Saltando de banda

Carlos Chagas

Convites formais e por escrito  não foram feitos. Apenas sondagens, tendo em vista o constrangimento que  significariam as  recusas. Mas os três principais candidatos presidenciais, sondados, saltaram de banda diante da possibilidade de um debate entre eles na Ordem dos Advogados do Brasil e  numa reunião  conjunta  dos Clubes Militar, Naval e da Aeronáutica. Isoladamente, já compareceram à CNBB, mas debate, nem pensar.

A gente se pergunta porque essas recusas e a resposta surge clara: os candidatos temem os auditórios e seus questionamentos. Advogados e militares podem pretender respostas claras para temas delicados, como a extensão dos direitos humanos,  a soberania nacional e a presença de Deus no Universo.

São eles  que deveriam, através de suas assessorias, andar atrás de entidades como as referidas, tradicionalmente pontos de referência na opinião pública. Dão a impressão de preferir o monólogo,  quando o diálogo poderia conduzi-los à falta de convicções e a meros chavões decepcionantes.

Responder nas redes de televisão  a indagações pontuais sobre  as mais recentes notícias de jornal é fácil. Comparecer a reuniões com empresários, melhor ainda, sabendo os três o que a platéia quer ouvir. Vale o mesmo para os  palanques, passeatas e carreatas. Até para sindicalistas, não obstante a presença majoritária da CUT. Agora, enfrentar gente que pensa e consegue formular as dúvidas maiores da realidade,  para que? O perigo do desgaste é maior do que a possibilidade do sucesso.

Acreditar com cuidado

Ninguém pode ser contra as pesquisas, apesar de constituírem, os institutos, mera atividade comercial onde o freguês costuma ter sempre razão. Os números  representam tendências e momentos.

Feito o preâmbulo, valem as ressalvas. O Brasil possui 136 milhões de eleitores e 5.587 municípios. Como regra, as pesquisas envolvem perto de 4 mil eleitores e 200 municípios. Dividindo-se uns e outros teremos 20 eleitores  consultados em cada município, claro que um número maior nos mais populosos, mas obrigatoriamente menor nos pequenos.

Replicarão os institutos com esotéricos argumentos sobre suas metodologias. Tem razão quando concluem que as pesquisas feitas nas  partes conduzem à opinião do todo. Mas não podem garantir, em especial quando a gente  lembra de sucessivos descompassos entre consultas eleitorais e o resultado das urnas. Não raro, quando se aproxima o dia da votação, corrigem rapidamente números anteriores. Sem falar nessa ridícula ressalva de dois ou três pontos para mais ou para menos, fator de cautela capaz de assegurar clientes para as próximas eleições.

Por tudo isso, conclui-se que devemos acreditar nas pesquisas, mas nem tanto…

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