Reunião segunda-feira decidirá o esquema das obras sem licitação para a Copa de 2014. Mas por que haver obras sem licitação?

 Carlos Newton

Este país é mesmo surrealista. Com mais de 300 deputados na base governista, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) foi escalado pela liderança para negociar na Câmara as regras para licitações especiais da Olimpíada de 2016. Por que Eduardo Cunha, justamente ele, que recentemente tentou peitar o governo na nomeação do chamado segundo escalão? Deve haver uma explicação.

Como todos sabem (mas ninguém sabe por quê?), muitas obras poderão ser realizadas com normas mais flexíveis de concorrência. A justificativa é “acelerar os prazos”, como se a Copa de 2014 fosse acontecer amanhã e tivesse sido ontem que a Fifa  escolheu o Rio de Janeiro como sede.

A briga vai ser boa, porque a Prefeitura do Rio quer indicar quais serão essas obras, enquanto o governo pretende que a seleção seja feita exclusivamente pela Autoridade Pública Olímpica, função a ser desempenhada por Henrique Meirelles a partir da próxima semana.

“Fui escolhido pela liderança do governo por ter articulação dos dois lados, a Prefeitura do Rio e o governo federal”, justificou Eduardo Cunha, dizendo que o certo seria que, quando os recursos financeiros vierem da Prefeitura do Rio, ela faça a lista das obras para submeter à Autoridade Olímpica, e não o contrário.

Uma reunião de Eduardo Cunha com técnicos do governo e deputados da oposição, esta segunda-feira, vai discutirá a possibilidade de um acordo sobre o palpitante tema.

Sintomaticamente, no governo federal ninguém fala em fazer uma investigação sobre o que está havendo nos obras do Maracanã, que com certeza é o estádio de futebol mais reformado do mundo. Apenas o Tribunal de Contas da União parece se preocupar com o que considera “graves irregularidades”.

O pior é que houve concorrência no Maracanã, mas o governo estadual admite que fez a licitação sem existir um projeto executivo. Mas como? Já é aceitável que se faça concorrência sem haver projeto? E isso numa obra “pequenina”, que ia custar “apenas” R$ 600 milhões e já aumentou para R$ 705,5 milhões. O custo será bancado pelo governo do Rio e, principalmente, pelo BNDES, que vai conceder o financiamento da maior parte do dinheiro.

Segundo os auditores do TCU, o projeto tem muita coisa errada. E a principal delas é mesmo a inexistência dos projetos indispensáveis para a reforma do estádio. Para mostrar a que ponto chegou a irresponsabilidade do governo Sergio Cabral, o TCU fez uma comparação entre as propostas de reforma dos estádios do Maracanã e do Mineirão, em Belo Horizonte. Enquanto no Rio foram apresentadas 37 PLANTAS sobre as intervenções necessárias, em Minas foram 1.309 PLANTAS.

Segundo os especialistas do Tribunal, “como não há projetos de engenharia suficientes para caracterizar os serviços contratados, a planilha beira a mera peça de ficção”.  É duro saber que fazem ficção com o dinheiro público e depois os ficcionistas transformam tudo em realidade para proveito próprio. E a Copa do Mundo no Brasil mais parece um cassino. Façam jogo, senhores, porque as autoridades já estão de bola cheia.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *