Roubo a caixas eletrônicos: o incômodo e permanente desafio à inteligência policial

Milton Corrêa da Costa

As cenas transmitidas pela televisão, geradas pela gravação do circuito interno durante o assalto ao caixa eletrônico de uma agência do Banco Itaú, na capital de São Paulo, foram de uma autêntica ação de guerrilha urbana. Usando toucas ninjas, 5 criminosos armados obrigaram um motorista de ônibus a deixar o veículo “atravessado” na rua, enquanto com pés-de-cabra arrombavam as portas para em seguida explodirem cinco caixas eletrônicos, numa ação típica de filme policial americano.

No ano passado, em todo o Estado de São Paulo, aproximou-se de 150 o número de roubos. Na mesma terça-feira (13/03) do ousado assalto ao Itaú, o professor Thiago Gomes da Costa, 21 anos, foi preso em Itapevi, na Grande São Paulo, com armas e dois potentes explosivos caseiros para serem usados em roubos a caixas eletrônicos. Para montar os artefatos ele usou seis bananas do explosivo TNT, instalando três em cada bomba, para dar mais poder explosivo.

O fato é que em um ano, entre 2009 e 2010, o roubo de explosivos no Brasil cresceu 170%. A quantidade de emulsão e dinamite levada pelos criminosos em 2010 ultrapassou uma tonelada. Os criminosos levam dinamite, emulsão, nitrocarbonitrato, detonadores e pavios do tipo espoleta, cordel, espoletim e retardos.

Na Região Sul, somente em Santa Catarina, este ano de 2012 já foram registrados cerca de 20 roubos a caixas eletrônicos. e o apelo da polícia catarinense aos bancos de esvaziar os caixas eletrônicos à noite, como alternativa para reduzir a onda de ataques com explosivos no Estado, parece inviável operacionalmente. Além disso, os carros-fortes passariam a ser grandes atrativos para as quadrilhas.

A avaliação é da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), que afirma não haver logística operacional para retirar os valores dos caixas eletrônicos à noite. Principalmente no horário da meia-noite às 4 horas da madrugada, o período crítico dos ataques.

A Febraban diz que os carros-fortes devem transitar das 8h às 20h e que para além desse horário seria necessário o acompanhamento por funcionário da agência. No caso de estabelecimentos comerciais, como área de supermercado, por exemplo, também precisaria da autorização do proprietário para a operação.

“Uma movimentação de numerário neste horário por carro forte (repleto de dinheiro) faria uma sequência de desabastecimento a meia-noite, e um reabastecimento por volta das 6h. Torna-se um grande atrativo para as quadrilhas. Ao invés de explodirem terminais passarão a promover assaltos nos embarques e desembarques de numerário dos carros fortes”, diz a Febraban.

Blindar os caixas eletrônicos, a outra medida sugerida pela polícia para frear os ataques, também não é a solução, conforme os bancos. A Febraban defende estudos técnicos mais aprofundados, legais e com condições operacionais para o assunto.

Sabe-se também que os explosivos usados nos ataques são roubados de pedreiras e obras. Para restringir o risco de mais roubo de cargas, o Exército impôs regras mais rígidas aos fabricantes de explosivos para dar maior segurança no transporte.

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POLICIAIS ENVOLVIDOS

O pior de tudo é que as quadrilhas de assaltantes de caixas eletrônicos incluem muitas vezes agentes ou ex-agentes do próprio estado. A PM de São Paulo informou, em 31/05/11, que apurava o envolvimento de 26 policiais em roubos e furtos de caixas eletrônicos em São Paulo.

Em 28/05/11, dois policiais militares foram presos dentro de uma agência bancária no Jabaquara, na Zona Sul de São Paulo, suspeitos de tentativa de roubo a caixa eletrônico. Eles foram alertados por um colega sobre a chegada do Grupo de Operações Especiais. Uma mensagem via celular, que dizia “sai fora que sujou”, levou a Polícia Civil ao terceiro envolvido, que, fardado, ajudava os soldados do lado de fora da agência.

Uma operação da Polícia Civil de São Paulo deteve recentemente quatro pessoas suspeitas de fazerem parte de uma quadrilha de roubo a caixas eletrônicos na Grande São Paulo. Entre os detidos estão dois PMs e um ex-policial militar, segundo informações do Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado.

Chega-se a conclusão que falta muito ao aparelho policial no país para detectar e prender as quadrilhas de assaltantes de caixas eletrônicos, num tipo de delito que requer, para o combate eficaz, o investimento maciço e permanente do governo na área de inteligência e investigação criminal.

Por enquanto, como medida preventiva, para frear o avanço de tal inquietante delito, que a Febraban continue providenciando dispositivos para que durante as explosões dos caixas as notas se incendeiem ou saiam manchadas. Investir em tal medida preventiva é fundamental. Até aqui o banditismo, através da ousadia e do elemento surpresa, está vencendo essa guerra.

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