São os custos da saúde, estúpido!

Paul Krugman (Estadão)

Aqui está uma outra reflexão sobre a questão orçamentária. Na minha coluna desta segunda-feira, tentei sublinhar um ponto que está estranhamente ausente do debate público, pelo menos entre as “Pessoas Muito Sérias”: a solução predileta dessas pessoas para o déficit do orçamento a longo prazo, que é elevar a idade mínima para se ter direito ao Medicare, na verdade produzirá uma economia insignificante.

A questão é que, se você pretende controlar os custos do Medicare, não pode fazer isso expulsando um pequeno número de aposentados relativamente jovens do programa; para controlar custos é preciso, e você sabe, controlar os custos.

A verdade é que sabemos muito bem como fazer isso – afinal, todo país avançado tem custos muito menores com a saúde do que nós, e mesmo dentro dos Estados Unidos, o VHA e até o Medicaid controlam muito melhor os custos do que o Medicare, e as empresas de seguro privado ainda mais.

O importante é que haja um sistema de seguro saúde que diga não ao pagamento de preços com ágio de remédios que não são tão bons assim e não ao pagamento por procedimentos médicos que trazem pouco ou nenhum benefício.

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REPUBLICANOS
Mas mesmo quando os republicanos demandam uma “reforma das dotações”, eles estão decididamente contra qualquer coisa desse tipo. Um acordo envolvendo o preço dos medicamentos? Horror! Um conselho consultivo independente? Um painel da morte!

Os republicanos se recusam até a considerar a adoção de sistemas que funcionaram em todo o mundo; a única solução que aprovariam é aquela que nunca funcionou em lugar nenhum, ou seja, transformar o Medicare num sistema de cupons mal subvencionados.

Portanto, não preste atenção quando dizem como detestam os déficits. Se fossem sérios com relação a este problema se mostrariam dispostos a analisar políticas que podem realmente funcionar; em vez disso, eles se aferram às fantasias do livre mercado que, repetidamente, fracassaram na prática.

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