Ricardo Mansur é o Pimenta Neves do crime do colarinho branco. A Justiça levou 10 anos para condená-lo, em primeira instância. E ainda tem muito recurso pela frente.

Carlos Newton

Todos os jornais noticiaram que a Justiça Federal condenou o empresário Ricardo Mansur, em dois processos criminais, a uma pena total de 11 anos e meio de prisão por gestão fraudulenta da Mappin Previdência Privada (MPP) e do Banco Crefisul, dos quais foi presidente e acionista controlador.

“A culpabilidade demonstrada merece especial reprovabilidade não apenas pelo descaso com o sistema financeiro mas pelo fato de o acusado ter procurado lograr os órgãos de controle”, assinalou o juiz Marcelo Costenaro Cavali, da 6.ª Vara Criminal Federal em São Paulo.

Na demanda da Mappin Previdência Privada, as fraudes atribuídas a Mansur e a outros dois dirigentes, também condenados, teriam ocorrido entre 30 de junho de 1998 e 4 de agosto de 1999, quando foi decretada a liquidação extrajudicial da empresa. Investimentos da MPP excederam os limites do enquadramento legal por cinco anos. A concentração de investimentos em empresas do mesmo grupo “agravou-se a partir da gestão Mansur”. A procuradoria apontou nove operações que caracterizaram concentração ilegal do capital da MPP em companhias de Mansur.

Mansur poderá apelar em liberdade, como fez Pimenta Neves. O empresário paulista pegou 6 anos de reclusão no processo Mappin e mais 5 anos e 6 meses no processo Crefisul. Nas duas ações ele foi denunciado pela Procuradoria da República por violação ao artigo 4.º da Lei 7492/86 (Lei do Colarinho Branco). No caso do Crefisul, os prejuízos globais a terceiros, segundo apuração do Banco Central (BC), chegam a R$ 407,5 milhões.

Como ainda há várias instâncias pela frente, é bem provável que o processo contra Mansur demore tanto tempo que ele não chegue a cumprir um só dia de prisão. Podem apostar.

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