Rompimento de Cunha obriga Temer a sair da coordenação política

“Manda fazer logo o terno da posse”, sugere Cunha

Pedro do Coutto

Afirmando-se indignado com a revelação do consultor Júlio Camargo de ter-lhe entregue uma propina de 5 milhões de dólares pela contratação de empresa especializada em sondas pela Petrobrás, o deputado Eduardo Cunha, logo na manhã de sexta-feira, através da GloboNews, anunciou seu rompimento com o governo Dilma Rousseff, o que praticamente obriga o vice Michel Temer a sair da tarefa de coordenador político do Planalto. Uma coisa leva a outra.

O presidente da Câmara Federal atirou em várias direções, mas principalmente atribuiu ao Poder Executivo a iniciativa de atingi-lo levando a Procuradoria-Geral da República a aceitar e divulgar a denúncia. Acusou igualmente o titular da PGR, Rodrigo Janot, de obrigar Camargo a mentir, reportagem de Júnia Gama e Maria Lima. O Globo, edição de 17, assumindo assim a responsabilidade direta e pessoal pela acusação deferida, por sinal das mais graves. Partiu ainda contra o juiz Sérgio Moro. Completou, portanto, uma sequência de ataques para se defender.

O reflexo político do episódio é enorme. Sobretudo porque, no mesmo dia, matéria de André de Souza, também publicada no Globo, revela que a Procuradoria da República em Brasília, abriu inquérito contra o ex-presidente Lula, acusando-o de tráfico de influência em favor da Odebrecht na obtenção de contratos de obras no exterior com financiamento do BNDES. A procuradora Mirela Aguiar é a autora da iniciativa.

GOVERNO CERCADO

O governo, assim, viu-se cercado por todos os lados, além de perder inevitavelmente sua base parlamentar no Congresso. A maioria no legislativo, como num passe de mágica, transformou-se em minoria. Em matéria de apoio Dilma Rousseff, agora, pode contar com quem? Não se sabe. E o vazio se ampliará a partir do instante em que Michel Temer formalizar sua saída do cargo de coordenador político.

Não pode permanecer. Sua permanência, aliás, dividiria seu próprio partido entre as correntes que vão ficar ao lado de Eduardo Cunha e aqueles dispostos a continuar na expectativa de uma convocação por parte do Planalto. Opção inviável. Pois se tal convocação não se concretizou até agora, nada indica que a concretizaria amanhã. Dessa forma, a presidente Dilma Rousseff permanece sem uma saída política visível dentro do nevoeiro que passou a envolver a cidade de Brasília. Além de tudo isso que está acontecendo, acrescente-se a forte reação popular contra sua administração e a maneira de conduzir o país.

FALTA DE CONTROLE

A impressão que se tem é que o Poder Executivo ingressou numa área de falta de controle, que se reflete numa sensação de instabilidade bastante acentuada em termos de exercício do o poder. Dilma Rousseff não consegue livrar-se das pressões que se apertam à sua volta e não possui fatos favoráveis capazes de proporcionar romper o ciclo negativo em que se encontra. Quais os argumentos de que dispõe? Podem até existir, mas deles nada se conhece. O Brasil acorda e adormece todos os dias e noites numa atmosfera de tensão cada vez maior, igual ao crescimento da impopularidade do governo que está com sua atuação colidindo com quase todas as correntes da sociedade, sem distinção de classes sociais.

Na verdade, todo mundo tem algo a reclamar, a insatisfação generaliza-se. Essa visão é geral. Impossível que somente o Planalto não perceba tanto a profundidade quanto a extensão da crise. A população brasileira já percebeu a gravidade que domina o país.

25 thoughts on “Rompimento de Cunha obriga Temer a sair da coordenação política

  1. Licença: Poesia numa hora dessas?

    Domingo Esportivo

    Não Importa a Divisão
    Tem Verde e Branco
    É time do Coração.

    Comentário: Pedro do Coutto, vc escreve bem, mas eu penso que não vai haver rompimento nenhum …

  2. O único rompimento teria de ser o deputado religioso-corrupto sair do congresso e “se romper” na cadeia. lugar onde devia ter sido sua residência desde os tempos do primo do marco aurelio…..

  3. O governo acabou antes mesmo de começar. E só não havia acabado no primeiro mandato por ter encoberto muito bem sua incapacidade administrativa através da blindagem promovida por sua base aliada (leia-se pmdb), que agora se desinteressou.

  4. O Pedro do Coutto está fornecendo informação errada. Não foi a procuradora Mirela que instaurou o Procedimento de Investigação Criminal (PIC) contra Lula. Esta procuradora está de férias. O autor do PIC foi um procurador do MP que nem era seu substituto legal. A matéria cujo link segue ao lado esclarece o assunto e desmente e corrige a informação errada do Pedro do Coutto. Link: http://www.ebc.com.br/noticias/politica/2015/07/defesa-de-lula-pede-suspensao-de-inquerito-aberto-no-ministerio-publico

    • A EBC dos pelegões da pena… Basta ver que na EBC há um chefe aspone para cada 3 funcionários de carreira, fora os que são contratados como pessoas jurídicas, com salários de até R$ 55.000,00 / mês. O oba oba na EBC é tão gigante que eles já tentaram transformar os seus dados em segredo de Estado por 100 anos !

  5. Discordo, não acho que necessariamente o Temer deva sair. Na verdade acho que ele quer ficar no palco quando as cortinas abrirem. Ou se fecharem.

  6. Já que se fala tanto em “rompimento”, afinal de contas foi PMDB ou o Cunha que rompeu com o governo???
    Caso a resposta seja a segunda alternativa, trata-se de uma impropriedade, pois Cunha nunca fez parte do governo….E de qualquer forma, se o rompimento foi de Cunha ou do PMDB, quantos deputados pemedebistas ou do grupo de Cunha devolverão seus cargos ao governo? Será que devolverão?

    • Marcelo, certamente nenhum deputado do partido capacho também conhecido como PMDB vai devolver o cargo ao governo. Faz tanto tempo que eles apenas aplaudem e apoiam, que perderam a noção de civilidade.

      • Exato, Paulo_2.
        Você tocou cerne da questão. Para haver rompimento de fato é preciso que TODOS os deputados do PMDB (caso seja mesmo o partido que esteja rompendo com o governo) devolva seus cargos. Ou, se o rompimento for do Cunha (que nunca esteve com o governo), TODOS os seus apadrinhados deverão faze-lo. Esperar pra ver, pois como vc muito bem assinalou, desde 1989 o PMDB é um partido meramente de composição, nunca tendo tentado assumir o protagonismo político do país. Será interessante vermos se ele finalmente resolverá faze-lo agora…..O tempo dirá.

  7. Mais uma vez o PT com sua total falta de visão do amanhã, cutucando a onça com vara curta. É muita inocência pensar que o Cunha não possuí um arsenal de cartas na manga, a começar pela investigação, até hoje não divulgada, feita pela Kroll, por ele contratada. A Kroll está seguindo de perto o PT desde 2003, na então toda poderosa Secom. Vamos aguardar para ver…

  8. Pode ser o que for, não importa, mas as informações que a EBC publicou nessa matéria específica são rigorosamente verdadeiras. Desminta qualquer uma das informações veiculadas na matéria se puder! O mínimo que se espera de um jornalista é que zele pela veracidade das informações que publica, o que parece não ser o caso do Sr. Pedro do Couto.

    • E por acaso um promotor substituto não pode instaurar um inquérito ? Como sempre os fascistóides querendo desvirtuar a legislação, para terem desculpas esfarrapadas.

  9. Se o procurador em questão não é o substituto legal da procuradora responsável pela Notícia de Fato, a qual está de férias, é óbvio que se trata de uma ilegalidade. O referido procurador não tem competência legal para instaurar o PIC. Aliás, o indigitado procurador Timbó já responde a processo administrativo por negligência funcional no âmbito da Corregedoria do MP.

    http://tijolaco.com.br/blog/?p=28306

    http://tijolaco.com.br/blog/?p=28322;

  10. O Marcelinho realizava até jantares em sua casa a pedido do Brahma…
    ” Relatório de análise de mídia elaborado pela Polícia Federal revela os bastidores de um jantar em São Paulo, na residência do empresário Marcelo Odebrecht, presidente da maior empreiteira do País, em 28 de maio de 2012, do qual participou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também foram convidados o ex-ministro Antonio Palocci (Casa Civil – Governo Dilma), empresários, banqueiros, o presidente do Instituto Lula, Paulo Okamotto, e dois sindicalistas mencionados na Operação Lava Jato.

