Saldo da balança: problema está nas importações, não nas exportações

Pedro do Coutto 

Em entrevista à repórter Eliane Oliveira, O Globo de 21, o ministro Fernando Pimentel afirmou-se preocupado com a redução dos saldos na balança comercial brasileira, que há cerca de 3 anos chegaram a 50 bilhões de dólares e, no ano passado, fecharam na escala de US$ 19 bilhões. O titular do Desenvolvimento propõe um elenco de medidas para fortalecer o mercado externo e neutralizar as ações da China, país que,  ao mesmo tempo, é o que mantém maior fluxo de comércio com o Brasil, mas também o que, em função dos preços, bloqueia as vendas brasileiras especialmente para os Estados Unidos.

A questão, envolvendo câmbio, produção, custos e condições de acesso a mercados com características diversas, não é nada simples. Mas precisa ser analisada – sem dúvida – a partir de um confronto inevitável: as exportações, de um lado, as importações de outro. Isso antes de se entrar na esfera das remessas de lucros, pagamento de fretes, seguros de mercadorias importadas, desequilíbrio na conta turismo.

Através do turismo, por exemplo, no exercício passado, saíram 17 bilhões de dólares, entraram US$ 8 bilhões. Mas estas questões pertencem ao Balanço de Pagamentos, acerto final das contas. A Balança Comercial é um dos itens, aliás o de maior peso do Balanço de Pagamentos.

Francamente, não se deve analisar a economia como se fosse algo hermético, estilo Ulisses, de James Joyce, cuja primeira tradução foi feita por Antonio Houaiss, em 1965, abrindo o caminho para poucas outras de que vieram depois. Não. A economia não pode ser decifrada num labirinto enigmático de expressões, pensamentos, vontades ocultas, impulsos para chegar a uma percepção além da realidade aparente.

Muitos economistas enveredam por esses atalhos. Daí a dificuldade de entendê-los e traduzi-los. Vamos facilitar as coisas. O volume do comércio externo, sem dúvida, os números comprovam, foi o maior êxito do governo Lula. No ano de 2001, último do período  FHC, as exportações atingiram 70 bilhões de dólares e as exportações de 68 bilhões. O saldo, mínimo, foi tragado pelos demais compromissos externos citados há pouco.

As exportações foram avançando e, primeiro alcançaram a casa dos 140 bilhões de dólares. As importações avançaram para US$ 100 bilhões. Diferença de 40 bilhões de dólares. Até que, em 2010, as exportações bateram o recorde chegando a 197 bilhões, mas as importações também superam a melhor marca anterior e culminaram em nada menos que 178 bilhões de dólares. O saldo comercial, assim, se estreitou.

Para 2011, o ministro Fernando Pimentel está prevendo um superávit em torno de apenas 10 bilhões de dólares. Quer fortalecer as exportações. Difícil. O comércio mundial não possui uma elasticidade infinita. Há barreiras, tanto comerciais quanto políticas. A questão colocada é um desafio. Mas parece que o problema encontra-se muito mais nas importações que, de repente, passaram a desenvolver velocidade maior que a das esportações.

Seria efeito do dólar baixo que estimula as compras e, indiretamente, contém as vendas? É possível. Então o caminho não é reduzir tributos sobre as exportações, somente. E sim onerar as importações.

Digo isso porque a Folha de São Paulo publicou, também no dia 21, que a presidente Dilma Roussef estaria pensando diminuir as contribuições mensais das empresas para o INSS dos atuais 22% sobre as folhas de salário para 14%. Como os espresários são responsáveis por 75% da  receita previdenciária, uma redução de tal ordem fecharia a seguridade social brasileira. Não é por aí. O melhor é conter as importações e valorizar a produção nacional. Parece mais lógico, mais exequível, mais correto.

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