Rompimento de Bolsonaro com o PL pode levar Valdemar Costa Neto a apoiar Lula

Bolsonaro admitiu se filiar a qualquer um dos partidos de sua base

Pedro do Coutto

O presidente Jair Bolsonaro deu um prazo ao PL, de Valdemar Costa Neto, para atender as exigências que fez a respeito de acordos regionais do partido com correntes de apoio a Lula e a João Doria nas disputas para os governos estaduais em 2022. Está evidente que o PL não está propenso a aceitar tais exigências, sobretudo porque Bolsonaro, de acordo com reportagem de Daniel Guilino. Julia Lindner, Natália Portinari e Bruno Góis, O Globo de ontem, dirigiu-se também a outros partidos de sua base admitindo ingressar em qualquer um deles para viabilizar a sua candidatura à reeleição.

Tal situação encurrala o PL, o que faz com que a legenda esteja propensa a dirigir apoio partidário em favor de Lula da Silva. Houve, como se constata nos fatos, uma precipitação nos entendimentos entre Bolsonaro e o comando do PL, cuja bancada na Câmara Federal é expressiva, mas não é expressiva quanto aos governos estaduais, só ocupando um deles.

RECONCILIAÇÃO – Na Folha de S. Paulo, a reportagem sobre o assunto é de Fábio Zanini, Marianna Holanda e Mateus Vargas. De outro lado, o ex-presidente Lula da Silva  voltou a elogiar o ex-governador Geraldo Alckmin, sustentando que em matéria política quase todas as situações podem conduzir à reconciliação.

Frisou referindo-se certamente à disputa que travou pela Presidência da República em 2006 quando enfrentou o então governador de São Paulo. Alckmin está deixando os quadros do PSDB e um dos seus objetivos políticos é derrotar João Doria, e que no pleito de 2018 apoiou Bolsonaro, esquecendo-se de que foi eleito governador pelo apoio de Alckmin.

ACORDO – A mágoa de Alckmin ficou flagrante no desenrolar do primeiro turno da campanha presidencial em que Bolsonaro se elegeu. Pelas declarações de Geraldo Alckmin, ele se encontra propenso a aceitar o convite que nitidamente está sendo feito pelo líder do PT. Sua candidatura a vice pesa favoravelmente à candidatura de Lula, não só pelos votos paulistas, mas também pelo acordo entre a esquerda e o centro político partidário.

Na realidade, opinião minha, Lula não é da esquerda, pelo contrário. Mas é considerado pelos direitistas e até centristas como tal. O acordo com Alckmin funciona para neutralizar esse aspecto e com isso acrescentar-lhe votos na disputa de 2022 pela Presidência da República, em seu projeto de retorno ao plano alto do Planalto.

TERCEIRA VIA – O lançamento da candidatura do ex-juiz Sergio Moro também à Presidência da República na realidade explode a própria terceira via pela divisão de votos que vai acarretar nas urnas de 2022. A posição de Moro é difícil, pois ele não pode, num eventual segundo turno, apoiar nem Bolsonaro, que o demitiu do Ministério da Justiça e é por ele processado no STF, ou mesmo pode apoiar Lula, uma vez que o condenou à prisão.

Assim, surge uma dúvida sobre qual será a posição real do ex-ministro da Justiça. Sobre esse aspecto é um bom artigo o de Cristina Serra, publicado na Folha de S. Paulo de ontem, quando lembra principalmente que Sergio Moro cometeu um grande erro acreditando que no poder o presidente eleito cumpriria os compromissos do candidato. Por isso, aceitou o Ministério da Justiça comprometendo-se como avalista de um governo que se transformou na principal peça de oposição a si próprio.

AVALIAÇÃO NEGATIVA – João Pedro Pitombo, Folha de S. Paulo, com base em estudo da Quest Consultoria, revela que a avaliação negativa do governo Bolsonaro supera 50% na grande maioria dos estados. A reportagem inclui um quadro estatístico sobre as posições em cada unidade da federação, incluindo Brasília.

