Respostas simples, mas elucidativas a respeito das mortes de Jango, JK e Lacerda. “Coincidências” inacreditáveis, como tenho dito, com explicação. E CONFISSÃO sobre erro na data da morte de Jango.

Deivis Hutz:
“Helio, uma médica anestesista minha amiga, era ligada à família de Lacerda. Me falou que Lacerda, ao morrer, não estava bem de saúde, e bastante abalado mentalmente, talvez Alzheimer. Isso na sua opinião, tem algum fundamento?”

Comentário de Helio Fernandes:
Nenhum fundamento, Deivis. Acompanhei tudo de perto, com três episódios conflitantes entre si, no mesmo dia, o que não é natural, Vejamos.

21 de maio, 1977, MEIO DIA. Na Editora Nova Fronteira, Lacerda não se sente bem, é levado para o hospital. Dona Letícia vai com ele, logo chegam os filhos, é submetido a todos os exames obrigatórios na oportunidade.

21 de maio, 1977, 6 HORAS DA TARDE. Com todos os exames revelando o estado satisfatório do ex-governador, os médicos liberam a família, pedem que ele durma no hospital, que é o procedimento normal para observação. Letícia e os filhos vão para casa.

21 de maio, 1977, ENTRE 19,30 E 20 HORAS. A família é chamada com urgência, volta ao hospital, Lacerda já esta morto. Todas as dúvidas, nenhuma explicação. Isolado, aos 63 anos, com participação política desde os 17 anos, é possível que tivesse depressão, ligeira, lógico, não mortal.

Antonio Santos Aquino:
“Helio, a morte de Lacerda mereceu de sua filha Cristina um artigo, acho que foi na Tribuna da Imprensa, dizendo suspeitar que a morte de seu pai não tivesse sido natural”.

Comentário de Helio Fernandes:
Certíssimo, Aquino, foi na Tribuna que Maria Cristina escreveu sobre a morte do pai. Colocou todas as dúvidas, não aceitou de maneira alguma a morte daquela maneira. Era muito jovem, mas estava lá. Impossível aceitar o que impuseram como verdade.

Carlo Germani:
“Caro Helio, é oportuno lembrar que Leonel Brizola seria o próximo. Graças ao apoio de João Figueiredo, Brizola foi salvo.Numa atitude de extrema astúcia, Brizola pediu asilo político na embaixada americana em Montevidéu. Outra coisa: Brizola morreu de causas naturais?”

Comentário de Helio Fernandes:
Brizola estava bem, apenas gripado, precisava fazer um exame na Casa de Saúde São Lucas, o aparelho não funcionou. Ia sendo levado para outro hospital mais bem aparelhado, o elevador enguiçou entre dois andares, o ex-governador morreu. Isso parece CAUSA NATURAL? Quanto ao asilo na embaixada americana de Montevidéu, não tenho conhecimento. Se existiu, o Aquino deve saber.

Fernando Pawlow:
“Caro Helio Fernandes, mais uma vez você discorda de seus próprios textos. O sr. se esqueceu de que, em textos anteriores atribuiu a morte de Lacerda a um problema cardíaco que ele próprio desconhecia e que disse que teses sobre assassinatos eram obra de “jornalistas sensacionalistas”(certamente se referindo de maneira obliqua ao Cony). Mas saiba que ainda que eu me irrite com suas contradições e seus silêncios reiterados ante minhas correspondências (desde a “Tribuna” impressa), o sr. é minha admiração, quase obsessão, leitura diária. Abraços.”

Comentário de Helio Fernandes:
“Há algum engano, jamais escrevi isso, pois sempre duvidei do que foi publicado. Realmente, a parte do que foi escrito sobre a morte dos três pré-candidatos a presidente, chamei de “jornalismo sensacionalista”, o que confirmo.

Quanto ao meu silêncio e falta de resposta, a correspondência é muito grande, às vezes acho que não precisa resposta. O importante é o espaço aberto para reflexão, análise, debate, construtivo. Desculpe e obrigado pela generosidade.

Mauricio Peres:
“Jornalista, um ponto interessante que chama atenção é que entre a morte de Juscelino (22/08/1976) e Lacerda (21/05/1977) transcorreram quase nove meses. Qual a probabilidade de duas pessoas com o destaque que tinham, gozando de boa saúde, morrerem de uma hora para outra de causas misteriosas? Coincidência? Só a da impunidade, como você escreveu”.

Comentário de Helio Fernandes:
Nenhuma possibilidade, Mauricio, de causas misteriosas atingirem três personalidades que ameaçariam a ditadura, que estava praticamente no fim. Pura “COINCIDÊNCIA”, que jamais será explicada.

