Retomada de Aleppo foi uma grande derrota para a manipulada mídia ocidental

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Crianças saíram às ruas para festejar a libertação da cidade 

Mário Assis Causanilhas

A manipulação da mídia ocidental sobre a guerra na Síria torna-se cada vez mais flagrante. O fato concreto, que se procura ocultar, é que a libertação da estratégica cidade de Aleppo — parcialmente tomada durante quatro anos pelos terroristas fundamentalistas — tem elevado sentido humanitário, muito mais que geopolítico. Este artigo do jornalista indiano Sanjav Kappor mostra a importância de uma visão independente sobre o que realmente se passa na Síria. A tradução é de Cauê S. Ameni.

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UM OLHAR SOBRE ALEPPO                     

Sanjay Kapoor
Hard News, de Nova Delhi 

Observando através do prisma da história foi, sem dúvida, um blitzkrieg. Em alguns dias, o distrito oriental de Aleppo, que estava sob a ocupação de uma miríade de radicais islâmicos, derreteu como uma vela com a enorme pressão montada pela coalizão conjunta entre Exército Árabe Sírio, força aérea russa e milícias do Hezbollah.

O sucesso veio em grandes passos: a área da ocupação pelas tropas leais a Bashar Assad aumentou de 68% para 85% em uma semana e, ao fim, para 98%. É neste ponto que a mídia ocidental, após romancear a resistência dos islâmicos radicais – incluindo Abu Sakkar, que posou em frente às câmeras comendo os corações de soldados sírios –, começou a exigir que as forças ocidentais deveriam entrar para parar o “genocídio” de 200 mil pessoas presas na enclave sob o controle dos milicianos.

Os russos, atacados na Assembléia Geral da ONU pela embaixadora norte-americana Samantha Power pela crueldade com que teriam matado crianças, concordaram com o cessar-fogo e uma saída controlada dos rebeldes para Idlib e outras áreas.

SÓ FALTA IDLIB – A vitória é muito relevante para o presidente sírio Bashar Al-Assad, cujo controle agora estende-se por todas as grandes cidades da Síria, exceto Idlib. Aleppo também é significativa por ser a capital comercial do país, metodicamente devastada pelas milícias ao desmontarem as fábricas e a infraestrutura e transportarem a pilhagem para a vizinha Turquia. Apesar de metade da cidade ter sempre permanecido sob controle do governo, o retorno dela toda ao controle das forças pró-Assad permite que o governo comece a pensar na possibilidade de reconstruir o país, uma vez que a guerra termine.

No entanto, é improvável que a paz, entretanto se restabeleça em breve, se a reocupação da cidade histórica de Palmyra pelo Estado Islâmico se consolidar. Há vastos interesses globais e regionais que não querem ver a estabilidade neste país até que seus interesses geoestratégicos sejam alcançados.

GUERRA DE INTERESSES – A queda de Aleppo e a recaptura subsequente de Palmyra são manifestações sérias da disputa de influência que está ocorrendo na Síria, entre o Ocidente, a Rússia e o Irã. O que realmente agrava o conflito é a manifestação desesperada das forças apoiadas pelos EUA e seus aliados para derrubar Assad ou fazer algo militarmente dramático que impeça o novo presidente norte-americano de mudar o cenário no Oriente Médio.

O presidente recém-eleito dos EUA, Donald Trump, é considerado próximo a Vladimir Putin e culpou sua concorrente e ex-secretária de Estado, Hillary Clinton, por ser responsável em grande parte pelo que está acontecendo no Oriente Médio. Espera-se que, nos círculos árabes e iranianos, que Trump mude a forma como os EUA vem conduzindo a política internacional nesta região. Isso pode reduzir a influência norte-americana.

MILÍCIAS ANIQUILADAS – Ainda mais importante é o fato de que Síria, Rússia e Irã tenham aniquilado as milícias fundamentalistas, sustentadas durante muito tempo pelos governos da Arábia Saudita, do Qatar, além dos britânicos e turcos.

