Rússia não quer repetir o erro cometido contra a Líbia e vetará qualquer agressão à Síria.

O comentarista Sérgio Caldieri nos envia interessante reportagem sobre a posição da Rússia no Conselho de Segurança da ONU. Depois da manipulação da proposta aprovada pelo Conselho de Segurança sobre a Líbia, agora a Rússia vai cortar o mal pela raiz, vetando qualquer iniciativa que pode configurar uma ameaça à Síria.

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Olga Denisova(The Voice of Russia, Moscou)

A Rússia alertou que votará contra qualquer resolução do Conselho de Segurança da ONU sobre a Síria, se a considerar errônea ou se entender que aprofundará o atual conflito. Segundo o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, o conflito doméstico na Síria tem de ser superado por acordo entre os dois lados, que devem reunir-se para discutir suas diferenças.

Depois da reunião do Conselho de Segurança sobre a Síria, Vitaly Churkin comentou as duas diferentes abordagens que estão em confronto naquele Conselho.

“Os representantes ocidentais evitaram cuidadosamente qualquer crítica à posição russa. Por isso, minha fala não precisou ser mais agressiva, e a reunião transcorreu em ambiente muito mais calmo do que se poderia prever, se as circunstâncias fossem diferentes. Assim se criou clima favorável para trabalharmos num texto de resolução que efetivamente contribua para que se encontre saída para a crise.”

O impasse diplomático já se arrasta há várias sessões do Conselho de Segurança. Existem agora em discussão dois projetos de resolução para a crise síria: um apresentado pelo Marrocos, outro apresentado pela Rússia.

O projeto levado ao Conselho pelo Marrocos foi redigido pela França e alguns países árabes que não são membros do Conselho de Segurança. O Marrocos é o único país árabe que está representado no Conselho de Segurança. O projeto encaminhado pelo Marrocos não descarta a intervenção militar na Síria – e a Rússia já anunciou que em nenhum caso o aprovará. O projeto também inclui um plano, sugerido pela Liga Árabe, que exige que o presidente Bashar al-Assad renuncie e entregue a presidência ao vice-presidente.

Para o embaixador russo Vitaly Churkin, “o projeto de resolução encaminhado pela Liga Árabe é extremamente detalhado. Não apenas ‘cria’ um governo de unidade nacional na Síria, mas também ‘determina’ que esse governo deve cooperar com o vice-presidente; diz como deve ser essa cooperação; e lista as questões às quais o ‘novo governo’ deve-se dedicar prioritariamente.

Damasco já rejeitou esse tipo de texto e, portanto, não faz sentido algum discuti-lo, se já se sabe o que resultará de Damasco não acatar a resolução que se aprove aqui. A Liga Árabe, evidentemente, tem pleno direito de manifestar sua opinião. Mas temos de não esquecer que o Conselho de Segurança não ter competência nem poder para impor decisões políticas, ou para forçar os países a acatar decisões políticas do Conselho, sequer em países em crise. O Conselho não está autorizado a adotar resolução que implique ‘ordenar’ a um presidente que renuncie. Evidentemente, há muito o que discutir.”

Segundo Vitaly Churkin, diplomatas e políticos devem buscar contato e diálogo com os oponentes, sobretudo em tempos de crise. A Síria é perfeitamente capaz de construir saídas para a crise atual, e as forças da oposição síria devem procurar condições de segurança para conduzir conversações com o governo.

A Rússia está disposta a convidar os dois lados que se enfrentam na Síria, para reuniões de discussão a serem organizadas em Moscou. As autoridades sírias já se declararam interessadas nessas conversações.

O problema é que o presidente do Conselho Nacional de Transição, Burhan Ghalioun, impôs inúmeras condições. Disse que aceitaria ir a Moscou, se a Rússia aceitasse a cláusula que ordena que o presidente Bashar al-Assad renuncie. Moscou respondeu que as conversações só acontecerão se os dois lados em conflito aceitarem sem precondições o convite para negociar.

Em nenhum caso a Rússia apoiará qualquer embargo de armas contra a Síria, assim como não aprovará resolução que implique uso da força, intervenção militar ou sanções contra Damasco. Essa é a posição russa já conhecida, da qual Moscou não abrirá mão.

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