Carlos Fochesatto:
“Só uma retificação. João Goulart morreu em dezembro de 1976. Tem um livro, “O Beijo da Morte”, escrito pelo jornalista Carlos Heitor Cony que trata sobre essa dúvida.”

Comentário de Helio Fernandes:
A questão do equívoco da data da morte de Jango, vou explicar para todos numa nota só. Quanto ao “livro” do Cony sobre as três mortes, puro SENSACIONALISMO e EXIBICIONISMO. O “livreco” não traz um dado, um fato, a confirmação de qualquer coisa.

Aliás, o Cony só tem um livro admirável e até imperdível, que se chama “A Travessia”. Comentando o que li em Fernando de Noronha (no livro que a ditadura não me deixou publicar), chamo de “o romance síntese”, que comparo ao grande livro de Callado, “Quarup”, e ao filme de Glauber Rocha, “Terra em Transe”. Devorado pelo exibicionismo medíocre e pela desnecessária e repetida aparição na televisão, sem nada para dizer, Cony só escreveu bobagem.

Silvio da Rocha Corrêa:
“Foram muitas coincidências, demais. Interessante que na época, na América Latina (sempre a América Latina) ocorreram também outras coincidências bastante parecidas. Se não me engano, o atentado (assassinato) contra um político chileno em Washington em 1976 também foi… digamos coincidência. Coincidências acontecem”.

Comentário de Helio Fernandes:

Era a época do assassinato. Esse chileno, Orlando Letelier, foi assassinado a bomba, morreu numa explosão. É evidente, Silvio, outra “coincidência”.

Pedro Curiango:
“Por que acreditar que alguma coisa será esclarecida?” – Aqui está a “lógica” de toda teoria conspiratória. Não adiantam provas, já que a idéia da conspiração é coisa de fé e nada tem a ver com a realidade. Se você quiser acreditar que o JK foi morto porque o Lula se sentou atrás do motorista do ônibus e, como estava bêbado, ficava o tempo todo falando enrolado e tirando a atenção dele da estrada – o que posso fazer para convencê-lo que quem acredita numa história desta anda à beira do delírio?”

Comentário de Helio Fernandes:
Perfeito, Pedro. Não acredito em esclarecimento. Já disse, “depois de 34 anos, quem saberá o que aconteceu?” Concordo inteiramente com a tua tese-teoria, nota 10.

Antonio Durval C. Barbosa:
“Caro Hélio, para você, que não erra em datas, surpreendente: o Goulart morreu em dezembro de 1976. Fala-se que as três mortes estão ligadas à “Operação Condor. Abraços do seu leitor Antonio Durval (Quase todos os dias compartilho comentários seus no Twitter. @durvalcb ).”

Comentário de Helio Fernandes:
Estas respostas são interligadas, no final esclarecerei a questão da data. Quanto às mortes estarem vinculadas à famosa “Operação Condor”, é o que mais se aproxima do fato verdadeiro. Embora não existam (nem existirão) provas.

José Carlos Werneck:
“Helio,muito grato pelos esclarecimentos. Gostaria de fazer apenas um reparo: o presidente João Goulart faleceu no dia 6 de dezembro de 1976, na cidade de Mercedes, província de Buenos Aires, na Argentina. Tinha apenas 58 anos de idade. Grande abraço”.

Comentário de Helio Fernandes:
Excelente o teu artigo sobre o fim da “Hora do Brasil”, programa criado por Getulio Vargas, manifestação rigorosamente antidemocrática. Essa “Hora do Brasil” fazia parte do domínio da divulgação do Poder, e da censura (violentíssima) à imprensa.

Seria criado então o DIP, que controlaria todos os jornais. Dirigido por Lourival Fontes, “chefe da Casa Civil” de Vargas. E um dos 5 conselheiros era o já diretor de “O Globo”, o jornalista (Ha!Ha!Ha) Roberto marinho.

Quando a Lourival Fontes, um dos maiores talentos múltiplos que já existiram no Brasil. Também insuperável na falta de escrúpulos, de caráter, um canalha completo, que traiu e abandonou o próprio Vargas.

Desculpas, confissão, equívoco
na data da morte de João Goulart

Todos estão com a razão, e eu, surpreendido com a confusão das datas. Não foi falha de memória, pelo menos a satisfação.

Erro primário e injustificável da conta de somar. Sabia que Jango havia nascido em 1919 e morrido com 58 anos. (Embora aqui mesmo, muitos comentaristas falem em 56 ou 57 anos). Justando os 58 anos de vida ao 1919 do nascimento, até cabralzinho chegaria facilmente a 1977. Como é que fui colocar a morte (leia-se, ASSASSINATO) de Jango em 1983?

Pensando bem, ao redigir estas notas, e depois de colocar o título, me convenci: além das desculpas, a todos, devo desculpas a mim mesmo, errar numa conta de somar?

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *