Robin Hood ou Hood Robin?

Carlos Chagas

Alta manhã de ontem, depois dos desfiles das Escolas de Samba, diversos carnavalescos foram flagrados em discussão acirrada num botequim da Avenida Presidente Vargas, ao lado da Central do Brasil, no Rio. Entre sucessivos goles de cerveja gelada para livrar-se do calor e do stress da disputa de horas antes, membros da Mangueira, Beija-Flor, São Clemente e outras esperavam o trem elétrico.

Lamentavam haver esquecido de homenagear o Lula, na passarela. Um neguinho com todas as evidências de ser mais um companheiro, protestava contra os enredos apresentados, dizendo que se alguma escola tivesse escolhido o ex-presidente como tema, ninguém conseguiria segurar as arquibancadas. Discutia com uma baiana gorda quando um mestre-sala, já despojado das plumas e paetês, fez pergunta fundamental: “E como o Lula seria apresentado?”

Logo uma passista gostosa mas então suarenta, com curso superior, atalhou: “Ora, o Lula teria que aparecer como Robin Hood, porque desde a Floresta de Sherwood não apareceu no mundo maior distribuidor de renda, tirando dos ricos para dar aos pobres!”

Tudo se encerraria ali, não fosse o integrante de uma bateria, com o surdo no colo, completar: “Não seria melhor ele fantasiar-se de Hood Robin, o que tira dos pobres para dar aos ricos?”

Revela-se o episódio porque esta semana o empresariado fará chegar à presidente Dilma vasto protesto organizado contra a política econômica do ministro Guido Mantega. Os ricos jamais ganharam tanto dinheiro como no governo Lula, importando menos saber tirado de onde, mas agora ressentem-se de estar ganhando menos. Só que os pobres também se queixam. Nem Robin, nem Hood. Melhor deixar as escolhas de temas para desfile quando estivermos mais próximos do novo Carnaval…

UM FUTURO BRILHANTE

Quem será que, no Congresso, vem sendo tido como um político de futuro brilhante, só que atrás dele, quer dizer, no passado? São vários os exemplos de deputados e senadores que, nas eleições de 2010, despontavam como promessas fulgurantes, nos quais todo mundo fazia fé, mas agora enfiaram-se nos grotões, sem ter mais o que dizer ou propor. Tanto faz procura-los nos partidos da situação ou da oposição, pois existem aos montes…

UM PASSADO OBSCURO

Também podem ser encontrados no Legislativo aqueles sobre os quais, tempos atrás, indagávamos para onde teria ido o Brasil sem eles. Só que agora perguntamos: para onde vai o Brasil, com eles?…

O SECRETÁRIO-GERAL

Décadas atrás, nos tempos da União Soviética, foi convidado para visitar Moscou um importante governador, de um dos maiores estados do Brasil. Ele caprichou na comitiva, selecionando mais de vinte secretários, auxiliares e empresários. Antes de partir, verificou necessitar de um fotografo para registrar detalhes de périplo tão decisivo para o seu futuro. Onde, porém, colocá-lo no grupo sem melindrar os anfitriões, que formalmente haviam informado dever todas as fotografias ser providenciadas por eles? O governador decidiu incluir seu fotografo como “secretário-geral da comitiva”, função inexistente e, nas aparências, secundária.

Instalados na capital russa, num hotel tido como o paraíso do proletariado, o governador conformou-se com o quarto espartano a ele dedicado, com cama, armário e pia, sem mais nada. Ia passando pelo corredor quando passou pela porta do aposento destinado ao fotografo. Ficou com pena, pois se suas instalações eram tão pobres, as do auxiliar deveriam ser piores. Entrou e extasiou-se. Salas, salinhas e salões estavam à disposição do espantado fotógrafo, mais um mordomo, diversos garçons e arrumadeiras, além de um somelier pronto para servir os melhores vinhos.

Mais tarde, o governador teve a explicação: na URSS, o secretário-geral era sempre a figura exponencial. Assim também para as delegações visitantes…

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