De fato, ao longo dos anos, tem havido tanta documentação sobre a cumplicidade desses países, sustentando essa ocupação terrível, que a mídia ocidental preocupa-se apenas em influenciar a opinião da ONU e outros organismos multilaterais. O que esta mídia recusa-se a reconhecer é que o exército sírio estava tentando recapturar e libertar uma cidade que fazia parte de seu próprio país e havia sido ocupada por fundamentalistas, mercenários e o pior tipo de desgarrados de diferentes países. Através de seus comentários agressivos e reportagens distorcidas, buscaram dar legitimidade a forças destrutivas.

ALEGRIA DO POVO – A mídia ocidental, incluindo o venerável The Guardian, sequer relatou a alegria incontida que o povo de Aleppo exibiu após a libertação do controle dos jihadistas, que exigiam até que os homens usassem barbas e mulheres vestissem véus. A maneira como a verdade era distorcida rotineiramente deveria ser assunto de investigação.

O que não se relatou durante todos esses anos foi que o povo de Aleppo – em grande parte uma comunidade mercantil, não tinha nada a ver com a rebelião. Quando fui a Aleppo em 2011, alguns meses depois da rebelião confusa em Deraa, testemunhei um apoio maciço ao presidente Assad.

Naquela época, a cidade era vista como sua fortaleza. As pessoas diziam que se Damasco se tornasse hostil ao presidente, ele poderia se refugiar em Aleppo. Falavam com repugnância sobre as pessoas que estavam tentando provocar conflitos. culpavam o Qatar, os sauditas e os turcos por incentivar a divisão do país.

RECONSTRUÇÃO – Muito em Aleppo foi destruído durante estes quatro anos. Será preciso uma paz duradoura e bilhões de dólares para reconstruir tudo. É improvável que o velho Souk — o mercado aberto de treze quilômetros –, queimado por militantes insanos, ou as antigas casas otomanas, voltem a existir.

O que provavelmente poderá sobreviver a esta guerra suja, porém, é a cidade que, apesar de estar carbonizada e danificada, ainda carrega orgulho frente à devastação da guerra.

 

3 thoughts on “Retomada de Aleppo foi uma grande derrota para a manipulada mídia ocidental

  1. A tal da “primavera árabe não foi espontânea. Foi usada a Internet pelos EEUU, França e Inglaterra para desestabilizar o “Oriente Médio”. Desde a Argélia, Tunísia, Marrocos, seus governos foram derrubados com a alegação de corrupção. A Líbia era o ponto vital: riquissíma em petróleo e gás e outros minérios. Com um Aquífero de dois milhões de quilômetros. (E sabendo dos planos de Kadaffi para implantar o “dinar ouro” para toda a região substituindo o dolar). Ao mesmo tempo enfraquecer o Irã. Essa foi a primavera árabe criada pelos EEUU. O Egito e a Síria estavam incluídos. Esbarraram no Egito pela intervenção do Exército. Na Síria incitaram os sunistas contra Assad com apoio dos EEUU, França, Inglaterra, Arábia Saudita, Quatar e Turquia. Milhões de dólares financiaram os mercenário. Forneceram-lhes armas modernas, mantimento. Mas encontraram um Assad, médico oculista formado na Inglaterra, onde também serviu em Academia Militar. Casado com uma inglesa. Homem culto e destemido que ameaçou incendiar o Oriente Médio com suas armas químicas se seu país fosse bombardeado. Pediu ajuda a Rússia com quem a Síria tinha um tratado antigo. A imprensa ocidental inventou mil coisas sobre Assad. A única coisa que Assad fez foi aceitar a proposta da Russia para desfazer-se de seu arsenal químico. Depois de destruído o arsenal químico então a Rússia entra na guerra em apoio a Assad. A vitória em Allepo é real, mas a paz ainda esta longe. Vamos ver qual a opção de Trump: A paz ou a guerra. Tudo depende dos EEUU.

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