Respostas do TSE mostram que as dúvidas das Forças Armadas sobre eleição são infantis

Charge do Zé Dassilva: urna eletrônica nos holofotes | NSC Total

Charge do Zé Dassilva (NSC Total)

Carlos Newton

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), respondeu nesta segunda-feira (dia 9) às dúvidas dos representantes do Ministério da Defesa para o sistema eleitoral. Em ofício disponibilizado aos integrantes da Comissão de Transparência Eleitoral, Fachin afirma que a Justiça Eleitoral tem assegurado eleições “íntegras”.

Na gestão do ministro Luís Roberto Barroso, o Ministério da Defesa foi convidado para participar Comissão de Transparência das Eleições. Depois de conhecer todo o sistema, os representantes dos militares fizeram seis sugestões de melhorias. Depois, já fora do prazo estipulado pelo TSR, enviaram outras sete sugestões, respondidas nesta segunda-feira (9).

NÍVEL DO TESTE DE INTEGRIDADE:

DEFESA – “Recomenda-se readequar a quantidade de urnas que comporão a amostragem do Teste de Integridade, de forma a atender um nível de confiança razoável (no mínimo de 95%) para os testes realizados em cada unidade da federação”;

TSE – “Considerando as premissas de que o funcionamento de todas as urnas eletrônicas é igual e de que nunca foi constatada qualquer irregularidade nos testes de integridade anteriores, para efetuar o cálculo estatístico, a partir da experiência concreta do sistema eletrônico de votação, é aceitável uma probabilidade de ocorrência de inconformalidade igual a 0,01%”;

SELEÇÃO DE URNAS PARA TESTE:

DEFESA “Recomenda-se que as urnas que comporão a amostragem do Teste de Integridade sejam sorteadas de forma estritamente aleatória, dentre todas as urnas que serão utilizadas no processo eleitoral”;

TSE – “A fim de aumentar o engajamento e participação das entidades fiscalizadoras, o TSE optou pela possibilidade de que a escolha das seções eleitorais a serem auditadas nos testes de integridade seja feita pelas próprias entidades fiscalizadoras, sem prejuízo da utilização subsidiária de sorteios. Adotou-se, pois, critério mais completo e mais legítimo pelo procedimento fiscalizatório”;

TOTALIZAÇÃO POR TSE E TRE:

DEFESA “Recomenda-se que a totalização dos votos seja feita de maneira centralizada no TSE em redundância com os TREs, visando a diminuir a percepção da sociedade de que somente o TSE controla todo o processo eleitoral e aumentar a resiliência cibernética do sistema de totalização dos votos”;

TSE – “A proposta apresentada pelo representante das Forças Armadas na CTE, com o devido respeito, contém equívoco quanto à descrição da atual realidade da totalização. A análise deixa de considerar que a centralização foi somente de equipamentos, sem que se tenha promovido qualquer mudança no arco de competências das diversas instâncias jurídicas envolvidas no processo. A rigor, é impreciso afirmar que os TREs não participam da totalização: muito pelo contrário, os TREs continuam comandando as totalizações em suas respectivas unidades da federação.”

Em outro trecho: “As mesmas razões que levaram à centralização dos computadores nos regionais justificam a decisão de centralização dos equipamentos que processam a totalização no TSE. A tais razões soma-se a recomendação contida em relatório produzido por peritos da Polícia Federal, que aconselhou a centralização dos computadores que processam a totalização como uma forma de diminuição da superfície de ataque de hackers. Adicionalmente, os computadores centralizados ganharam, pela primeira vez, ambiente redundante que assegura que, em caso de pane em um equipamento, outro possa imediatamente tomar seu lugar. Não há, pois, com o devido respeito, ‘sala escura’ de apuração. Os votos digitados na urna eletrônica são votos automaticamente computados e podem ser contabilizados em qualquer lugar, inclusive, em todos os pontos do Brasil”;

FISCALIZAÇÃO E AUDITORIA DA ELEIÇÃO:

DEFESA “Recomenda-se que seja mantido o incentivo à participação das entidades fiscalizadoras nas atividades de fiscalização das diversas fases do processo eleitoral, principalmente por parte dos partidos políticos, que possuem a competência legal para a contratação de empresas para a realização de auditorias independentes. Recomenda-se, ainda, que o Poder Legislativo Federal seja incentivado a realizar as atividades de auditoria independente no processo eleitoral, tendo em vista sua competência constitucional para o exercício dessas atividades.”

TSE – “A sugestão encaminhada já é atendida pelo TSE através da sua auditoria interna independente e pela auditoria externa levada a efeito pelo Tribunal de Contas da União, o qual, segundo o art. 71 da Constituição Federal, é o órgão que exerce o controle externo e a fiscalização no exercício da atribuição do Congresso Nacional. Diz a Constituição: ‘O controle externo, a cargo do Congresso Nacional, será exercido com o auxílio do Tribunal de Contas da União'”;

INCLUSÃO DE URNAS TIPO UE2020:

DEFESA “Realizar um Teste Público de Segurança (TPS) específico para as urnas modelo UE2020 antes delas serem utilizadas nas eleições”;

TSE – “A adaptação do software da urna para compatibilidade com um novo modelo do equipamento não é atividade trivial. Nesse contexto, a integração do novo terminal do mesário, com características totalmente novas e disruptivas em comparação aos modelos anteriores, se mostrou uma tarefa desafiadora. Da mesma forma, as adaptações dos novos algoritmos de segurança disponíveis no Módulo de Segurança Embarcado também contribuíram para que o prazo originalmente estimado para a conclusão do suporte à UE2020 fosse reavaliado. Nesse sentido, o software da urna estará pronto para pleno funcionamento em todos os modelos de urna, incluindo a UE2020, até o final da primeira quinzena de maio deste ano, quando então a UE2020 estará totalmente disponível para testes, cumprindo-se, dessa forma, o ciclo de segurança e transparência promovido e estimulado pelo TSE”;

PROCEDIMENTOS SOBRE IRREGULARIDADES:

DEFESA “Recomenda-se a previsão e divulgação antecipada de consequências para o processo eleitoral, caso seja identificada alguma irregularidade na contagem dos votos da amostra utilizada no Teste de Integridade, haja vista que não foi possível visualizar medidas concretas no caso da ocorrência de referidas irregularidades”;

TSE – “Nos testes de integridade, cada urna auditada é filmada durante toda a auditoria para, caso haja alguma divergência entre o boletim de urna impresso e os votos digitados, seja possível achar o erro de digitação, que originou a divergência, com maior facilidade. Isso porque, desde a sua criação, em 2002, não foram encontradas irregularidades nos testes de integridade, antiga votação paralela. As poucas vezes em que, ao final do procedimento, foram verificadas divergências entre os resultados, essas ocorreram por erros humanos de digitação dos votos, os quais puderam ser averiguados e demonstrados, sem margem para dúvidas, pelas filmagens feitas e registradas na ata das auditorias. Nada, pois, que se relacione com a urna ou com o processo eletrônico em si. Cumpre registrar que à luz do contido no art. 55 da Res. TSE nº 23.673/2021, o qual dispõe sobre a composição da comissão de auditoria, caso verificada alguma inconsistência nos testes de integridade, a qual não seja solucionada pela contagem dos votos ou pelos registros de filmagem, caberá à juíza ou ao juiz eleitoral adotar as providências e investigações necessárias para elucidar a questão”;

DUPLICIDADE ENTRE ABSTENÇÃO E VOTO:

DEFESA “Recomenda-se que o relatório de abstenções seja disponibilizado à sociedade a fim de aumentar a superfície de fiscalização do processo eleitoral disponível, caso haja amparo legal para tal medida. Recomenda-se, ainda, que os dados dos óbitos, também sejam disponibilizados com maior facilidade às entidades fiscalizadoras”.

“Por si só, não há, necessariamente, fraude na conduta do eleitor em justificar e votar. Não é raro que eleitores que trabalham ou se encontram em outro município justifiquem o seu o seu voto, por precaução, e, tendo tempo, votem no mesmo dia. É importante, nesse caso, que se tenha certeza da identidade do eleitor. Registre-se, ademais, que havendo indícios de fraude entidades legitimadas – partidos, coligações, federações, candidatos e o Ministério Público – poderão atuar, propondo as medidas cabíveis e burilando dados necessários de forma reservada. Ademais, caso o próprio eleitor queira saber de sua situação, poderá obter as informações desejadas no cartório eleitoral ou no sítio eletrônico deste Tribunal. Em uma primeira análise e à luz do contido no ordenamento pátrio, não se verifica pertinência na publicação desses relatórios, os quais contêm dados pessoais e são de acesso restrito.”

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P.S. –
Nota-se que as dúvidas dos representantes dos militares na Comissão de Transparência das Eleições chegam a ser primárias e até infantis. Espera-se que 
os auditores privados do PL, anunciados por Bolsonaro, e os especialistas israelenses, especialmente contratados pelo Exército, consigam apontar reais vulnerabilidades nas eleições, se é que realmente existem. (C.N.)

15 thoughts on “Respostas do TSE mostram que as dúvidas das Forças Armadas sobre eleição são infantis

  1. Mistérioooooooo… Não é o povo que não sabe votar, é a ditadura partidária indecente, dona do monopólio eleitoral, que não dá opções decentes para o povo votar. Daí fica no não tem tu vai tu mesmo, os milicianos do Lula, para caçar votos, atacam de bolsofóbicos, e os milicianos de Bolsonaro, por outro lado, atacam de lulofóbicos. E fazem isso porque não têm o que todos de fato precisamos que é a Solução para o país e a população, com os coitadinhos num miserê terrível passando até fome, fanatizados, brigando em prol do continuísmo das via$ ordinárias dos me$mo$ nadando de braçada nos fundões partidários bilionários ladrões. PODE ISSO ARNALDO, ELEIÇÕES LIMPAS COM MÃOS SUJA$ no mínimo de fundão partidário bilionário ladrão? Bolsonaro garante em live: “O que posso garantir para vocês? Que teremos eleições limpas no corrente ano”. “É o que todo mundo quer, acredito que sem exceção, a não ser aquelas pessoas que pensam em fazer algo que nós não concordamos, esse nós somos todos nós.” Então tá, os “nós” agora sabemos quem são, ou seja, a patota inteira do sistema apodrecido, direita, esquerda e centro. E quem são e o que estão querendo fazer essas algumas pessoas que os “nós” do sistema apodrecido não concordam ? Desembucha aí, Bolsonaro.

  2. Que degradante papel que o Exército Brasileiro está fazendo!
    Como continuar dar crédito a um exército que em vez de se preparar para defender a nação fica brincando de fiscal do TSE.
    Teve uma campanha do PSDB que eu gostava muito. O mote era: “Tem muita coisa errada”. E tem mesmo.

  3. Depois ficam irritados, quando comentam sobre a preparação de um golpe. É só não dar pistas tão evidentes. Por outro lado, pior seria o silêncio sepulcral e na hora H, bum, os tanques rompem às ruas e adeus Democracia.
    Não aceitarão outro resultado das urnas, que deixe de declarar Bolsonaro eleito no primeiro turno.

  4. A pergunta que deveria ser feita era: que sistema será adotado para que o cidadão possa fiscalizar o próprio voto, sem necessidade de recorrer a terceiros?

  5. Está claro que o processo de votação e apuração das eleições brasileiras, que deveria ser uma questão apenas técnica, foi envenenado; transformou-se em causa de militância, contra e a favor de Bolsonaro, e o viés é de piora constante e sustentável. Não vai sair nada que preste de um debate em que só um dos lados pode ter razão — o que nega qualquer mudança num sistema que só é adotado por dois outros países, Butão e Bangladesh, não permite auditagem dos votos e, segundo seus defensores, chegou à perfeição científica? não podendo mais ser aprimorado em mais nada?

  6. Um hacker “passeou” pelo sistema “seguro” do TSE por SETE meses. Apenas SETE meses minha gente! Você consegue compreender isto ou seu ódio lhe cegou até para as coisas mais simples e mais óbvias? O que o TSE fez? Contestou a PF? Não! “Rastros” e “digitais” do hacker supostamente foram apagados.
    O sistema pode ser falho e que talvez haja um plano bem maior do que você imagina e ele, Bolsonaro, pode ser a pedra no sapato destes “gênios iluminados”.

  7. Essas exigências da Defesa só servem para lançar dúvidas nas urnas eletrônicas, como deseja o Presidente da República. Isso não é bom para democracia.

  8. Tá certo! Não existe vulnerabilidade no processo eleitoral. O inquérito da PF, aberto a pedido do TSE, para investigar a INVASÃO do sistema do TSE, durante o período eleitoral, também não existe! O hacker que bisbilhotou os servidores do tribunal, inclusive o que guardava os códigos fontes dos programas usados nas eleições, também não existe! O ministro do TSE, cuja SENHA era utilizada pelo hacker, também não existe! Os registros de acesso dos servidores, intencionalmente APAGADOS, após a entrevista do hacker, de fato não existem, já que foram criminosamente deletados.

    Somente perfeitos idiotas acreditam num processo eleitoral inauditável, comandado por notórios marginais narco-sociaistas.

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