Romero Jucá (ele, sempre ele) torna-se líder do governo Dilma, justamente quando está sendo alvejado por uma nova série de denúncias em Roraima.

Carlos Newton

A pretexto de evitar que as insatisfações no PMDB prejudiquem a eleição do deputado Marco Maia (PT-RS) à presidência da Câmara, em fevereiro, a presidente Dilma Rousseff decidiu manter o senador Romero Jucá (PMDB-RR) na liderança do governo no Senado, e a permanência do peemedebista já foi até “aprovada” por seu partido, como se o PMDB tivesse que aprovar uma escolha da Presidência da República, seja ela qual for.

A decisão veio confirmar uma piada-gozação feita no início de outubro pelo senador Pedro Simon, e que à época foi registrada por Helio Fernandes aqui no blog. Simon estava discursando da tribuna quando Romero Jucá entrou no plenário. O senador gaúcho aproveitou para cumprimentá-lo por ter sido reeleito em Roraima e alfinetou: “Agora, vamos aguardar o segundo turno entre Dilma e Serra. Aliás, qualquer um que for o ganhador, vossa excelência será o líder do governo nessa Casa…”

Não deu outra. Líder dos governos FHC e Lula, o “camaleão” Jucá foi convidado por Dilma mesmo sendo novamente alvo de denúncias de graves irregularidades em Roraima – onde controla a política local e um império de comunicações, comandado por aliados e parentes.

Segundo o lobista Geraldo Magela da Rocha, que se apresenta como “ex-laranja de Jucá”, o senador fraudou documentos e assinaturas para viabilizar a outorga da concessão da TV Caburaí, concedida à Fundação de Promoção Social e Cultural de Roraima em março de 1990, e transferida para a Buritis Comunicações, controlada por Rodrigo Jucá (filho do senador).  O “ex-laranja” explica que a outorga foi feita por José Sarney em 1989, no penúltimo dia como presidente da República.

No âmbito estadual, o promotor de Justiça Luiz Carlos de Lima investiga há sete meses as acusações de irregularidades na cessão da outorga, que foi confirmada por portaria assinada pelo então ministro das Comunicações Hélio Costa em dezembro de 2009.

Investigações do Ministério Público estadual apontam o senador como proprietário indireto também da TV Imperial, da Record, bem como da Rádio Equatorial 93,3 FM.

Para driblar a legislação (deputados e senadores são expressamente proibidos de possuírem rádios e televisões), nenhuma das emissoras está em nome de Jucá. O controle legal da TV Imperial e da Rádio Equatorial, por exemplo, pertence ao radialista Emílio Surita, do programa “Pânico” da Rádio Jovem Pan e RedeTV!, irmão de Teresa Jucá, ex-mulher do senador e que em 2010 foi a quarta deputada federal mais votada do país, proporcionalmente.

Um dos maiores adversários de Jucá é o deputado estadual Mecias de Jesus (PR), presidente da Assembleia Legislativa. Ele garante que as duas emissoras não só pertencem ao senador, como também funcionam no mesmo endereço, antiga residência de Jucá na capital, Boa Vista.

As denúncias são graves porque a hegemonia do clã Jucá em Roraima explica-se, principalmente, pelo controle dos meios de comunicação. Sua afiliada da Rede Bandeirantes está presente em 8 dos 15 municípios do Estado, enquanto a TV Imperial/Record chega aos lares de 65% da população do Estado, ou seja, as 300 mil pessoas que vivem na capital.

O “ex-laranja” Magela esteve à frente da TV Caburaí até 2003 (embora, no papel, tenha figurado como gestor até 2009). Depois disso, a emissora à propriedade de Rodrigo Jucá, que detém 95% das cotas sociais da Buritis Comunicações Ltda. Magela contesta a legalidade dessa transação, alvo de investigação do MP estadual.

Embora a Buritis tenha sido criada em 2001, a empresa não aparece na declaração de bens de Rodrigo Jucá à Justiça Eleitoral – documento essencial para validar a candidatura dele nas eleições de outubro, quando foi eleito deputado estadual.

O Ministério Público Estadual também apura a falsificação de documentos, através do confronto das assinaturas do ex-presidente da Fundação de Promoção Social e Cultural, Getúlio de Souza Oliveira, em duas atas da entidade. A discrepância entre elas é flagrante, e o “ex-laranja” Magela acusa Jucá de fraudar os documentos, que indicam Márcio Oliveira, filho de Getúlio, como sucessor no comando da entidade.

Apesar de todas essas denúncias e de muitas outras em seu nebuloso passado político, Romero Jucá está confirmado como líder do Governo. Mas será que não existe no PMDB nenhum senador de antecedentes mais adequados? Ou será Jucá um inigualável Super-Homem da política, sempre pronto a defender qualquer governo, seja qual for?

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *