Revista “Época” não deveria ter maquiado as respostas de Joesley Batista

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Época fez  correção gramaticas nas respostas

Carlos Newton

“Nesta explosiva entrevista de Joesley Batista, estou achando uma coisa muito estranha. Este Joesley é de poucas letras. Se expressa mal, não conhece concordância verbal, nominal, o correto plural das palavras, combinar sujeito com o tempo verbal… No entanto, o texto que a revista publicou e as televisões exibiram é de alto nível. Considerando que a matéria precisa ser fiel ao que disse Joesley ao repórter da Época, mesmo contendo erros gramaticais grosseiros, será que as respostas do Joesley foram arrumadas para o bom português? Seria bom que a revista divulgasse a gravação”, assinalou o jurista Jorge Béja, em comentário publicado aqui na “Tribuna da Internet”, após a exibição de longa matéria no telejornal Hoje, da Rede Globo, na tarde deste sábado.

Realmente, dr. Béja tem toda razão. Quem leu atentamente a transcrição da gravação feita por Joesley com Temer em março, percebeu que o empresário é um homem simples, que teve competência para montar um império transnacional, mas não se expressa como um intelectual, profundo conhecedor das regras de português. No entanto, na entrevista publicada pela Época, Joesley parece ser outra pessoa, que se comunica com absoluta correção.

HOUVE “ADAPTAÇÃO” – Ficou evidente que a redação da revista “adaptou” o linguajar de Joesley Batista, não existe a menor dúvida sobre isso, dr. Béja acertou em cheio na crítica. A revista Época se equivocou ao proceder à revisão gramatical da entrevista, mas esta maquiagem nas respostas dadas pelo empresário da JBS, é claro, não desfaz ao impacto de suas denúncias, embora a veracidade das revelações precise ser robustecida com provas materiais e testemunhais, a serem fornecidas pelos personagens citados nessa rede de intrigas que caracteriza o maior esquema de corrupção já implantado no mundo, deixa no chinelo a famosa operação italiana Mãos Limpas.

O fato concreto é que as explosivas de Joesley acrescentaram muitas informações a seus depoimentos iniciais à Polícia Federal, justamente quando o Supremo Tribunal Federal vai realizar um de seus mais importantes julgamentos, nesta quarta-feira, quando decidirá se a delação premiada da JBS será reavaliada. Não dá para acreditar que tenha sido mera coincidência.

Na mesma sessão, aliás, o Supremo vai decidir também se o ministro Edson Fachin continuará como relator do inquérito que investiga Temer e o ex-deputado Rocha Loures, o “homem da mala” dos R$ 500 mil. Haverá transmissão ao vivo e a cores, pela TV Justiça, em mais um espetáculo imperdível para quem se interessa pelos rumos deste país.

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PS Apesar da gravidade da situação, continuamos apostando que Temer não cairá e vai cumprir até o final este mandato mambembe, em que ele finge que nos governa e nós fingimos que somos governados por ele. Como todos sabem, Temer é um excelente artista, mas está em final de carreira e não pode mais interpretar personagens de filmes de terror. Terá de optar pela versão brasileira do “terrir”, gênero cinematográfico humorístico criado por nosso amigo Ivan Cardoso, o cineasta que vem a ser primo de FHC, mas não comenta isso com ninguém. (C.N.)

10 thoughts on “Revista “Época” não deveria ter maquiado as respostas de Joesley Batista

    • Com Todo respeito, “J”,
      Não vejo como uma dicotomia Lula X Temer. Vejo como um “Esquema Poderoso” entre Todos os partidos e a maioria dos políticos. Não podemos esquecer que há anos Lula está junto com estes políticos (dados fartos existem sobre isso).

  1. 1) Meu prezado CN, penso que não estamos fingindo nada. Vc mesmo outro dia escreveu aqui na TI que a Bélgica ficou dois anos sem primeiro-ministro e nem por isso o mundo acabou por lá…

    2) Estamos sim, constatando que esses tipos de políticos e políticas são descartáveis… não fazem falta.

    3) Bom domingo a todos (as).

  2. #PraCegoVer
    ORCRIM PMDB CÂMARA E SENADO
    Assim, se o PT institucionalizou a corrupção na sua organização – por isso tantos tesoureiros do partido processados, o PMDB sempre foi uma confederação de caciques ou seja, de organizações criminosas autônomas, divididos basicamente em suas duas bases principais, o PMDB da Câmara dos Deputados e o PMDB do Senado.
    Carlos Fernando dos Santos Lima, cidadão.
    #PraCegoEntender: Joesley afirma: Michel Temer é o chefe da Orcrim da Câmara e Senado. Jucá, Eduardo, Geddel, Henrique, Padilha e Moreira. 

  3. Caro CN, quando li a matéria da revista época, também tive a mesma impressão… parecia que era outra pessoa na entrevista.
    Mas concordo com quase tudo que foi dito, menos que tenha sido o PT que institucionalizou a corrupção. o PT deu visibilidade, mas essa corrupção brava, vem dos anos 1982, quando o MDB, ganhou a maioria das eleições estaduais.

    • Concordo contigo, Jorge Mello, e acrescento que o PT exacerbou a corrupção, sem a menor dúvida. Chama-se a isso, na linguagem popular, “rato magro quando entra em padaria”.

      Abs.

      CN

  4. Desculpe, Limongi, mas não demonizo a Globo. Inclusive dou à Globo o direito de acertar. No caso da maquiagem das respostas de Joesley Batista, em que o português foi corrigido, salientei que isto foi um equívoco, mas não diminui a importância da denúncias, que precisam ser reforçadas com provas materiais e testemunhais, dentro das normas do bom Direito. Da mesma forma, citei a reportagem da IstoÉ, claramente dirigida para desmoralizar Janot e Fachin.
    Abs.

    CN

  5. Definição de propina: substantivo feminino, podendo ser, no sentido positivo, gratificação extra por serviço normal prestado a alguém; gorjeta, emolumento.; negativamente significa quantia que se oferece ou paga a alguém para induzi-lo a praticar atos ilícitos; suborno.
    No que se refere à Lava Jato, ou assemelhados, temos a propina no sentido negativo.
    A propina poder ser oferecida ou solicitada. O único que pode, efetivamente, evitar que ela ocorra é quem tem o “dinheiro para dar”, oferecido ou solicitado.
    Quando alguém pede propina, ou aceita, é culpado, também; mas aquele que oferece, ou aceita dar a propina, também o é. Claro que o pedinte, ou aceitante, da propina, poderia evitar que ela acontecesse, não pedindo ou não aceitando, tal como o que dá ou aceita dar, ante um pedido; mas, repito, quem tem o dinheiro é quem, efetivamente, pode impedir que ela ocorra. Aí os delatores, tipo Joesley Friboi, denunciam como se fossem inocentes coitadinhos, que foram achacados por aqueles que agora denunciam. Que se não dessem, não teriam conseguido contratos, empréstimos, etc. Ao serem solicitados a dar propina, deveriam negar e denunciar ao Ministério Público. Antes, não como fizeram agora. E aí mentem, dizendo, por exemplo, que financiaram 1.829 candidatos; foi divulgada uma relação dos candidatos que “teriam sido financiados pelos Friboi”, com dinheiro de caixa um, contabilizado nas prestações de conta dos mesmos; aí fui verificar a prestação de contas de alguns deles; receberam o dinheiro do Comitê Financeiro Nacional Para Presidente da República, da Dilma, no caso; aí na prestação de contas deve ser informado a origem do dinheiro doado pelo Comitê da Dilma – Fundo Partidário, Pessoa Física ou Jurídica que tinha doado para ela; aí aparece a JBS, dos Friboi; ou seja, eles doaram para a campanha da Dilma e ela, como o Aécio também, tendo interesse nas eleições por Estados, repassaram para candidatos com potencial de votos, grandes cabos eleitorais; os candidatos não foram financiados diretamente pelos Friboi; não tiveram contato com os Friboi; alguns nem eram deputados ainda (eleições proporcionais de 2014) e, portanto, creio, não poderiam ter praticado “atos ilícitos, suborno” em troca dos valores recebidos.

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