Risco institucional permanece e o presidente Bolsonaro pode voltar ao ataque novamente

Bolsonaro poderá buscar um novo caminho para tentar se manter no poder

Pedro do Coutto

Numa entrevista a Fernando Canzian, Folha de S.Paulo de sábado, o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga afirmou que, embora acuado no momento, Jair Bolsonaro não vai deixar de atacar a arquitetura democrática até o final de seu governo. Para Arminio Fraga o comportamento do presidente da República cria uma tensão que, do ponto de vista econômico, é absolutamente paralisante.

A opinião de Fraga é extremamente oposta a do ministro Paulo Guedes que, numa palestra a investidores na última sexta-feira, em São Paulo, argumentou que após o choque político registrado no último dia 7 de setembro, o governo retomará o seu projeto de recuperação da economia nacional. A reportagem de Fernanda Trisotto focaliza o encontro de Paulo Guedes no momento em que ele procurou, mais uma vez, acalmar o que chama de “mão do mercado”. Na minha impressão, Paulo Guedes permanece mergulhado na fantasia e procura vender um clima de serenidade que não existe no governo Bolsonaro do qual é o titular da Economia.

IMPASSE CONTINUA – Para Armínio Fraga, o setor de serviços está sendo duramente atingido e ele é responsável pelo maior reflexo na formação do Produto Interno Bruto e no mercado de empregos. O impasse continua. Tenho a impressão de que Michel Temer, convocado pelo próprio Bolsonaro, representa um intervalo no desenvolvimento não só da economia, mas do próprio processo global do país. Dificilmente, a mão de tigre do mercado ficará imobilizada pela trégua que representou o recuo do presidente da República. Esse recuo, de um lado, não constrói confiança, e de outro decepciona os setores radicais da extrema-direita. Com isso, o reflexo eleitoral é inevitável e a perda de densidade política do governo se acentua.

Cada vez mais, por todos os motivos existentes, o presidente Jair Bolsonaro se distancia cada vez mais do projeto de reeleição. Por isso mesmo, conforme a previsão de Armínio Fraga e a previsão geral, ele voltará a atacar as instituições, buscando um novo falso pretexto e um caminho capaz de mantê-lo no poder. Não conseguiu em 7 de setembro; faltou-lhe apoio militar, é claro. Pois se apoio militar ele tivesse na semana que passou, o desfecho do conflito conduziria ao risco de um desabamento democrático.

Vamos aguardar o que poderão revelar as pesquisas do Datafolha ou da XP Investimentos, além do antigo Ibope, hoje  Instituto Paulista de Excelência da Gestão (Ipeg), a respeito das tendências políticas dos eleitores e eleitores.Quanto mais ocorrer o esvaziamento da candidatura de Bolsonaro, maior risco ele representa para o país, para as eleições e para si mesmo.

TERMOS ADITIVOS –  Julia Affonso, Estado de S. Paulo deste sábado, revela a decisão do ministro Benjamin Zymler, do Tribunal de Contas da União, anulando o termo aditivo de contrato firmado entre o Ministério da Saúde e a VTCLog que envolvia o fornecimento de insumos médicos para vacinação contra a Covid-19. A matéria acentua que o termo aditivo assinado pelo ex-diretor Ferreira Dias elevou o reajuste do contrato existente de R$ 3,9 milhões para R$ 57,7 milhões.

Essa questão de termos aditivos está exigindo uma revisão em série e de bastante profundidade porque as licitações originais preveem um sistema de reajuste de acordo com os índices inflacionários, mas os já famosos termos aditivos elevam às alturas as percentagens deste reajuste.

VENDAS NO VAREJO –  Leonardo Vieceli, Folha de S. Paulo, com base em dados do IBGE, afirma que o comércio varejista, sobretudo de roupas, avançou 1,2% no mês de julho, registrando uma circulação maior de clientes. Não entendi bem o que seja circulação maior de clientes. Parece que se refira a presença de consumidores nas lojas. Mas a questão não é só essa. É preciso medir se as vendas aumentaram em seu volume físico ou se subiram também ao que se refere às despesas efetuadas pelos consumidores.

Além disso, é preciso considerar que base numérica incide no avanço de 1,2% registrado pelo IBGE. Isso porque se foi sobre uma base de acentuada retração, qualquer avanço relativo pode aparentar envolver um falso impulso de recuperação. O varejo, segundo Leonardo Vieceli, inclui também artigos de higiene, produtos farmacêuticos, eletrodomésticos e setor de calçados.

De qualquer forma, fica a pergunta: como podem as vendas aumentarem se os salários continuam congelados, os juros bancários passam de 20% ao ano e o endividamento da população, como há poucos dias a Folha de S. Paulo revelou, na escala de R$ 424 bilhões ? Só de juros são mais de R$ 80 milhões ao ano. Qual a mágica e qual a lógica que envolve o resultado a que chegou o IBGE nessa questão? Temos que partir do princípio de que a mágica é o oposto da lógica.

9 thoughts on “Risco institucional permanece e o presidente Bolsonaro pode voltar ao ataque novamente

  1. É da natureza de Bolsonaro procurar briga. Começando por quem estiver mais perto.
    É claro que ele não mudou e nem vai mudar.
    Acho que algum dia um dos filhos deverá saltar do barco.
    Vai ser um barraco e tanto.

  2. Duas hipóteses sobre as manifestações plausíveis, na minha opinião: uma, Bolsonaro apenas quis intimidar o STF; principalmente o ministro Alexandre para libertar os presos seus apoiadores; obrigação moral. Segunda, Ensaio para um golpe (sem tropas) caso perca as eleições.

  3. Prezado senhor Pedro do Coutto; tenho alguma experiência de “termos aditivos”.
    O que acontece é que em concorrências aparece de tudo, tudo mesmo. Uma empresa põe o preço embaixo para ganhar a licitação mas, sem a mínima condição de concretizar a obra (amadores/sonhadores/mau caratistas).
    A solução é todas botarem o preço para baixo e procurar depois os argumentos de que o que estavam fazendo não estava no contrato como por exemplo: Esta pedra de 5000t não estava no contrato e tivemos que explodi-la para passar a ferrovia. E por aí vai.
    Solução: Agentes públicos qualificados e honestos, liberdade para rechaçar empresas piratas que só entram para “se dar bem” em detrimento da necessidade da sociedade.
    PS: Tenho muita decepção com o governo atual; mas, uma coisa merece nota DEZ é o terminarem as obras importantes legada dos governos passados.
    PS2: Se tivessem continuado o projeto de Darcy Ribeiro com os CIEPS, hoje o RJ seria o Paraiso na Terra.

    • O grande projeto de darcy ribeiro com os cieps . Jamais pode ser esquecido , um projeto de escolas com o custo bem baixo / todo em placas de concreto de montagem . Custo de reforma quase zero / escola para durar mais de 100 anos . Obs: só que esse projeto não interessa ás construtoras pelo baixo retorno .

  4. Jornalista Pedro do Couto. Vejo o mundo, com mais clareza, com tempo para analisar o nosso tempo difícil.
    O sete de setembro não deu certo para Bolsonaro. Não teve tanta gente nas ruas como ele desejava para dar o golpe e virar ditador.
    No dia oito, se viu sozinho e abandonado pelos empresários da Av. Paulista, pelo Congresso e pelos pronunciamentos duros de Fux e Barroso.
    Para piorar, os caminhoneiros insuflados por Bolsonaro e pelo boneco Tarcísio de Freitas bloquearam as estradas em 15 Estados. Prenúncio de desabastecimento, caos e anarquia generalizada. A pressão foi grande contra ele, começaram a falar em impeachment. O medo, a paura, bateu nele, então, sopraram o nome de Temer para aconselhamento de saídas para conter a crise. Foi nesse contexto, que saiu a tal Carta de Pacificação e o telefonema para Alexandre de Morais ( acordão em marcha).
    Seus apoiadores não gostaram e a ala Militar, leia-se general Heleno se mostraram contrariados, principalmente com o aceno ao ministro Alexandre.
    Ficou configurado, que o mais preocupante para o presidente, é o Inquérito das Fake News, que pode atingir ele próprio e seus filhos. A nação está em segundo plano, como ocorreu com a Pandemia. Inflação, desemprego, nada disso importa para ele.
    Agora e o depois, esse futuro que só a Deus pertence, como disse o ex-ministro da Ditadura, Armando Falcão?
    Ele voltará a atacar as Instituições, ao menor sinal de contrariedade?
    Aceitará a derrota nas eleições de 2022?
    Bem, tudo indica, que nosso personagem não mudará. Já estão ensaiando um antigo inimigo: as esquerdas.
    A fase de ataques ao Judiciário e da China não deu certo. Ele arregou para os Ministros do STF e fez acenos para Xi Jim Ping, o sucessor de Mao TSE Tung.
    Para continuar em campanha permanente visando a continuação no Poder, Bolsonaro e sua Turma, têm que atacar, brigar, vociferar e eleger para bater em um ou mais inimigos. É sua única chance de chegar ao segundo turno. Se não for possível, o sucesso dessa estratégia, o Plano B pode ser o Golpe. Os caminhoneiros estão aí para fazer o trabalho de paralização total, se convocados pra tal.
    Fiquemos de olho nesse Ministro Tarcísio de Freitas.

    • “”O sete de setembro não deu certo para Bolsonaro. Não teve tanta gente nas ruas como ele desejava”””””””

      Oi; tem alguém ai? Hoje é o dia da minifestação contra o Bolsonaro.

      • Foi um tremendo erro desse MBL e o Vem para Rua, tentar essa manifestação hoje. Prova que são amadores da política.
        Deu certo contra a Dilma, em 2013, agora, os líderes desse movimento perderam a força.
        O povo não foi na onda deles, porque querem emprego, queda da inflação e paz.
        Não sentiram o time correto, por pura ingenuidade e falta de análise.

      • “Foi um tremendo erro desse MBL e o Vem para Rua,”

        “e desse vem pra rua”. Ou “e do vem pra rua”.

        Fora esse erro; você também erra nas “virgulas”; sem falar no tal “time”; você é framenguista ou é só um malandro esquerdista usando termos em inglês.

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