Quadros venceu com o discurso anti corrupção, na qual empunhar uma vassoura.
    No curto período de sete meses no Poder, em agosto de 1961, renunciou, abrindo uma crise no país. Os militares não queriam dar posse ao vice. O acordo para João Goulart assumir foi a implantação do Parlamentarismo, com Tancredo como primeiro Ministro. Goulart assumiu e logo depois através de um Plebiscito retornou ao Presidencialismo.
    Os militares então, inconformados, planejaram o golpe de 1964.

  5. Guedes não delira nunca, ele mente mesmo descaradamente. Se ele tem 700 bilhões, qual a razão de dar um Calote de 90 bilhões nos credores, através da PEC dos Precatórios?
    Isso não é Política Liberal nem aqui nem na China.
    Nem Liberal nem Desenvolvimentista, trata-se de chute em cima de chute e a Economia brasileira entrando pelos canos.
    Quando o time está ganhando, os técnicos permanecem, quando perdem, logo são demitidos.
    O Guedes não acerta uma, os juros estão na estratosfera, desemprego, fuja de investimentos, recessão, esse técnico é muito ruim. Mas, Bolsonaro mantém o cara.
    E a torcida, quero dizer, o povo, não protesta um minuto.
    Fico pensando, cá com meus botões, que o futebol têm mais apelo na galera, do que a política econômica.
    Por essa razão, por falta de críticas nas redes sociais bolsonaristas, que o Mito mantém o auxiliar que não entrega nada do que promete.

  6. Não há planejamento nem Política Social no governo Bolsonaro.
    O que há, são medidas Emergenciais de curto prazo, voltadas para objetivos eleitoreiros.
    Bolsonaro está desesperado na tentativa de tirar o voto dos eleitores de Lula no Nordeste.
    No privado, comenta que há uma mancha vermelha no Nordeste.
    Ele ataca permanentemente as administrações petistas do Nordeste e já chamou os governos de paraíbas. Sem noção. Confundiu o governo de Flávio Dino do Maranhão de nordestino.
    Será que não estudou Geografia? Acho que passou batido. Na Itália chamou a Torre de Pisa de Torre de Pizza. Faz parte, né, outros Oi residentes falharam também, ninguém é obrigado a conhecer História Geral nem Geografia Geral.
    Para Bolsonaro, só tinha que ter duas matérias: Português e Matemática.
    É, um dia a gente acerta.
    Um povo só seria feliz, no dia que os Reis fossem filósofos e os filósofos fossem reis.
    Mas, tá longe esse dia.

  7. !. Da análise, verifica-se que um fato, o adiamento da filiação do PR ao PL, ensejou que o analista fizesse ilações diversas. Fato é fato, ocorrência, e ponto final, não se contesta. Ilações podem ser interpretações, conjecturas, devaneios, fantasias, ficção, portanto, não é necessariamente, uma verdade. Pode-se discordar ou concordar.

    2. Se alguém não concorda com as considerações, de outro, em torno de um fato, apresente contra-argumentos contestando. O indesejável é querer, por meio da desqualificação do analista, invalidar as ilações feitas por este.

    3. Em todo o texto, o que mais se destaca, a meu ver, são os dois trechos finais sob os subtítulos “DELÍRIO” e “COMBATE À MISÉRIA”.
    – Em relação ao primeiro trecho, creio que o articulista parece não conhecer orçamento e economia nacional com profundidade. Eu, também, só tenho noções básicas sobre os temas, mas sei que há recursos que só podem ter uma aplicação, ser empregado, somente, para um determinado fim. O que poderia explicar o governo ter 700 bilhões para investimento e ainda não dispor de todo o recurso necessário ao Auxílio Brasil.
    – Quanto ao segundo trecho, recomendo a leitura detalhada e criteriosa do Programa Auxílio Brasil, para ratificar a afirmação de tratar-se de iniciativa assistencial, de emergência e pontual, ou retificá-la, como um primeiro e importante passo de combate a miséria, em nosso País.

    • Roverson, seu arrazoado é muito bem engendrado e lógico.
      Permita-me um contraditório!
      Se o Auxílio Brasil efetivamente trata-se de uma política destinada a erradicar a miséria, por que tem prazo definido que se encerra no final de 2022?
      O Bolsa Família, que vem atuando para atenuar a situação dos brasileiros sem renda nenhuma, foi simplesmente extinto.
      Há muitas lacunas que não foram respondidas, o que infere-se esse Auxilio Brasil como um programa eleitoreiro, até porque, Bolsonaro sempre foi contra qualquer auxílio aos pobres, que ele chamava de vagabundos idiotas.
      Essa palavra vagabundo está na boca dos bolsonaristas mais radicais..

      • Se os pobres eram vagabundos e idiotas nos governos FHC, LULA, Dilma e Temer, o que ele deve achar agora com um programa para ser chamado de seu?
        Será essa uma pergunta de 1 milhão de dólares? Ou pelo histórico pode-se concluir, que são vagabundos, mas, agora vão votar nele,?
        E aí!

  8. Guedes e Bolsonaro trabalham intensamente para continuarem mais quatro anos atrapalhando o Brasil.
    O descumprimento dos compromissos de campanha foram para o brejo, tanto no combate a corrupção, quanto a agenda liberal.
    Na corrupção, destruíram a Lava Jato e detonaram o Moro e a PGR calou o Deltan do Power Point. Na outra ponta, corrupção na Saúde, desvendada pela CPI com provas robustas, que infelizmente terá o destino do arquivo, pois Aras sentou em cima. Dali, sairá muito pouca coisa, quase nada. Quem acredita?
    A agenda liberal foi abandonada completamente pelo mentiroso nariz de Pinóquio do Guedes. A política econômica, o fura teto, calote dos precatórios, mandando para o espaço as dividas reconhecidas pela justiça em última instância para conceder aumentos e benesses em ano eleitoral estão aí escancaradas.
    O que Bolsonaro e Guedes reclamavam do PT estão fazendo de maneira escancarada, até entusiastas do Bolsa Família com outro nome copiam do Lula. Isso não deixa de ser positivo,nós pobres precisam.
    Disso tudo, observamos a farsa em que o país se meteu.
    O retrocesso está presente na Política dos Direitos Humanos, na Saúde, na Educação, na Cultura, na Ciência, no Meio Ambiente, na Economia. De positivo não tem nada.
    Uma gigantesca farsa, o governo Bolsonaro.
    A única coisa que funciona nas redes sociais, responsáveis pela eleição do falso MITO, é a propagação do medo da esquerda.
    Eles batem besta tecla: É melhor Bolsonaro do jeito que ele governa do quarto e a volta do Lula. Essa tática revelou- se furada, porque a entrada da Terceira Via, com Moro em campo assusta sobremaneira o Bolsonaro e o Guedes. O ministro, que administra bem, seus milhões em Paraíso Fiscal junto com o Campos Neto do Banco Central, os dois deixaram o Brasil de lado, porque com os juros altos e subindo, mais aumentam a fortuna desses endinheirados. Que inveja de Guedes e Campos Neto, que descobriram o mapa do tesouro. Se eu pudesse acumular essa grana toda, também rumaria para um paraíso fiscal, pois investir no Brasil é coisa para idiota e quem quer perder dinheiro, não é mesmo Paulo Guedes, que nesse quesito é inteligente e capaz.

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