O estudo praticamente confirma a mais recente pesquisa do Datafolha que apontou  uma avaliação negativa de Bolsonaro da ordem de 53% em todo o país contra a aprovação de 31%. João Pedro Pitombo acrescenta que por esse panorama está acontecendo um esvaziamento progressivo de correntes que apoiaram Bolsonaro nas urnas de 2018. Política é assim, a candidatura de Jair Bolsonaro não está entusiasmando os setores da opinião pública, exceto os radicais que o apoiam em qualquer circunstância.

ITAIPU E A ENERGIA SOLAR – A repórter Denise Lima, o Estado de S. Paulo, afirmou ontem que a energia solar instalada no país já atinge praticamente a metade da energia gerada por Itaipu, a segunda hidrelétrica do mundo, somente superada em produção pela de Três Gargantas , na China.

Sugiro a Denise Lima que confronte os dados que lhe chegaram às mãos com a estatística de Furnas que transmite a energia de Itaipu para o Brasil ou então confronte os dados com os da Eletrobras. A energia solar pode estar avançando, mas está muito longe da metade da produção da binacional de Itaipu. A fonte que a informou equivocou-se. Na frente da energia solar, além do sistema hidrelétrico para o qual Itaipu contribui , coloca-se também a energia eólica.

BOLSONARO E GUEDES EM DUBAI – Em sua coluna de ontem no O Globo, Miriam Leitão destaca diretamente as inverdades ditas em Dubai pelo presidente Bolsonaro sobre o desmatamento na Amazônia e o crescimento da economia brasileira que, em sua visão, contribuiu para reduzir o desemprego.

As palavras de Bolsonaro foram seguidas, é claro, por Paulo Guedes, ministro da Economia que afirmou que o problema da inflação é assunto de Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central. Esqueceu, lembra Miriam Leitão, que o problema é também no Ministério da Economia. Bolsonaro disse que a Floresta Amazônica encontra-se perfeitamente igual a de 1500 quando Álvares Cabral chegou ao país. Como é possível um presidente da República fazer tal afirmação?

9 thoughts on “Rompimento de Bolsonaro com o PL pode levar Valdemar Costa Neto a apoiar Lula

  1. Sempre afirmei que Lula é um Maragato tal como Getúlio, como Jango e como Brizola.
    Ser Maragato é querer o bem de todos, incluindo estancieiros, latifundiários, e porque não os banqueiros? Mas todos trabalhando juntos para o bem coletivo.

    • Banqueiros.?
      Tais brincando.
      Nos (des) Governos Corruptos dos Irmãos Metralhas, FHcorrupto e Luladrão, os banqueiros nadaram de braçada.
      Nunca ganharam tanto em tão pouco tempo.

    • Tudo se encaminha para Alkimin se tornar o José Alencar 4.0 de Lula em 2022.
      Se o acordo for fechado, a chapa se tornara imbatível. Esse acordo com a direita Paulista é uma nova Carta aos Brasileiros.
      Também fico ombro a ombro na tese de Pedro do Couto, de que LULA nunca foi esquerdista. Isso é a maior falácia do século.

  2. Parece redundância, na verdade é mesmo, pois tenho que concordar de novo com Pedro do Couto.
    O PL é a noiva que interessa Bolsonaro, mas, ele não é do ramo, ficando nervosinho com o toque do 02 sobre críticas de bolsonaristas nas redes sociais.
    Ora, um bom acordo é aquele que serve para os dois lados. Se o PL não fizer coligações nos Estados sairá menor do que agora. O comando do PL não pode ceder, pois sua bancada perderá deputados, se transformando em nanicos em 2022. Acho, que por aí, não haverá negociação. Bolsonaro acha também, que perderá votos em São Paulo e no Nordeste
    Acho, que Bolsonaro tem que procurar uma terceira via, que pode ser o PP.

  3. Bolsonaro marcou um gol de placa, quando detonou dois traidores: Dória e Witzel.
    O Mito foi implacável, principalmente com o ex governador do Rio de Janeiro, o ex- juiz Wilson Witzel.
    Parece, que o presidente vibra quando destrói juízes que abandonam a magistratura para entrar na política.
    Ele não vai descansar, enquanto não derrotar o ex juiz, Flávio Dino, atual governador do Maranhão.

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