Sarney: imperador do Amapá, carrasco político dos Capiberibe

Helio Fernandes

Há mais de 40 anos escrevo sobre esse então pequeno Território, a maior concentração de manganês, não só do Brasil como do mundo. Uma riqueza formidável que dissipamos, doamos, entregamos aos ladrões do mundo. Confirmando o ditado tradicional: “Ladrão que rouba ladrão, tem 100 anos de perdão”.

Sarney chegou lá, o Território se transformou em Estado, os herdeiros assumiram com os “desbravadores enriquecidos” ainda vivos. Esse Amapá virou Monarquia, tendo como Imperador o ex-“presidente” quase ditador, José Sarney.

Verdade seja dita, ele chegou lá nos anos 90, o Maranhão já era pouco para ele e a dinastia dos filhos. Por sugestão do antigo dono do Território, foi para lá e não sairá mais.

Além de não sair, não deixa prosperar os que podem salvar o antigo e permanente covil de enriquecimento ilícito, com o manganês e o domínio da política.

O ex-presidente não se incomodou, junto com Renan, então presidente do Senado, expulsou (a palavra é essa) da tribuna o senador João Capiberibe, e cassou também sua mulher, deputada federal Janete.

O espetáculo foi lamentável, deplorável, humilhante. Na mesma hora Renan empossou o derrotado, Gilvan Borges, uma figura folclórica, que andava no Congresso usando terno e sandália franciscana, para chamar atenção.

Nova eleição agora, 2010, Capiberibe e a mulher se elegem para os mesmos cargos, são cassados novamente, Sarney-Ringo, “não perdoa, mata”. Novamente Gilvan Borges, derrotado, vai assumir, se o recurso dos Capiberibes for recusado.

Na primeira vez, numa vasta votação, foi acusado, textualmente: “Comprou três votos, pagou 26 reais por cada um”. Parece inacreditável, mas é a República de Sarney, que está próxima do fim. O novo governador do Amapá, Camilo Capiberibe, é filho de João e Janete. E Sarney não conseguiu nem conseguirá cassá-lo.

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