Rompimento do PMDB com o governo significa impeachment

Daniel Carvalho e Erich Decat
Estadão

Diante das ameaças de isolamento do vice-presidente e articulador político do governo Michel Temer por integrantes do Planalto, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), avisa: “Qualquer tentativa de sabotagem do Michel acabará em ruptura”.

Em entrevista ao Estado, Cunha admite rusgas com Temer, mas promete solidariedade e ameaça antecipar o desembarque do PMDB do governo. “O PMDB dificilmente repetirá a aliança com o PT. Este modelo está esgotado.” Ele cobra “adesão” do PT ao governo Dilma Rousseff e atribui ao partido a impopularidade da presidente. Sobre críticas de aliados e opositores, diz preferir ser “ditador” a “frouxo”. Ao receber a reportagem em seu gabinete na noite de quinta-feira, Cunha comentou a cor verde da gravata que usava. “A esperança é a última que morre. Mas ela morre.”

O senhor classifica o PMDB como governista ou oposicionista?

O PMDB fez parte do processo de reeleição, faz parte do governo. Mas não é para dizer amém a tudo o que acontece. E o PMDB dificilmente repetirá a aliança com o PT em algum momento. Não repetirá. Porque este modelo PMDB com o PT está esgotado. Temos obrigação de dar sustentabilidade política para o governo dela (Dilma Rousseff). Mas o PMDB vai buscar o seu caminho em 2018. Não vejo o PMDB de novo numa candidatura do PT.

O senhor prevê um distanciamento agora em 2016?

Em algumas capitais, sem dúvida.

Como está a relação da Câmara com o governo depois da entrada de Michel Temer na articulação?

É muito melhor. O que vejo aqui, pelo cheiro no corredor, é que há ainda problemas com a própria base e com o governo. Vejo nitidamente que há uma tentativa de sabotagem do PT ao Michel dentro da articulação. Não tenho dúvida nenhuma disso. E isso é um tiro no pé, porque a condição, quando levaram o Michel, era que, justamente, você não vai demitir o vice. Qualquer tentativa de sabotagem do Michel acabará em ruptura.

Essa tentativa é algo pontual dos ministros Aloizio Mercadante (Casa Civil) e Jaques Wagner (Defesa)?

Não atribuo nomes. Só sinto o cheiro no ar. A fábrica do perfume cabe a vocês pesquisar.

Mas e esse episódio recente deles se colocando em relação à Secretaria de Relações Institucionais, assumida por Temer em abril?

Havendo ruptura desse processo com o Michel, haverá ruptura do PMDB com o governo. Isso é inevitável. Na hora em que o Michel for sabotado e confrontado no processo, deixar o comando da articulação política, da qual ele não pediu para ser, não tem razão nenhuma de o PMDB ficar no governo.

Um eventual enfraquecimento de Temer significa um fortalecimento seu?

Pelo contrário. Ficarei solidário ao Michel e partirei para defender o rompimento em conjunto. Não sou adversário do Michel, nem confronto o Michel. Sou aliado dele. Posso ter, eventualmente, as minhas rusgas, mas é fruto da amizade. Mas jamais tivemos qualquer gesto de afastamento ou deslealdade.

A presidente Dilma consegue recuperar a popularidade? O ajuste fiscal ajuda ou atrapalha?

Você sofre o desgaste da contestação do que você prometeu na campanha eleitoral e faz diferente no exercício do governo. Isso gerou uma contestação que levou a uma continuada perda de popularidade, agravada pelo processo das denúncias generalizadas de corrupção e pela situação da economia, que deu uma deteriorada. Tenho impressão de que ela (impopularidade) chegou ao ápice. Depois, a tendência é recuperar.

Essa recuperação vem agora?

Para ela melhorar os níveis de popularidade depende de três fatores: conseguir recuperar a economia, ter uma estabilidade política e precisa, efetivamente, mostrar ações. Dependendo do sucesso ou insucesso desse conjunto, ela poderá recuperar mais ou menos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
É o tipo de entrevista que necessita de tradução simultânea. Cunha está ameaçando o Planalto. Se houver qualquer constrangimento a Temer, o PMDB rompe com o governo. E esse rompimento significará sinal verde para o impeachment e a volta do PMDB ao Poder. Simples assim. (C.N.)

8 thoughts on “Rompimento do PMDB com o governo significa impeachment

  1. “Só os incompetentes e os amadores não sabem que, em política, até a raiva é combinada”. Nelson Jobim, ex-ministro,

    “Em política, até raiva é combinada.”
    Ulysses Guimarães

  2. Licença: Tem gente que reclama da quantidade de partidos políticos no Brasil. Li agora no Estadão on Line que, nos EUA, para as eleições presidenciais do próximo ano, 386 candidatos já se inscreveram para tentar a Casa Branca … sem burocracia, é só preencher um formulário e ter uma quantia xis de dólares…

    • Só tem uma diferença, Antonio: eles podem ter 386 (ou até mais) candidatos a presidente, mas na Câmara e no Senado eles têm o partido democrata, o partido republicano e os congressistas independentes, em vez das dezenas que temos aqui.

  3. No fim, PT vai oferecer até a alma para DilmaRousseff não sofrer o impechament que já era para ter acontecido, não sei porque ela continua no poder, são tantas irregularidades que cometeu, Collor, não sou correligionário delle e sempre achei que deveria sofrer impedimento, fez menos do que ela e o PT e foi banido do governo, cadê os caras pintadas atuais, acho que estão no PT.

  4. O desespero no PT e enorme
    Ja tem um grupo querendo a renuncia da Dilma. Assim haveria novas eleicoes e o pinguco voltaria como ‘ o salvador ‘. Pelo tamanho do delirio se mede o desespero.

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