Saldo pós-eleição

Murilo Rocha

Estava ali, bem do nosso lado, o tempo todo durante os últimos anos, mas, por alguma razão, a gente preferiu não ver ou acreditar na sua extinção. Bastou uma eleição muito polarizada para tudo vir à tona novamente, com toda a força. É isso, o Brasil não está dividido: o Brasil sempre foi dividido. E todo o ódio, o rancor e o preconceito despejados nas redes sociais desde a vitória da candidata do Partido dos Trabalhadores (PT), a presidente Dilma Rousseff, causaram espanto, mas também provocaram um resultado extremamente positivo. A oposição conflitante de setores diferentes da sociedade, muitas vezes ocultada, foi obrigada a sair do armário, ficou explícita.

As reações pós-eleição, desde as mais infantis – como aquela bandeira do Brasil em preto e branco com a palavra “luto” – até as criminosas voltadas contra nordestinos e camadas mais pobres da população, serviram para mostrar o quanto ainda é preciso mudar. A derrota apertada apenas escancarou a segmentação da sociedade brasileira. O discurso vazio de combate à corrupção usado por parte dos eleitores como principal argumento para derrotar o PT era apenas uma maneira de esconder sentimentos de classe não tão nobres.

Com os atores mais definidos, fica fácil até compreender de forma mais clara as manifestações do ano passado. Era um amontoado de insatisfação dividido entre grupos com interesses próprios. Havia, sim, reivindicação por uma pauta mais social – transporte público, educação, saúde, moradia –, como também havia reclamações de uma classe média-alta insatisfeita com a perda de poder financeiro e simbólico. O erro foi – e ainda é – querer entender aquela massa como um movimento uniforme, sem contradições no seu interior.

FISSURA SOCIAL

Essa fissura social iluminada pela vitória de Dilma pode ser, sim, considerada um saldo positivo, e não se trata de uma divisão entre bonzinhos e malvados, mas sim de visões de mundo divergentes, de ideologias diferentes.

O enorme desafio do próximo governo será justamente aprofundar uma pauta social e econômica diante desse quadro beligerante. Apesar do discurso de união e conciliação, a presidente já é cobrada por grupos contra e a favor da sua reeleição a tomar caminhos opostos.

Quem votou na presidente por convicção ou por rejeição ao candidato da oposição espera na verdade uma tomada de posição mais firme de Dilma em alguns temas negligenciados durante o primeiro mandato.

Há ainda uma enorme expectativa de como será a relação da presidente com o Congresso. Na primeira semana após a reeleição, deputados, inclusive da base, já deram o recado a Dilma ao derrotar o decreto regularizando os conselhos populares. Ali, tudo está como antes. (transcrito de O Tempo)

7 thoughts on “Saldo pós-eleição

  1. É o desejo de todos mas não é o desejo do PT nem da Dilma. Eles só querem o poder e pronto! Não farão nada. Teremos mais quatro anos de aumento na criminalidade, pessoas morrendo nas filas dos postos de saúde, ausência de investimento maciço em educação e essa incomPeTência para administrar qualquer coisa do povo e para o povo. É preciso enfrentar essa altíssima taxa de criminalidade com educação em tempo integral e punição exemplar para servidores públicos corruptos ( a perda de todos os bens seria um bom começo).

  2. O PT nunca teve projeto de governo, não tem compromisso com a nação,
    e sim com o poder a qualquer custo, se possível infinitamente. Alimentar 39
    Ministérios, empreguismo nas Estatais e órgãos públicos, 276 mil ONGs mamando
    nas tetas do governo, é uma gastança monumental, e deve continuar assim.
    Se a Presidente, continuar na mesma linha política e econômica, levará o país ao caos,
    para mudar terá que dar uma guinada violenta para resolver os principais problemas:
    fazer o Brasil crescer para gerar emprego, combater a inflação, combater a violência calamitosa, resolver os problemas da saúde e a educação, que estão totalmente
    abandonadas. Para atender todas essas necessidades, irá de encontro a tudo que
    prometeu durante a campanha, mas manterá: o fator previdenciário e vai manter o aumento diferenciado para os aposentados. Contra os aposentados, aí sim, a Presidente agirá com austeridade.

  3. Esse Murilo sempre parcial para sua ideologia, mas tentando escamotear os fatos.
    A luta que virou briga, o repúdio que virou ódio faz, e sempre fez, parte do projeto de dom lula de reinar mantendo o nós e eles. O perfeito e o repugnante. O bem e o mal.
    Se o período eleitoral tivesse transcorrido com acusações e críticas sobre a maneira de governar e os rumos políticos, econômicos e sociais, não haveria essa animosidade. Mas como bem falou Aloysio Nunes a internet virou um esgoto apoiado pelas falas de dilma nos debate e nos programas eleitorais na TV, corroborando a estratégia da mentira.
    Dizer que Marina iria tirar comida do prato será eternamente patético!
    Mandar torpedos e usar carro de som ameaçando os famélicos com a perda do bolsa-família é torpe!
    O furacão de mentiras e acusações que se aproveitou da pouca cultura da maioria do povo é deplorável!
    Isso ficará marcado para sempre e nada na história irá apagar essa mácula do PT.
    Mas para quem, no passado, falsificou até o Curriculo Lattes, é razoável este nível de atitude.

  4. Sr. Murilo:

    Julgo o seu comentário equivocado, principalmente onde o senhor diz “O discurso vazio de combate à corrupção usado por parte dos eleitores como principal argumento para derrotar o PT era apenas uma maneira de esconder sentimentos de classe não tão nobres”.

    O senhor me pareceu tendencioso e não sei se por ingenuidade ou por má fé, opotou por ignorar a indignação de milhões de brasileiros cansados de ver todos os dias na mídia a divulgação de novos escândalos com o roubo e desvio de BILHÕES de rais.

    Acho bom o senhor se informar melhor, sair às ruas e captar com exatidão o sentimento da população e não se deixar levar por “paixões” por algum dos lados.

  5. O comentário acima de José Mário Csiszer, tem uma incrível casualidade com a frase que pinçei do artigo em tela para discuti-lo:
    “O discurso vazio de combate à corrupção usado por parte dos eleitores como principal argumento para derrotar o PT era apenas uma maneira de esconder sentimentos de classe não tão nobres.”
    Pois os petistas continuam na sua obstinação de esconder a corrupção, a desonestidade, atribuindo à oposição ou aos eleitores que não querem mais este partido nos governando como “discurso vazio”.
    Se este mar de lama que tem cacacterizado as administrações petistas desde que ascenderam ao poder, doze anos atrás, trata-se de falsas acusações, então é o próprio governo que as elabora, é o PT que está brincando no poder, alegando que nas suas gestões os corruptos são presos ou respondem a inquéritos da Polícia Federal, para depois os acusados saírem incólumes da condição de investigados ou réus!
    O PT está manipulando as opiniões de milhões de brasileiros que estão concordando com o pífio argumento que não se engavetam os atos ilícitos, com menção ao período de FHC mas, em compensação, não vemos nenhum petista perder seus bens ou ficar preso pelo tempo adequado e correto conforme as sentenças prolatadas!
    Verifica-se um jogo pesado entre advogados de defesa com a Suprema Corte, inegavelmente esta comprometida até a medula com o governo, e tendo se transformado em um apêndice do Executivo.
    Na verdade os jornalistas ou colunistas simpatizantes do PT ou, até mesmo sectários, fazem o que lhes determina a direção do partido, que é de bater na mesma tecla diuturnamente que as acusações da oposição e dos jornais são falsas, que se trata de “golpe”, que o PT está acima de qualquer suspeita.
    O problema é o surgimento diário de petistas envolvidos em crimes, escândalos, desvios de verbas, uma infinidade de ilicitudes jamais vistas nesta República, de 125 anos a completarem-se dia 15 do mês próximo.
    Bom, lembrando que até hoje os petistas ainda vociferam que o mensalão não existiu, certamente esse e demais roubos contra o Brasil e povo continuarão sendo negados, cujos auxílios humanitários – bolsa família – agem como se deletassem dos computadores os registros a respeito dessa corrupção institucionalizada, de modo que o povo siga confiando no PT como se nada tivesse acontecido ou, o mais grave, que mesmo tendo conhecimento dessas falcatruas, desses desfalques, a simples ameaça de perder a ajuda mensal composta de uma sacola de alimentos e uns trocados sejam, efetivamente, o agente do “esquecimento”, ainda mais com provas suficientes de que os petistas entravam em contato com os beneficiados pelo bolsa família para ameaçá-los de que perderiam o benefício se votassem em Aécio, que seus registros seriam automaticamente cancelados!
    Enfim, esta é a democracia do PT, à base de ameaças, compra de votos, alianças espúrias, o ministro presidente do STF comprometido com o partido até as raízes de seus cabelos, situações que o cidadão brasileiro não quer mais aceitar por mais que articulistas tentem sofismar sobre corrupção praticada pelo Partido dos Trabalhadores.
    Antes de esclarecerem a opinião pública, mais corroboram com este procedimento deletério, e aumentando o número de traidores do Brasil porque aceitam e permitem que os desmandos e desclabros prossigam a cada eleição do PT, para desgraça deste País!
    Neste aspecto, terei de concordar que pertenço mesmo à classe de nobres brasileiros, haja vista cinquenta milhões de outros cidadãos pensarem exatamente como eu, que somos veementemente contrários ao comportamento do PT no que tange à ética e moral, simplesmente abolidas em nome de um partidarismo condenável e de uma ideologia que nos arrasta a cada ano para o fundo do abismo!

  6. Seu artigo tem um viés estranho – em especial seu comentário ” O discurso vazio de combate à corrupção usado por parte dos eleitores”. O senhor quer nos induzir a crer que não há corrupção no PT e seus aliados? Se esse foi seu objetivo, não consegui atingi-lo.

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