Riscos e parcerias militares com o Pentágono

Anna Malm (correspondente de Pátria Latina na Europa)

Tem sido dito que Obama seria o menor de dois males a serem escolhidos na eleição presidencial dos EUA mas para tirar quaisquer ilusões a respeito, Bill Van Auken apresentou convincentemente em seu estudo muitos pontos importantes, dos quais aqui apresentamos alguns que são centrais ao nosso ponto de vista.

Van Auken ressaltou que assassinatos são orquestrados pela administração de Obama e isso diretamente da Casa Branca, e que o que denominam por Matriz Disposicional é um termo astuciosamente apresentado pelos conselheiros de Obama. Este termo serviria então para descrever o sistema de codificação das torrentes de informação a serem tratadas de forma dinâmica por sistemas computacionais especializados para poderem por sua vez resultar em ordens de assassinatos extrajudiciais dadas pelo presidente. Podemos acrescentar que é difícil de acreditar mas que, ao que tudo indica, pura verdade.

Ressaltamos aqui que há um macabro jogo de palavras em ação. O que normalmente chamamos de assassinato é denominado pelos envolvidos nos Estados Unidos como por ex. “disposições extrajudiciais”.

Van Auken ressalta nesse contexto que a mídia institucional também se especializa em apresentar a realidade sangrenta das guerras dos Estados Unidos de forma que essas sejam percebidas de forma extremamente diluida e difusa. As reportagens da mídia institucional referem-se, por.ex. a aeronaves de controle remoto embatendo em conjuntos de construções quase que anônimos, e outras afirmações do gênero.

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E A REALIDADE?

Este tipo de linguagem serve o propósito de esconder a realidade das guerras conduzidas pelos Estados Unidos, que só no Paquistão transformou em pedaços não identificáveis muitos mil de civís inocentes, entre homens, mulheres e crianças. Comunidades inteiras vivem então lá em estado de terror. Um número incontado de civís inocentes também foram mortos, ou para se mais precisa, incinerados em Yemem e Somália da mesma forma através do tipo das bombas lançadas. Isso também é assim, e isso sem sombras de dúvidas, em muitos outros países que se encontram abaixo da mira dos EUA.

No estudo que aqui apresentamos também se chamou a atenção para os que implementam as decisões extrajudiciais mencionadas acima. Teríamos então uma combinação de paramilitares da CIA e comandos militares do Pentágono, que teriam suas operações fora do regime de comando normal, como encarregados dessas ações.

Tem-se que se admitir não só baseando-se no que foi apresentado no estudo aqui apresentado, mas também como em muitos outros estudos de peso, que o que está se instalando nos Estados Unidos de hoje é um estado ditatorial sustentado pela força das armas. Tendo-se em conta a atuação global dos Estados Unidos, toda a cautela será pouca.

Infelizmente o aspecto a ser discutido abaixo tem que ser colocado em relação ao todo acima apresentado.

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NA AMÉRICA LATINA

Andrei Akulov em um estudo publicado recentemente ressalta que o ministro da Defesa dos Estados Unidos, Leon Panetta, apresentou um novo conceito americano de defesa para o nosso hemisfério a ser, em princípio, implementado nos próximos dez anos.

A declaração da política americana de defesa para o nosso hemisfério (de 10 de outubro de 2012, a chamada “ the Western Hemisphere Defense Policy Statement”) mostra em detalhe como o guia de defesa estratégica (de janeiro de 2012, o chamado “the Defense Strategic Guidance”) deverá formar a relação do Ministério de Defesa dos EUA com a região da América Latina, e ao que compreendi, também com os Caribenhos.

Na oportunidade o ministro da Defesa, Leon Panetta, tinha então ressaltado a oportunidade histórica de renovar e consolidar parcerias na região. A declaração oficial, de onze páginas, descreve os objetivos principais da mesma como:

a) promover na região instituições de defesa nacional efetivas.

b) desenvolver a integração e a interoperacionalidade entre as mesmas para que possam agir contra ameaças compartilhadas.

c) tendo o apresentado sido obtido, desenvolver instituições de defesa integrada, assim como mecanismos para politicamente poder estabelecer concensus quanto a direção a ser tomada.

Esta seria então uma declarada intenção de renovar laços militares com a América Latina, depois de dez anos de afastamento relativo dado as guerras no Iraque e no Afeganistão.

Tendo mencionado assistência humanitária e socorro em situação de desastre, assim como ressaltado as ações coletivas já assumidas pela nossa região junto a ONU o ministro relevou que o interesse americano é o de trabalhar com os países que desejem ajuda americana para desenvolver suas capacidades de defesa e segurança, sendo que querem trabalhar em conjunto e não contra a vontade de ninguém.

Como dito, a declaração é longa sendo de onze páginas e também é assim que conhecemos a nossa história de perto. A apresentação até pode ter sido simpática mas há que ressaltar-se os riscos e as conhecidas artimanhas dos envolvidos na implementação. Para começar há o aspecto das conhecidas interferências com as manipulações informativas da mídia. Há também a USAID e sua dúbia reputação em destabilizações de regimes legítimos, em um bom número de países na América Latina e Caribenhos.

Sem que se queira ofender ninguém que tenha vindo ou ainda queira vir com propostas honestas há que se ressaltar que o tempo passou e que as coisas mudaram. O Brasil de hoje, por ex. já não é o mesmo de 1964.

Há agora organizações coletivas no nosso continente e Akulov ressalta entre elas a União das Nações Sul Americanas, formada em 2008, que é uma organização de doze países para defesa conjunta, desenvolvimento econômico e projetos de infraestrutura.

Há a Mercosul dentro de um sistema de mercado e alfândega comum há já 21 anos.

Há a ALBA de 2004 que organiza esforços conjuntos no continente nas áreas de saúde, educação, comunicação assim como na do sistema bancário, comercial e econômico.

A nossa CELAC –Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos mostra-se como alternativa a OEA –Organização dos Estados Americanos. A CELAC tem uma população de 600 miliões de habitantes, a ser comparada por ex. com a população do Brasil de aproximadamente 194 milhões de habitantes, ou com a população dos Estados Unidos de aproximadamente 313 milhões de habitantes.

Seiscentos milhões de habitantes da CELAC significa muito em termos de potencial humano e econômico e Akulov ressalta que sendo o produto nacional bruto –BNP da CELAC de $6 triliões a CELAC é uma força de muito peso na arena internacional.

 

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