Saber ver sem pensar

Tostão (O Tempo)

Dizem que as contratações de treinadores estrangeiros têm sido ótimas para as equipes olímpicas brasileiras. Isso estimula a discussão sobre trazer ou não técnicos de futebol de fora. Nos outros países, como aqui, há bons e maus treinadores. Para trazer, têm de ser os melhores e que sejam diferentes.

A diversidade de conceitos e de métodos enriqueceria o futebol brasileiro. Há muito tempo, quase todos os treinadores daqui fazem e falam as mesmas coisas. A repetição excessiva leva à mediocridade. No fim de ano, os “professores” se reúnem, trocam elogios e ficam ainda mais prepotentes.

Durante um longo tempo, quase todos os times brasileiros faziam marcação individual, tinham dois volantes brucutus, laterais que avançavam e só cruzavam para a área, um único meia para dar passes decisivos, um centroavante só para fazer gols, zagueiros encostados à grande área, enormes espaços entre os setores, além de excesso de jogadas aéreas, chutões, faltas e outros detalhes. Tudo com aplausos de parte da imprensa.

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BRUCUTUS

Volantes clássicos, com ótimo passe, como Martinez, que continua bem no Náutico, eram preteridos por volantes brucutus, que faziam faltas e davam carrinhos. Aos poucos, muitos desses conceitos têm sido abandonados. Demoraram a enxergar o óbvio.

Outros conceitos ultrapassados ainda persistem, como os enormes espaços entre a defesa e o meio-campo. Em um gol do Grêmio contra o São Paulo, Zé Roberto driblou um marcador ainda em seu campo, conduziu a bola até a entrada da grande área, sem ser combatido, até dar o passe decisivo. Os zagueiros permaneceram colados à grande área.

Quase todos os técnicos estrangeiros gostariam de trabalhar no Brasil, ainda mais com os absurdos salários pagos pelos clubes. Ao mesmo tempo, os clubes continuam endividados, além de não pagarem devidamente os impostos. Os governos são muito bonzinhos. Depois do fracasso da Timemania, feita para os clubes quitarem as dívidas com o governo, estuda-se, no congresso, a possibilidade de se permitir apostas, em sites do Brasil, com a mesma finalidade.

Além de outras qualidades, é essencial, para ser um ótimo treinador, ser bom observador de detalhes subjetivos e objetivos. Isso não se aprende na faculdade. Pensamos muito e enxergamos pouco. “O essencial é saber ver sem estar a pensar…” (Fernando Pessoa).

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