    “Através da leitura das mensagens acerca deste evento foi possível inferir, grosso modo, que: a) O jantar foi realizado a pedido do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, aponta o relatório da PF. “d) Foram enviadas mensagens individuais para cada um dos convidados por I.B.G.”

    A relação entre Lula e a construtora Odebrecht é alvo de um procedimento investigatório criminal (PIC) aberto pela Procuradoria da República no Distrito Federal. A suspeita é de que a empreiteira teria obtido vantagens com agentes públicos de outros países por meio de suposto tráfico de influência do petista, que deixou o Palácio do Planalto no fim de 2010. A Odebrecht nega ter sido favorecida. Lula não é investigado na Lava Jato.

    Na quinta-feira, 17, o Instituto Lula, criado pelo ex-presidente após sua saída da Presidência, classificou como ‘absolutamente irregular, intempestivo e injustificado’ a abertura do procedimento da Procuradoria da República. A entidade afirmou em nota que ‘serão tomadas as medidas cabíveis para corrigir essa arbitrariedade no âmbito do próprio Ministério Público, sem prejuízo de outras providências juridicamente cabíveis’.

    Nas buscas que realizou na casa do empreiteiro, na manhã de 19 de junho, durante a Erga Omnes, 14.ª etapa da Lava Jato, a PF apreendeu documentos, correspondências e mídias. Um HD que estava em um cofre no quarto de Marcelo Odebrecht armazenava troca de mensagens sobre o jantar. Uma delas dizia o motivo do encontro: a economia brasileira.

    “Emílio e Marcelo Odebrecht têm o prazer de convidá-la para um jantar com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no qual será discutida a situação da economia brasileira face a conjuntura internacional”, diz o e-mail enviado pela presidência da Odebrecht para Juvandia Moreira Leite, presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, em 17 de maio de 2012.

    “Confirmo a minha presença no jantar com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Saudações sindicais”, respondeu Juvandia Leite.

    Nesta sexta-feira, 17, o relatório de análise de mídia foi anexado aos autos da Lava Jato – Marcelo Odebrecht e pelo menos quatro ex-dirigentes da empreiteira são alvos de investigação por suspeita de corrupção e cartel nos contratos com a Petrobrás. No documento, a PF aponta para a presença de Juvandia Leite e Sergio Aparecido Nobre, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.

    “Os dois sindicalistas convidados para o evento são também sócios da Editora Gráfica Atitude, empresa apontada pelo empresário Augusto Ribeiro de Mendonça Neto como intermediária de pagamentos de propina destinados ao Partido dos Trabalhadores”, registra a PF.

    Juvandia Leite e Sergio Nobre são administradores da Editora Gráfica Atitude. Segundo denúncia do Ministério Público Federal, uma parte da propina paga para o ex-diretor de Serviços da Petrobrás Renato Duque na Diretoria de Serviços foi direcionada por empresas do grupo Setal Óleo e Gás, controlado por Augusto Mendonça – delator da Lava Jato – para a Editora Gráfica Atitude Ltda.

    O pagamento teria sido feito a pedido do então tesoureiro do PT João Vaccari Neto. Os procuradores da força-tarefa sustentam que existem, ainda, “vários indicativos de ligação da Gráfica Atitude com o PT”.

    A reportagem não consegui contato com Sergio Aparecido Nobre. (AE)”

  11. A Marina Silva soltou uma nota muito sensata…
    “Justiça a tempo

    Por Marina Silva

    Quem ainda tem esperança de um mundo e de um Brasil melhores deve manter neste momento uma grande atenção nas conquistas democráticas e apoiar com firmeza o trabalho da Polícia Federal, do Ministério Público e da Justiça. O que está em curso no Brasil não é apenas a desconstrução de um sistema político que revela, a cada dia, sua falência. Há também uma lenta construção da democracia e de instituições independentes e fortes, instrumentos de navegação em meio às crises.

    Assim como saímos do impeachment de Collor para outro ciclo de evolução, com a estabilização econômica nos governos de Itamar e Fernando Henrique, que possibilitou avanços sociais no governo Lula, da mesma forma podermos ser capazes de sair da crise atual para outro momento positivo. Para isso, entretanto, devemos cuidar de manter as bases institucionais democráticas que construímos a duras penas e, como diz o ditado popular, não jogar a criança fora com a água suja.

    Aparentemente, há apenas sujeira. Mas devemos ver além das aparências, ou seja, além da crise e da confusão política que se profundam e crescem. Na realidade, as novidades são poucas. A crise é a mesma e todos os envolvidos nela já faziam o que fazem e diziam o que dizem – com os mesmos maus resultados na vida do povo brasileiro – há vários meses. Os rompantes dos dirigentes políticos e as manifestações de seus seguidores, a histeria na guerrilha virtual, as justificativas diante das denúncias, tudo igual.

    Num artigo que escrevi há alguns meses, quando reclamavam que eu estava em silêncio, mostrei que continuava participando da vida política brasileira com os poucos meios que tenho à minha disposição. Naquela ocasião afirmei: “basta olhar o ambiente político para ver que tudo serve à manipulação, que o objetivo não é sair da crise, mas usá-la”. Isso também continua.

    Se a manipulação da crise foi o modo como o presidente da Câmara encontrou para aumentar seu poder, é normal que ele agora tente explicar as denúncias de corrupção que recebe como sendo manipulação dos outros – o governo, no caso. Não há novidade nisso e boa parte dos que saem gritando “fora Cunha” parecem querer apenas aproveitar a oportunidade de apontar um novo inimigo público para desviar a atenção dos gritos de “fora Dilma”.

    O Congresso Nacional divide com o governo as responsabilidades pela crise e a atenção pública se volta para os parlamentares. Neste momento, deveria predominar entre eles a consciência de que o Poder Legislativo é maior que seus membros, mesmo aqueles que ocupam cargos de direção. Como poder independente, deve respeitar a independência dos demais poderes e avaliar suas ações em conformidade com a Constituição Federal.

    Repito o que disse há pouco mais de uma semana, numa nota pedindo apoio aos órgãos de investigação e do sistema judiciário: “a confiança vigilante nas instituições é a melhor maneira de evitar precipitações ou aventuras”. Precisamos estar alertas contra a manipulação política de qualquer lado e contra todas as formas de pressão e intimidação sobre a Justiça, o Ministério Público e a Polícia Federal.

    Quando as investigações resultarem em provas e denúncias formais ao Supremo Tribunal Federal, devemos exigir o afastamento dos que ocupam cargos cujos poderes possam interferir nas decisões. Mas desde já precisamos estar atentos contra qualquer tentativa de sabotagem.

    Aos denunciados resta rever suas práticas e posturas. Ao menos em nome do bom senso impõe-se evitar mexer mais ainda num equilíbrio institucional que já está precário, não usando poderes públicos como navios de guerra de onde os litigantes disparam contra os outros.

    Obviamente, ninguém mais espera um comportamento minimamente virtuoso da maioria dos personagens no palco da política brasileira dos dias atuais. Mas se temos que respeitar as instituições que eles, infelizmente, dirigem tão mal, e respeitar a população que lhes confiou seu voto, temos também que manter viva nossa esperança de que a Justiça será feita e os erros serão punidos. Afinal, como disse Rui Barbosa, “a Justiça tardia nada mais é do que injustiça institucionalizada”.

    Que o epílogo desse drama, quando ocorrer, seja o prólogo de uma nova história de afirmação da democracia no Brasil.

  12. “…o que praticamente obriga o vice Michel Temer a sair da tarefa de coordenador político do Planalto. ”
    – O praticamente é chute do autor, significa exatamente nada. Acho que ainda não chegou ao conhecimento do Sr. Pedro do Couto, a nota do PMDB que diz que a posição do Eduardo Cunha é pessoal e não tem o apoio do partido. Jornalismo ?

    • Ficou bloqueado porque você transcreveu alguns links. Sempre que se colocam links o programa rejeita e bloqueia, como se fosse spam.

      Abs.

      CN

  13. Ela foi sensata em seu artigo. Se e para afastar o Cunha , por isonomia TODOS devem ser afastados , desde a narizinho do Parana ao ferrarista senador.

  14. Dá pena ver os defensores do governo Dilma, aqui no blog, no desesperado e derradeiro esforço de defender o desgoverno ruinoso da Rainha Má…tsc, tsc, tsc…não adianta, o pescoço de Dilma tem um encontro marcado com a guilhotina do impeachment…

  15. A proposito de Marina Silva citada mais acima, o Acre, seu estado, foi o que mais devastou florestas nos ultimos dois anos. Escutei hoje na CBN o ranking dos estados e me lembrei da Marina conversa fiada.

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