Roberto Jefferson entra numa briga inútil, tentando segurar o mandato de Temer

BRASILIA, DF, BRASIL, 13-04-2017, 14h30: Entrevista com o Presidente PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) Roberto Jefferson Monteiro Francisco, na sede do partido em Brasília DF (Foto: Igo Estrela/Folhapress, PODER)***EXCLUSIVO*** ***ESPECIAL***

Jefferson diz que Temer é acusado “injustamente”

Carlos Newton

O ex-deputado Roberto Jefferson está de volta à política com força total. Cassado em 2005 e condenado a 7 anos e 14 dias de prisão por receber R$ 4,5 milhões do chamado “valerioduto”, cumpriu mais de um ano em regime fechado, mas depois conseguiu que o Supremo perdoasse o restante da pena. Teve graves problemas de saúde, foi operado de câncer no pâncreas, com retirada de parte do duodeno, mas se recuperou, reassumiu a presidência do PTB, que mantém como se fosse um cargo vitalício, e se tornou um dos maiores aliados do presidente Temer.

PRESSÃO DIRETA – Jefferson está influindo diretamente para que o pedido de processo contra Temer seja rejeitado na Comissão de Constituição e Justiça na Câmara, de forma a facilitar sua recusa pelo plenário da Câmara. Nesse sentido, determinou ao líder do PTB, o deputado goiano Jovair Arantes, que pressione as demais lideranças da base aliada para que substituam todos os titulares e suplentes da CCJ que pretendam votar contra Temer.

Jefferson aposta na possibilidade de o atual presidente continuar no poder até o final do mandato em 31 de dezembro de 2018. Por isso, transformou o PTB num partido que apoia o governo de forma incondicional.

Neste ano, Jefferson já se reuniu com Temer quatro vezes, para garantir ao PTB a parte que lhe toca no latifúndio político federal, visando a formar uma forte bancada na eleição de 2018, quando o ex-deputado pretende ser candidato, junto com a filha, Cristiane Brasil, que é vice-líder na Câmara.

AFASTAR OS REBELDES – Atualmente, o PTB tem 17 deputados federais e formou um bloco parlamentar com o PROS, PSL e PRP, com 24 integrantes no total. A liderança do bloco foi oferecida ao deputado Eros Biondini (PROS-MG), mas quem manda mesmo é Roberto Jefferson, através do líder petebista Jovair Arantes, que ganhou visibilidade nacional como relator do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara.

Por determinação direta de Jefferson, o líder Arantes cobrou das demais lideranças do governo um controle radical sobre os membros da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), para evitar traições a Michel Temer e acelerar a análise da denúncia contra o presidente, para que seja rejeitada o mais rápido possível. A intenção é substituir os deputados que sejam a favor da abertura do processo.

ACELERAR A DECISÃO – Temer sonha em fazer a Câmara rejeitar logo o processo, mas tudo tem seu tempo. O presidente da CCJ, Rodrigo Pacheco (PMDB-MG), quer disputar o governo de Minas em 2018, está adorando a visibilidade e vai valorizar ao máximo os trabalhos da Comissão, com a cumplicidade de Rodrigo Maia, que já está convencido de que Temer não conseguirá resistir.

No Congresso, todos sabem que as explosivas delações do doleiro Lúcio Funaro e do ex-deputado Eduardo Cunha logo serão reveladas, destruindo o que ainda resta da imagem de Temer, se é que ainda sobrou alguma coisa.  Mas Roberto Jefferson acha que Temer não é cavalo paraguaio e pode conseguir se segurar. É um dos poucos que ainda acreditam nisso.

O presidente do PSDB, Tasso Jereissati, acha que Temer não tem mais condições de permanecer e está conduzindo os tucanos a debandar. O principal, segundo Jereissati, é manter a equipe econômica e evitar maiores turbulências, com Rodrigo Maia assumindo a Presidência e tocando o barco.

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PSTasso está com a razão, precisa ser ouvido. Temer não possui condições de governar e o mais importante é garantir a estabilidade do país. Jefferson vai quebrar a cara, mas logo dará a volta por cima e fará um acordo com o presidente interino Rodrigo Maia, para continuar garantindo a parte que lhe toca no latifúndio federal. O Brasil é assim. Justamente por isso, os analistas estrangeiros não conseguem entender como funciona a Tropicália. (C.N.)

17 thoughts on “Roberto Jefferson entra numa briga inútil, tentando segurar o mandato de Temer

  1. Uma coisa é certa. Achemos o que quiser do Roberto Jefferson, esse cara é corajoso. Não tem medo de assumir posições, foi um dos poucos a defender o Collor em 1992, se não fosse ele e sua delação não teria existido o processo do Mensalão, a cassação e a prisão de José Dirceu e agora novamente dá mostras de coragem. Nem estou discutindo se ele está certo ou errado, mas respeito muito gente assim.

  2. O país é dos bandidos. Somente o povo ou as forças armadas. Enquanto isso, os bandidos vão tirar tudo do país, seu suor, sua aposentadoria, sua saúde, tudo, não restará nada. Vejam o déficit fiscal onde está? Sairão do país e vão viver no exterior com o dinheiro surrupiado do suor brasileiro, garantindo as próximas dez gerações. Mas, o povo é culpado por sua lerdeza. Falar nisso, fim de semana tem futebol e carnaval fora de época. O povo brasileiro tem o que merece.

  3. Este sujeito é desprezível, o mensalão que o diga, afinal, cadê os R$ 4,5 milhões que recebeu para o partido PTB, nada foi apurado, não ficou nem 1 ano em cana, entregou todo o esquema, mas participava também, apareceu doença e foi para prisão domiciliar e depois absolvido, esta nossa justiça é uma piada, continua dando pitacos na política, que país nós estamos passando para os jovens, podem roubar que a impunidade é garantida.

  4. Bem lembrado por Carlos Vicente, de que Jefferson, foi o primeiro “malvado preferido” a cair no gosto do povo, aplaudido como político corajoso que detonou o Mensalão, deixando Lula nas cordas…

    Acredite quem quiser. Nas redes sociais, mereceu, inclusive, apelos para se candidatar presidente da República.

    Fazendo coro com o Moderador, fica complicado para os correspondentes estrangeiros entenderem o explicarem no exterior, o que é o eleitor- cidadão brasileiro. Dose…

  5. “Tasso está com a razão, precisa ser ouvido”.
    Tasso é aquele que dizem ter quebrado o Banco do Ceará quando governador?
    Aquele que o Hélio Fernandes dizia que tinha um processo contra ele engavetado no Supremo?
    Ou é aquele que a Isto É ou a Carta Capital o chamava de Coronelzinho dos olhos azuis?

    “O Brasil é assim”.
    Realmente, o Brasil é assim mesmo!

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