Roberto Amaral diz que PSB renunciou ao seu futuro

Amaral agora est livre para apoiar Dilma e o PT

Roberto Amaral
Folha

A recm-revelada disputa interna no PSB no tem como cerne a disputa da presidncia do partido. O que est e sempre esteve em jogo a definio do modelo de Brasil que queremos e, por consequncia, do partido que queremos. nesse ponto que as divergncias so insuperveis, pois entra em jogo uma categoria de valores incompatvel com a pequena poltica.

Quando se alia a Acio Neves, o PSB renega seus compromissos programticos e estatutrios. Joga no lixo da histria a oposio que moveu ao governo FHC e o esforo de seus fundadores para instalar no solo da pauprrima poltica local uma resistncia de esquerda, socialista e democrtica.

No plano da poltica imediata, essa deciso que dividiu o PSB, talvez de forma definitiva, revoga a luta pela qual Eduardo Campos se fez candidato (e os pressupostos de sua tese, encampada lealmente por Marina Silva na campanha), a saber, a denncia da velha, nociva e artificial polarizao entre PT e PSDB, que s interessa, dizia ele, aos verdadeiros detentores do poder.

PEQUENA POLTICA

Como honrar esse legado tornando-se refm de uma de suas pernas, justamente a mais atrasada? O resto a pequena poltica, mida, a politicagem dos que, no podendo formular, reduzem o fazer poltico aos golpes e aos “golpinhos”, conquista das pequenas sinecuras das estruturas partidrias e promessa de recompensa nos desvos do Estado. Insistir nesse tipo de prtica outro erro.

Que a crise do PT sirva ao menos de lio. E quem no aprende com a histria est condenado a errar seguidamente. Alis, estamos em face de uma das fontes da tragdia brasileira: a viso mope, tomando o que acessrio como o principal, o episdico como o estratgico, a miragem como a realidade.

Nessa deciso em que o PSB jogou pela janela sua prpria histria e fez em pedaos a galeria de seus fundadores, movido pela busca do poder pelo poder, o partido renunciou ao seu futuro. Podendo ousar construir as bases do socialismo do sculo 21, democrtico, optou pela cmoda rendio ao statu quo. O partido renunciou tanto revoluo como reforma.

CAPITAL E TRABALHO

Um partido socialista no pode se conciliar com o capital em detrimento do trabalho, aceitar a pobreza nem a explorao do homem pelo homem, como se um fenmeno irrevogvel fosse. Um partido socialista no pode desaparelhar o Estado para melhor favorecer o grande capital, muito menos renunciar sua soberania e aliar-se ao capital financeiro internacional, que constri e que construir crises necessrias expanso do seu domnio. Ora, ao dar apoio a Acio Neves, o PSB resolveu se aliar social-democracia de direita, abandonando o campo da esquerda.

O pressuposto de um partido socialista o debate, o convvio com as diferenas e a prevalncia da lealdade e da tica. Quando esse tronco se rompe, impossvel manter a copa de p.

A vida partidria exige liturgia. Como presidente do Partido Socialista Brasileiro, procurei me manter equidistante das disputas, embora tivesse minha opo. Isento, ouvi as correntes e dirigi a reunio da comisso executiva que optou pelo suicdio poltico-ideolgico que no pude evitar.

Anfitrio, recebi, segundo meus princpios ticos, o candidato escolhido pela maioria. Cumprido o papel, estou livre para lutar pelo Brasil que sonhamos, convencido de que apoiar a presidenta Dilma Rousseff , hoje, nas circunstncias, a nica opo para a esquerda socialista, independentemente dos muitos erros do PT, no governo e fora dele.

6 thoughts on “Roberto Amaral diz que PSB renunciou ao seu futuro

  1. Esse dino pode levar seus milhes de votos de apoio ao pete. Quando uma nulidade reconhecida como esta coloca no seu curriculum que foi ministro do governo do pete, o que se deve pensar desse governo?

  2. Esse tal de Roberto Amaral , no pode e nem deve ser levado a srio.
    Para defender seus interesses , ( e quantos INTERESSES…) est confundindo lagartixa com relgio de parede. Ou, como diz Juca Chaves (O GRANDE JUCA) : confundindo crocodilo com jacar.
    Ou tambm, (conforme JUCA) , L com L, CR com CR : um sapato em cada p.
    Isso mesmo: fique no seu lugar. ”ELLES” se merecem.

  3. O PSB renunciou ao futuro quando passou a apoiar o PT incondicionalmente, na ventura e no banditismo. Ali o PSB deixou de existir e apenas segurou a ala do caixo. Agora, tem mais que enterrar o defunto.

  4. http://douglasyamagata.blogspot.com.br/2014/10/questoes-sobre-um-possivel-governo-de.html

    sexta-feira, 10 de outubro de 2014

    Questes sobre um possvel governo de Acio.

    Veja o que voc ir fazer com o seu voto. Depois no adianta chorar o leite derramado…

    Por Douglas Yamagata

    Muita gente deixou se empolgar pela TV e pela grande mdia, onde a ideia de que o pas est mal propagandeada 24 horas por dia. Mesmo sendo mentira, grande parcela da populao se deixa contaminar pelos noticirios.

    Muita gente no leva em conta o quo difcil foi para o Brasil chegar a um patamar de 7 maior economia do mundo e o quanto seria nefasto um retrocesso moda anos 90 na era FHC.

    bom lembrar, que muito se rotula o Bolsa-Famlia e discusses de cota e gnero (casamento gay etc…), e se esquece (ou no sabe) que muitas vezes o seu padro de vida mudou nes
    tes ltimos 12 anos, graas aos governos democrticos-populares de Lula e Dilma.

    Tem gente inclusive, que goza dos benefcios do Fies, Cincias sem Fronteiras, Programas Mais Mdicos, ou simplesmente cursa ou se formou em uma faculdade criada pelo governo Lula-Dilma, mas se ilude que o mesmo padro se manter no governo Acio.

    Desta forma, importante muita cautela neste momento, por que o pas no est ruim. A estrutura do pas est sendo concretizada, tais como ferrovias, aeroportos, hidreltricas, entre outros… E temos a possibilidade dar um salto enorme frente.

    No entanto, com Acio, temos muito a perder e retrocedermos muito alm da dcada de 90. Vejamos por qu:

    1) O PSDB LIBERAL: O PSDB no social-democrata como os tucanos pregam. Na realidade eles so liberais, cuja ideia principal a do estado mnimo, onde o governo deve interferir o mnimo possvel na sociedade e, principalmente, no mercado. Desta forma, os liberais se desfazem de tudo aquilo que pblico ou estatal.

    – O PSDB nunca serviu aos interesses do povo, mas sim aos interesses dos empresrios e do mercado.

    2) ENTREGA DO PATRIMNIO PBLICO – No governo tucano de Fernando Henrique Cardoso (FHC), vrias estatais foram vendidas iniciativa privada (privatizao), tais como a Cia. Vale do Rio Doce (que detm uma das maiores jazidas de minrio do mundo); vrias companhias de telecomunicao, como a Telesp, Telerj etc…; diversos bancos estaduais, como o Banerj e o Banespa (que foi vendido por 7 bilhes, quando s o seu patrimnio valia mais de R$30 bilhes), entre outras empresas importantes de abastecimento de gua e energia. Houve a tentativa de privatizar a Petrobrs, inclusive FHC j tinha dado o novo nome e se chamaria Petrobrx. Todas as vendas das estatais foram feitas por um preo muito mais baixo do que elas realmente valiam.

    – Ressalto que uma eventual volta do PSDB presidncia, certamente ir retornar o discurso de privatizaes daquilo que no conseguiram privatizar: Banco do Brasil, Caixa, Petrobrs etc…, sob o argumento de que empresa pblica um gasto desnecessrio ao pas. A lgica assim: eles deixam as empresas pblicas virarem “sucatas” e dar prejuzo e depois vendem barato. Convenhamos que setores estratgicos ao pas como gua, luz, telecomunicaes, bancos no deveriam jamais ser vendidas, mas os tucanos venderam a preo de banana. Certamente, eles iro querer vender o que resta de empresas pblicas.

    3) ESTADO MNIMO – Ainda na lgica do Estado Mnimo, o PSDB de Fernando Henrique sucateou a sade, a educao e a habitao, investindo o mnimo nestes setores para forar as famlias que tinham condies a procurarem servios particulares tais como os convnios mdicos, escolas particulares. Ou seja, oferecer uma pssima educao pblica e uma pssima sade pblica para que os empresrios (amigos deles) passassem a ganhar dinheiro com a sade e educao.

    – Em uma eventual volta do PSDB, diversos programas podero ser exterminados, tais como os programas “Mais Mdicos” e investimentos educao predestinados dos recursos do Pr-Sal . Alm disso, existe a possibilidade de extermnio de programas habitacionais como o “Minha Casa, Minha Vida”. Vale lembrar o recente sucateamento da USP (Universidade de So Paulo que pblica) promovido pelo governo tucano de Geraldo Alckimin, onde se aventa inclusive o pagamento de mensalidade pelos alunos.

    4) ARROCHO SALARIAL – Com relao aos salrios, pode-se dizer que os trabalhadores praticamente no tinham nem a reposio da inflao em seus salrios. Muitas empresas, ao invs de reajustar os salrios davam “abonos”, que era uma espcie de esmola aos trabalhadores.

    – Em 2013, o presidente do Ita, Roberto Setbal, afirmou que a soluo para conter a inflao era conter o reajuste de salrios e demitir funcionrios. Com o apoio de Marina Silva Acio Neves, h possibilidade real de que um eventual governo Acio ser de arrocho salarial, pois a principal apoiadora de Marina foi Neca Setbal, que uma das maiores acionistas e herdeira do Banco Ita.

    5) DESEMPREGO – O desemprego era algo assustador. Basta verificar que em 1999, a taxa de desemprego em So Paulo foi em torno de 19%. Nos anos FHC fomos o 2 pas em nmero de desempregados no mundo. O desemprego era tambm uma ferramenta para arrochar salrios, pois quem estava empregado tinha medo de perder o emprego, inibindo greves e mobilizaes por melhores salrios e condies de trabalho.

    – importante salientar que a taxa de desemprego no Brasil nos ltimos anos tem girado em torno de 4,5% a 5%. Alguns setores tm carncia de mo de obra, como o caso da construo civil. Ter a maioria das pessoas empregadas no interessante aos empresrios, pois com todo mundo empregado, os empresrios tm que pagar mais salrios. Ou seja, existem poucos desempregados no mercado, fazendo com que os empresrios tenham que se submeter ao salrio exigido pelos trabalhadores.

    6) SALRIO MNIMO – O salrio mnimo na poca de FHC tambm foi achatado. Basta ver que em 2002, ltimo ano de FHC, o salrio mnimo valia US$86,21 (medio em dlares). Hoje, em pleno governo Dilma, o salrio mnimo j vale em torno de US$300,00. Apenas no governo Lula, o salrio mnimo foi valorizado em 155% (em 2002 valia R$200,00 e em 2010 valia R$510,00).

    – O salrio mnimo importante no s ao trabalhador mais pobre, mas tambm ao aposentado. Na dcada de 90, FHC chamou os aposentados de “vagabundos” quando pressionado por aumentos nas aposentadorias. Alm disso, FHC criou o Fator Previdencirio, que uma espcie de “pedgio”, onde o trabalhador deve trabalhar um tempo a mais para se aposentar. A ideia de Marina Silva e que deve ser abraado por Acio a da desindexar o salrio mnimo da percentual da inflao. Ou seja, no pagar nem sequer a reposio da inflao, como aconteceu nos tempos de FHC. Alm disso, no se vislumbra em um governo Acio, a possibilidade do fim do fator previdencirio.

    7) FLEXIBILIZAO DAS LEIS TRABALHISTAS – O governo tucano de FHC inaugurou a poltica de aniquilamento das leis e direitos trabalhistas. O governo dele foi responsvel pelas terceirizaes e flexibilizaes nas leis trabalhistas (criao de banco de horas, contrato parcial de trabalho, suspenso de contrato de trabalho, formas de remunerao varivel, entre outras).

    – Os empresrios e o PSDB, argumentam que o custo do trabalho elevado, sendo necessrio flexibilizar a CLT e as leis e direitos trabalhistas para aumentar a competitividade. No entanto, o custo do trabalho no Brasil est entre os menores do mundo. As flexibilizaes das leis trabalhistas significa dar aos patres mais lucros e pagar menos salrios e direitos aos trabalhadores. H inclusive, diversos projetos de leis com o objetivo de terceirizar qualquer posto de trabalho, tanto pblico como privado. A mais famosa o PL 4330 que atualmente foi engavetado por presso dos trabalhadores. Marina Silva que apia Acio Neves uma das defensoras de que as leis trabalhistas devem ser mexidas. H tambm, projetos apoiados pelos tucanos, tais como o fim da multa de 40% sobre o fundo de garantia no momento da demisso. Sem contar com a inteno de muitos empresrios de acabar com as frias e 13 salrios, por exemplo.

    8) INDEPENDNCIA DO BANCO CENTRAL – Tanto Marina Silva e Acio Neves defendem a independncia do Banco Central. Isso significa dar iniciativa privada a prerrogativa de administrar a poltica econmica do pas, inclusive com poderes de administrar a inflao e a taxa de juros. Ou seja, tirar a prerrogativa do presidente em intervir na poltica econmica. Todos ns sabemos que Marina Silva tm a seu lado uma representante do Banco Ita que a Sra. Neca Setbal; e que Acio Neves tambm tm a seu lado Armnio Fraga, que foi ex-presidente do Banco Central. Ambos defendem que o Banco Central deve ser independente, ou seja, entregar a poltica econmica nas mos dos banqueiros.

    – A independncia do Banco Central deixar livre para que os bancos privados cobrem o quanto quiser de juros (taxa selic). Basta lembrar, que os bancos privados (Ita, Bradesco, entre outros) so os maiores detentores de ttulos pblicos. Os bancos ficaro livres para cobrarem os quanto quiser nas taxas de juros para ganhar mais dinheiro. Quando o governo Dilma baixou a taxa de juros para 7,5% os bancos foram os que mais reclamaram, pois estavam ganhando menos dinheiro. bom observar, que no governo Fernando Henrique a taxa de juros chegou a 45% e hoje em torno de 11% a 12%. Dar independncia ao Banco Central deixar os “lobos cuidarem das ovelhas”.

    9) REALINHAMENTO COM OS ESTADOS UNIDOS: O governo FHC tinha uma poltica econmica alinhada com o governo dos Estados Unidos. Na poca, FHC apoiou a proposta da Alca (rea de Livre Comrcio das Amricas), cuja inteno dos Estados Unidos era permitir que os produtos de qualquer pas das Amricas pudessem ser vendidos a baixo custo em qualquer dos pases signatrios da Alca. O pretexto era de que isso geraria competitividade entre as empresas e pases. No entanto, a proposta foi engavetada muito por conta dos movimentos sindicais e sociais, que viram na proposta da Alca uma oportunidade de domnio total dos Estados Unidos sobre os pases da Amrica.

    Tanto as proposta de Marina, quanto de Acio, defendem um realinhamento econmico e comercial com o Estados Unidos como os pases centrais. Se fosse aprovada a Alca na poca de FHC, o Brasil e pases da Amrica Latina, seriam invadidos por empresas e produtos estrangeiros o que levaria a falncia de diversas empresas locais e milhes de desempregos. No entanto, mesmo no se consolidando a Alca, FHC facilitou a entrada de produtos estrangeiros, levando a falncia de milhares de empresas brasileiras. Desta forma, o que se vislumbra com um governo tucano a volta dessas propostas, o que significa uma verdadeira entrega da soberania econmica e comercial do pas nas mos do governo estadunidense, transformando o Brasil e a Amrica Latina numa espcie de “quintal” dos Estados Unidos.

    10) CONCLUSO – Legitimar um possvel governo Acio significa retroceder 12 anos em apenas 4 anos. Na viso liberal do PSDB, no se valoriza as questes sociais, apenas a questo econmica voltada para o grande capital (grandes bancos, investidores e empresrios). Significa seguir modelos ortodoxos, cortando gastos sociais e o mnimo investimento do Estado no pas. Significa aniquilar de vez a soberania do pas, deixando que a economia siga conforme o gosto dos donos do grande capital. A inflao, a taxa de juros e o desemprego sero as grandes ferramentas de controle para manipulao da sociedade. Observa-se atualmente que a Europa tem seguido estes modelos ortodoxos, com forte desemprego, retirada de direitos trabalhistas e direitos sociais da populao. Este o caminho a ser trilhado por um eventual governo Acio, pois pouco importar se as pessoas estaro empregadas ou se as pessoas tero os seus direitos assegurados. O que importar o enriquecimento das grandes empresas (talvez somente as estrangeiras), dos bancos e dos grandes especuladores financeiros. Neste momento de crise mundial, o Brasil tem conseguido se superar, onde o governo Dilma tm formulado “receitas caseiras” para que a sociedade no seja atingida pela crise. Mas com a poltica que surgir com Acio, tudo isso se desmantelar e seguir a mesma receita dos pases europeus. Portanto, se voc acha que est ruim, tudo poder ficar muito pior.

    Veja o que voc ir fazer com o seu voto. Depois no adianta chorar o leite derramado…

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