Revolução Constitucionalista de 1932 não derrubou Vargas, mas teve boas consequências

Cartaz do movimento para derrubar a ditadura getulista

José Carlos Werneck

Num país sem memória como o Brasil, vale lembrar que esta sexta-feira, dia 9, marcou a passagem dos 89 anos de um dos mais importantes e dramáticos acontecimentos da história republicana brasileira: a Revolução Constitucionalista de 1932.

Motivado pela insatisfação dos paulistas com a Revolução de 1930, o movimento pretendia convencer o Governo Provisório de Getúlio Vargas da necessidade de pôr fim ao caráter discricionário do regime sob o qual vivia o Brasil.

CONTRA A DITADURA – Em 9 de julho de 1932 eclodiu na capital paulista a Revolução Constitucionalista, liderada pelo general Isidoro Dias Lopes, o mesmo do levante de 1924.

Contando com a participação de vários remanescentes do movimento de 1930, como os militares Bertoldo Klinger e Euclides Figueiredo (pai do também general e presidente João Figueiredo), a revolução recebeu amplo apoio dos mais diversos segmentos das camadas médias paulistas.

Getúlio Vargas, que muitos insistem em classificar como um governante “democrático”, foi um dos mais cruéis e sanguinários ditadores da História Republicana do País.

O DITADOR VARGAS – Odiava eleições, sua polícia espancava, torturava e matava opositores do Governo. Era inimigo ferrenho da liberdade de expressão, perseguia jornalistas. Moveu uma odiosa campanha contra o jornal “O Estado de S.Paulo”, que culminou com a usurpação temporária do matutino fundado pela família Mesquita.

Se, militarmente, os paulistas saíram derrotados do movimento de 1932, o mesmo não se pode dizer em relação à política e à economia, pois São Paulo continuava a ser o principal fornecedor de divisas do país, num quadro de crise econômica mundial e de queda do preço do café no mercado internacional.

Assim, o Governo Provisório manteve a política de valorização do café, comprando e retendo estoques, além de permitir o reescalonamento das dívidas dos cafeicultores e aceitar bônus de guerra como moeda legal, entre outras medidas.

PELA NOVA CONSTITUIÇÃO -Do ponto de vista político, a revolução provocou o fortalecimento do projeto constitucionalista, com Getúlio Vargas sendo levado a reativar a comissão que elaboraria o anteprojeto de Constituição, e com a criação de novos partidos para concorrer às eleições para a Assembleia Nacional Constituinte, realizadas em maio de 1933 e deram a vitória à Chapa Única por São Paulo Unido, composta por membros da Frente Única Paulista(FUP) que haviam permanecido no país e amplamente dominada por representantes do PRP.

Além disso, em agosto de 1933, São Paulo finalmente viu chegar um civil e paulista à chefia do governo do estado, com a indicação de Armando de Sales Oliveira para substituir o general Valdomiro Lima. E em 1935 Armando Sales foi eleito governador constitucional de São Paulo pela Assembleia Constituinte Estadual.

11 thoughts on “Revolução Constitucionalista de 1932 não derrubou Vargas, mas teve boas consequências

  1. Combatente da Revolução de 30, na versão legalista, tive a honra e o prazer de conhecer o Sr. Ananias: ele me exibiu um tal de “revólver de cavalaria” e um certificado do Ministério da Guerra.
    Em seguida, perguntou-me de quem eu era filho, a que respondi. -“Conheço o teu pai, ele é da categoria de 1.940!” Quis saber ainda, por que não segui os passos do meu genitor. Eu desconversei: Na caserna, bicho mulher é coisa rara, né? O velhão tinha uma lucidez impressionante: “Nunca fumei, nunca bebi, como bem, durmo cedo e nem sei que diabo é doutor de medicina” Contou-me um história pouco crível: “No meu tempo, macho pra servir “as forças” era na marra. O governo só dispensava moço doente, filho único ou arrimo de família. Tinha cabras frouxos, que quando viam a comitiva (grupo de recrutadores), eles saiam correndo, e primeira mulher das saias grandes que encontravam, se enfiavam debaixo”
    Da segunda vez que o procurei, o preto velho já havia falecido aos 107 anos, conforme assento em seus documentos.

  2. Doutor, porque essa ojeriza a Getúlio Vargas,um estadista,um homem de visão.

    Quem fez o levante foram as elites paulistana,manter a hegemonia dos barões do café..

    Num gesto de união Vargas,1933 nomeou Armando Sales, interventor- SP.
    Em 1934 Vargas promulgou a nova constituição…

    PS: por paradoxal,SP é o pólo industrial graças a Getúlio Dornelles Vargas.

    PS: Quem matou em 1930 no Recife o Vice João Pessoa Cavalcante de Albuquerque.??

  3. Hoje,os barões são os banqueiros e os entreguistas que desnacionalizaram e quebraram o parque industrial.

    O Nero tupiniquim,dizimou por completo as empresas nacionais.

    Tem vários exemplos:
    A Infraero administrava +-70 aéreoportos,pois o posto Ipiranga fez doação os barões tubarões do erário,tipo FHC 12
    aéreo que dava lucro.

    Advinha quem ficou
    58 carne de pescoço.???

    Precisamos urgentemente
    de um estadistas,reative a indústria o comércio,gere emprego, aqueça a economia,a
    educação ciência e tecnologia.

    • Você está misturando empresa nacional com teta publica.
      Vocês podem até censurar comentários; mas, quem está vivendo do próprio suor, sabe que agora você pode comprar centenas de produtos, que são fabricados em milhares de empresas brasileiras, que estão gerando milhões de empregos no Brasil (e não na china).
      Vou citar só alguns que eu comprei nessa semana: Secador de cabelos Taiff (produzido em varginha-MG); Pneu Levorin; vela NGK; torneiras Brasfort; Sapato Wonder.

      • A mamata continua ??

        Amigo,as commodities,e o pouco que
        produzimos em termos industrial,temos que pagar os royaltie
        s.
        Nós importamos tecnologia,somos o maior Casino do mundo..

        Não é,o projeto de Vargas,e nem da banda boa dos Milicos de 64.

        PS: antes de Vargas,o nosso capitalismo era pastoril.

        Hoje o quê é ???

        • – – – Hoje o quê é ??? – – –

          Hoje está melhor que ontem; não está bom; mas, pelo menos parou de piorar. Eu me lembro na época do Lula e FHC, que acabaram com a indústria nacional; eu não conseguia comprar nem uma escova de dentes fabricada no Brasil.

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