Rodrigo Maia critica exclusão da Folha em concorrência, determinada por Bolsonaro

Resultado de imagem para rodrigo maia"

Rodrigo Maia diz que é uma sinalização que afasta investidores  

Danielle Brant, Gustavo Uribe e Angela Boldrini
Folha

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira (28) que a Folha deveria se retratar do que qualificou de “males e calúnias” à sua pessoa. A declaração foi dada ao ser questionado sobre os critérios técnicos utilizados pela Presidência para excluir o jornal da relação de veículos nacionais e internacionais exigidos em um processo de licitação para fornecimento de acesso digital ao noticiário da imprensa.

Ao chegar ao Palácio da Alvorada, o presidente parou para falar com apoiadores e só respondeu de longe às perguntas feitas pelos jornalistas.

DESCONHECE – No dia 31 de outubro, Bolsonaro anunciou que havia determinado o cancelamento de todas as assinaturas da Folha no governo federal.

Questionado sobre o critério técnico utilizado para deixar a Folha de fora da licitação, Bolsonaro afirmou não poder saber o acontece “nos pormenores de 22 ministérios”. Ao ser indagado se foi consultado sobre a decisão, não respondeu imediatamente. Mais tarde, ironizou e disse: “a manchete vai ser amanhã ‘não foi consultado sobre tal decisão’”.

Questionado novamente sobre o motivo de o jornal ter sido excluído, ele disse: “Eu quero pedir à Folha que retrate todos os males e calúnias que fez contra a minha pessoa”.

ASSINATURAS – Edital do pregão eletrônico publicado nesta quinta-feira (28) no Diário Oficial da União prevê a contratação por um ano, prorrogável por mais cinco, de uma empresa especializada em oferecer a assinatura dos veículos à Presidência.

A lista cita 24 jornais e 10 revistas. A Folha não é mencionada. O pregão eletrônico, marcado para 10 de dezembro, tem um valor total estimado de R$ 194 mil: R$ 131 mil para jornais e R$ 63 mil para revistas.

O edital prevê, por exemplo, 438 assinaturas de jornais, sendo 74 de O Globo e 73 de O Estado de S. Paulo. Em relação às revistas, a exigência é de 44 acessos digitais à Veja, 44 à IstoÉ, além de 14 à Carta Capital. Também estão no edital veículos internacionais, como o The New York Times e o El País.

MAIA CRITICA –  O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), afirmou que é equivocada a decisão da Presidência. “Eu acredito primeiro que é uma decisão equivocada, um erro. É exatamente nas críticas que recebemos que construímos certamente projetos melhores. É uma sinalização ruim em respeito à liberdade de imprensa e acho que também uma sinalização ruim mais uma vez para aqueles que querem investir no Brasil a assessoria do governo tomar uma decisão dessas”, disse Maia.

“Acho que do ponto de vista prático o Congresso não pode fazer nada, mas acredito que certamente os órgãos de controle vão avaliar se é uma decisão que o Estado brasileiro pode tomar, de fazer uma licitação que não é impessoal”, ressaltou.

Quando Bolsonaro anunciou a decisão de cancelar as assinaturas do jornal, o Ministério Público de Contas, que atua perante o TCU (Tribunal de Contas da União), pediu à corte que apure possível desvio de finalidade na ordem dada pelo presidente. Em representação, o subprocurador-geral do órgão junto ao tribunal, Lucas Rocha Furtado, pediu também que a determinação fosse suspensa por meio de uma medida cautelar.

MAIS CRÍTICAS – Nesta quinta, Furtado criticou a decisão de Bolsonaro. “Não conheço como alguém pode simplesmente ser excluído de uma licitação”, disse. Com base na representação, o tribunal abriu um processo para analisar a conduta do presidente. O caso ainda não foi julgado. O subprocurador avalia pedir ao TCU uma medida cautelar para suspender a licitação ou mesmo para que o governo inclua a Folha na lista de veículos assinados.

“O governo federal age contra os princípios da moralidade e impessoalidade que devem nortear a administração pública. Com a atitude, agride toda a imprensa brasileira, e não apenas a Folha”, diz Taís Gasparian, advogada da Folha. Procurada pela Folha, a Presidência da República ainda não informou o motivo da ausência do jornal no processo de licitação e o critério técnico adotado.

REPRESENTAÇÃO – O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) afirmou que protocolará nesta sexta (29) uma representação contra o governo federal na PGR (Procuradoria-Geral da República) e no TCU (Tribunal de Contas da União).

“Acho que fere princípios constitucionais, principalmente o da impessoalidade. As licitações não podem excluir nenhum tipo de concorrente”, disse. “E é um ataque frontal à liberdade de expressão e de imprensa.”

A representação diz que o governo visa “claramente tolher a liberdade de imprensa, censurando-a previamente, o que configura, como dito, grave ataque ao Estado democrático de Direito”.

Além disso, afirma que a atitude do governo aponta que “o poder está sendo utilizado de forma inadequada e em frontal contrariedade aos princípios albergados pela administração pública”.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Em sua ignorância, Bolsonaro se julga todo-poderoso. Talvez mais à frente ele descubra que é um servidor público como qualquer outro, pago por nós. (C.N.)

12 thoughts on “Rodrigo Maia critica exclusão da Folha em concorrência, determinada por Bolsonaro

  1. O Botafogo , quando está atendendo os anseios da boa e velha esquerdinha, é melhor que Jesus Cristo.

    Os gringos já sabem que este apís é um shit hole. Isto sem ver a coisa toda.

    • Não é atoa que tá rolando um papo que o velho tá enlouquecendo e tão achando melhor pra logomarca da quadrilha petista que o velho volte pra Curitiba.
      Ele na vitrine da mais ibope.

  2. Parabéns ao jovem Rodrigo Maia pela clarividência e firmeza de atitudes, repudiando o desprezível ato de Bolsonaro. Espero manifestações firmes da ABI, sindicatos, etc. Inclusive da ABL e OAB.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *