Revoltante! Ensino público permite que alunos passem de ano sem saber ler e escrever

Ciep do Jacarezinho está sem aulas há quase um mês devido ao furto de cabos  - Diário do Rio de Janeiro

CIEP do Jacarezinho não consegue ensinar a ler e escrever

Roberto Nascimento

Assisti a uma reportagem no “Bom Dia Rio”, na semana passada, que demonstra o conhecimento das mães e avós sobre a importância da Educação para o futuro das suas crianças. A reportagem tratava do caso de um furto de cabos do CIEP (Centro Integrado de Escola Pública) Vinicius de Moraes, no bairro do Jacarezinho, uma situação que me deixou revoltado.

Esse furto ocorrera há 30 dias. Desde então, as crianças da escola pública estavam sem aulas. No caso, duas autoridades eleitas no Rio de Janeiro cometeram crime de omissão.

O primeiro omisso foi  o governador, que comanda a Segurança Pública e assiste inerte aos furtos de cabos elétricos de maneira generalizada no Rio de Janeiro. Em segundo, o prefeito Eduardo Paes, que não está nem aí para às crianças sem aulas por longos 30 dias? Por que o prefeito não interveio, diante da omissão do governo e não determinou a imediata regularização da energia elétrica? Será que Eduardo Paes desconhecia o fato? Se sabia, por que quedou-se inerte? Um absurdo inominável.

ANALFABETOS – Infelizmente, ainda havia piores absurdos na sequência da reportagem, quando a repórter perguntou a uma avó, ao lado da neta de 11 anos, o que a idosa achava do fechamento da escola. E a resposta foi inacreditável.

A senhora revelou que a neta estava na quarta série, mas ainda não sabia ler nem escrever. E acrescentou: “Sem aulas, o prejuízo está sendo cada vez maior”. A menina, com olhar de tristeza, disse que queria voltar a estudar, porque tem o sonho de ser enfermeira. Mas como? Se está na quarta série sem saber ler e escrever?

O prefeito Paes, que matrícula seus filhos em escolas privadas caríssimas, deveria ter vergonha de comandar a cidade, com esse quadro dantesco de abandono do ensino público, como ficou demonstrado nesta arrasadora reportagem.

A VISÃO DO POVO – Entrevistada pela equipe, uma das mães protestou, declarando que a Educação tem de ser a base para seus filhos exercerem uma função no mercado de trabalho. No entanto, com a escola fechada, essa condição se torna mais difícil para seus filhos. Vejam bem, o povo tem uma visão social muito precisa em relação à importância da Educação Pública, que infelizmente é desprezada pelo governador Castro e pelo prefeito Paes.

Em relação ao governo federal, o descaso é igual, pois um ex-ministro/pastor, demitido após um escândalo de corrupção em que dois pastores, indicados pelo Planalto e que não saiam do gabinete ministerial, vendiam bíblias com verbas da Educação e atuavam como lobistas para destravar verbas federais para os municípios, justamente, o dinheiro que falta para investimento nas escolas municipais.

O pior da denúncia reside no fato de os alunos passarem de uma série para outra, sem saberem ler e escrever, numa política terrível para o futuro dessas crianças pobres, condenadas a um analfabetismo funcional que as transformará em         cidadãos de terceira classe, privados do acesso a profissões de melhor remuneração.

DISCRIMINAÇÃO – Agora entendo a razão de o pastor/ministro defenestrado do cargo ter declarado que as crianças pobres deveriam aprender apenas, Português e Matemática, porque as outras matérias são inúteis para o mercado de trabalho, só servindo para formar esquerdistas, segundo a cabeça pequena desse tipo de autoridade.

O antigo ministro Milton Ribeiro atuava na mesma linha do ministro Paulo Guedes, que afirmou na televisão achar um absurdo que um filho de porteiro pudesse estudar numa universidade, com financiamento do FIES (Fundo de Investimento do Ensino Superior), através de recursos do governo federal.

Guedes esqueceu haver cursado Economia em Universidade Pública, sem pagar um centavo, mas agora tenta evitar que brasileiros de famílias carentes tenham a mesma sorte.

Que fazer, num mundo como esse?

23 thoughts on “Revoltante! Ensino público permite que alunos passem de ano sem saber ler e escrever

  1. Ora, ora, ora … após trinta anos de política educacional NARCO-socialista paulo-freireana, o Sr Roberto Nascimento descobriu aquilo que todo mundo já sabia: alunos passam de ano sem saber ler e escrever. Pra não fugir da trapaça esquerdista (acusar os outros pelos seus fracassos), o Sr Nascimento malha o governo Bolsonaro. Deixo um sonoro ho ho ho pro Sr Nascimento.

    • Independente de existir com 10, 20 ou 30 anos, trata-se de uma vergonha para todos os governos, que não resolvem essa triste realidade, contra o futuro das crianças, que dependem das escolas públicas. Mas, creio, pelo seu comentário, que achas isso normal e se conforma com a situação descabida.
      Quando alguém, se preocupa com a desigualdade social, logo é chamado de esquerdista. Se a esquerda luta por justiça social, então, aplausos para a esquerda.
      O Eduardo Paes, prefeito do Rio, só gosta de festa, carnaval, festas em Paris, o povo do Rio é um detalhe para ele. Quando tentar uma nova eleição, para o governo do Estado, o povo saberá o que fazer, com certeza.

  2. “Revoltante! Ensino público permite que alunos passem de ano sem saber ler e escrever.”
    PS. Eleição ininterrupta garantida, de assim privilegiados
    candidatos!

  3. Em locais de extrema violência, baixo índice de desenvolvimento humano, famílias pouco estruturadas e deficientes serviços públicos etc., como exemplo comunidades do Jacarezinho, Maré, Alemão e tantas outras, o ensino público militarizado seria uma boa.

    Ensino militarizado difere do ensino militar à medida que este é das FFAA e 100% militar enquanto aquele o conteúdo pedagógico e professores são civis apenas a gestão e disciplina são militar.

    • Escolas militarizadas são uma boa forma de elevar o aprendizado nessas regiões… com menor tempo atingiria melhores resultados.

      Mas o que temos assistido é grande parte (senão a totalidade) da esquerda militando contra essas escolas.
      Além disso, as escolas militarizadas estão sendo abertas em locais de classe média, e não naqueles que mais necessitam, como no exemplo do Jacarezinho e outras comunidades…

      • Leão, Escolas Públicas devem ser de boa qualidade, com valorização dos professores, estruturas edificadas em bom estado e acesso a Internet e tablets. Escola Militar, não resolverá a imensa desigualdade social, entre as crianças pobres confrontadas com as crianças de país ricos. O Brasil é muito injusto, com os mais carentes, que não conseguem crescer na escala social, pois é impedido desde o nascimento.
        As classes dirigentes, trabalham para o fosso continuar e cavam mais fundo, ano após ano.
        Uma prova disso, foi a interrupção da construção dos CIEP.

        • Mas não é escola militar…

          A gestão e a DISCIPLINA que são …

          Já estudou ou passou o dia numa escola de comunidade para ver? Não são todos mas lboa parte com péssimos hábitos vindo de casa…

          • Pau torto não se indireta com educação de qualidade não. A não ser que tirem os jovens da família logo depois que nascidos passando a maior parte do tempo em regime integral e só indo para casa dormir…

  4. O grande problema das nossas escolas públicas é que as autoridades ainda não entenderam que o principal componente de qualquer escola são os PROFESSORES !!! Vivemos num país em que muitos dos mestres sabem menos que os alunos. A questão é de seleção e supervisão além de, é claro, pagamento de BONS SALÁRIOS!!!

  5. Senhor Roberto Nascimento , lembre-se que foi o próprio então Presidente Fernando Henrique Cardoso (professor) quem instituiu essa anomalia no ensino público do Brasil, para mascarar e reduzir a excessiva ” REPETÊCENCIA E EVASÃO ESCOLAR ” , visando enganar e engambelar a ONU , até mesmo premiando às escalas públicas que embarcassem nessa canoa furada , em prejuízo dos pseudos beneficiários , ou seja , os alunos alvos e seus familiares , pois os mesmos passam vergonha e humilhações nas séries subsequentes , por não conseguirem acompanhar os alunos melhores preparados , prejudicando tanto os profissionais do ensino e a todos em geral.

    • Concordo plenamente com você, José Carlos.
      O professor da Sorbone, não foi um bom gestor na Educação. Perdeu uma grande oportunidade.
      Mas, os outros presidentes depois dele, mantiveram a mesma política nefasta.
      Na realidade, não interessa para as classes políticas e empresariais, um povo instruído e exercendo na plenitude, a cidadania.

  6. “No famoso romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, publicado pela primeira vez em 1911, o escritor Lima Barreto cria um protagonista patriota, dotado de um verdadeiro e puro amor pelo Brasil dos fins do século XIX. Na história, Policarpo Quaresma quer mostrar a todos que o país possui tudo o que é necessário para o pleno desenvolvimento e felicidade do povo. ” Mas porque não saímos do atraso? Existe uma pequena parcela da população que não quer que isso aconteça. Vive no atraso e se orgulha disso: Não sabe fazer nada, a não ser viver explorando o povo. Que gente miserável, desculpe a minha indignação, se é que ainda se pode, ou se ainda temos esse direito de nos indignarmos. Não se valorizam as pessoas que trabalham nesse país, mas as que roubam de todos nós. Todos sabem que a educação transforma o país, isso não é de hoje. Mas o que falta? Coragem de fazer o que é certo. Dá um soco na mesa e dizer: chega de atraso, basta dessa corrupção, acabou para os malandros. Vamos passar o Brasil a limpo, doa a quem doer. Atraso nunca mais. O problema não está na escola. A escola é a solução. Não esta que aí estar. Mas uma escola que ensine para transformação de pessoas e que busque valorizar o profissional da educação e exigir desse profissional qualidade e tempo integral para o exercício de sua profissão. E o que se busca é o resultado positivo dos esforços com a qualidade da educação brasileira para todos.

  7. José Luiz, o seu comentário é uma síntese da realidade do Ensino Público no Brasil. Tem jeito de melhorar, basta ter vontade política.
    Quando Leonel BRIZOLA, Darcy Ribeiro e o arquiteto Niemeyer montaram e executaram o projeto dos CIEP, e conseguiram construir 500 unidades no Rio de Janeiro, foram atacados de todos os lados pela elite carioca e dos outros Estados. Nem os governadores do PDT, Partido fundado por Brizola, construíram nem uma unidade para ficar na história, nada.
    Desde aquele tempo até hoje, as crianças que dependem do Ensino Público dão desconsideradas pelo Estado.

  8. O texto apresenta duas realidades brasileiras. A primeira é o descaso com a manutenção dos bens públicos. Rarissimamente vemos filhos de autoridades ou políticos frequentando escola pública, excetuando-se as universidades. Então se a escola está sem luz quem tem que resolver o problema é a diretora dela. A tal “educação continuada” é proposta da esquerda lá nos anos 90, li texto de uma doutora em educação dizendo-se radicalmente contra a reprovação, porque isto causa um trauma no aluno. O governador de então, Roberto Requião era defensor ardoroso deste tipo de “crime”, a educação continuada. Pois é, aí está o fruto de tal tipo de educação. Aposto que os filhos e netos do ex-governador não passaram pelas escolas públicas que ele tanto defende. E sabem ler e escrever perfeitamente.

    • Meu caro, já existe regulação das informações falsas no Código Penal. Quando alguém divulga mentiras, que atingem a pessoa. Trata-se de Injúria, Calúnia e Difamação.
      A internet, não pode virar uma plataforma, na qual cabe tudo.
      A atual polarização da sociedade brasileira, deturpa o verdadeiro sentido da Regulação das Redes Sociais, não só na questão política partidária, mas, principalmente nos diversos tipos de golpistas, que se aproveitam da ingenuidade das pessoas, para ganhar dinheiro através de mentiras e fraudes.
      Isso, não é questão de esquerda e direita.

    • Arthur, o ex- governador do Paraná, Requião, sempre foi um elitista, fantasiado de progressista. Mas, um dia, o pano cai e a farsa é descoberta, a luz do sol clareia a máscara escondida de bom mocinho. O eleitor do Paraná, afastou o político do Executivo. Agora está sem mandato tentando surfar na aba do Lula, da mesma forma, que João DÓRIA e Wilson Witzel surfaram no tsunami Bolsonaro de 2018.

  9. O processo de destruição da escola pública, começou na ditadura, que criou a Bolsas de Estudo para favorece as escolas privadas em prejuízo das escolas públicas.
    De lá para cá todos os governos federais pouco se interessaram pelo ensino público. Um povo ignorante. é mais fácil de dominar.
    A pesquisa da Ipespe dias atrás perguntou aos eleitores, qual o candidato mais honesto, para essas eleições. Deu: Lula com 35%, Bolsonaro com 30%, Ciro Gomes com 11% e Simone Tebet com 6%. Os itens de inteligência e competência seguiram mais ou menos a mesma ordem.
    Por ser defensor ferrenho da educação, não permitiram que Brizola chegasse a presidência.
    A educação é a base do progresso de um país.

    • Nélio Jacob, sem investimento em Educação para todos, desde a pré escola, até a Universidade o país permanecerá atrasado. O Japão investiu e se tornou uma potência tecnológica. Conhecimento é Poder.
      Continuamos com o espírito de Colônia, a reboque dos países ricos, exportando produtos agrícolas.

  10. A destrutiva e interesseira “mão oculta”, presente em todos os “movimentos”, não importa quem esteja ou seja o desmiolado “cabeça”!

  11. Prezadíssimo Roberto Nascimento

    Lamento não ter lido antes teu texto. Mas, que bom que acabo de lê-lo!

    Depois de passar pelas redes particular/pública de nossas escolas, mesmo não sendo professor, em 1989, venho acompanhando muito do que aconteceu/acontece em nossa escola pública.RE muito, no meu caso, é muito mesmo!

    Um dia, conversaremos sobre a escola integral e as razões pelas quais não produziu aquilo que esperávamos.

    No mais, o ensino (assim, trata o que a maioria diz ser educação) perdeu-se nos caminhos das más administrações.

    No entanto, por ter vivenciado e ter sido atuante pai ausente na formação de minha filha, te afirmou, sem medo de errar: o mais problema é a irresponsabilidade dos pais/responsáveis pelos alunos!

    Neste tema, confesso e assumo, sou mestre graduado!

    A maioria do magistério está fora das condições que necessita nossa escola! Salário não resolverá este problema.

    E, com total certeza, os pais/responsáveis são os maiores ausentes do acompanhamento dos filhos.

    Enquanto o ensino não for prioridade para a sociedade, não será para os governantes!

    Com tua licença, copio teu texto e comentários. Tudo isto é fonte de pesquisa, análise, observações e avaliações.

    Felizmente, minha filha tem seguido meus passos neste tema.

    Cumprimento-o pela contribuição.

    Fraterno abraço.

    Fallavena

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