Sarney sem renunciar: “Estou pronto, digam ao povo que fico”

Fiquei emocionado, comovido, até constrangido com o discurso do presidente Sarney. As duas primeiras manifestações numa relação impressionante do que tem sido a vida de realizações do senador.

E minha surpresa é espantosa, criando o citado constrangimento. Pois não tinha a menor idéia de que quase tudo que existe no Brasil, FOI OBRA, CRIAÇÃO, PREOCUPAÇÃO e CLARIVIDÊNCIA  de José Sarney, como presidente da República ou nas três vezes que presidiu o Senado.

Confesso a minha ignorância histórica. Muita coisa que este repórter acreditava devesse ser colocado na conta de Pedro Alvares Cabral, de D. Pedro I e II e não esqueçamos de D. João VI, fiquei sabendo que foi feito com enorme antecedência pelo próprio Sarney.

O ex-presidente não falou que foi o autor da “Abertura dos Portos”, por excessiva modéstia e timidez.  Mas como usou um tempo enorme para dizer, “fui criador da Radio Senado, do Jornal do Senado, da Televisão do Senado, a popularização da Internet pelo Senado, (e repetia isso tantas vezes), que em determinado momento, assinalei para mim mesmo: “Não demora e Sarney me convence vai ler a carta de Pero Vaz Caminha dizendo que foi ele que escreveu”.

Sarney não leu, mas ficou evidente que a carta foi realmente escrita por ele, e consta do currículo para ingressar na Academia. Mas o ex-presidente estava pronto para NEGAR, que qualquer parente de Pedro Alvares Cabral, de Pero Vaz Caminha ou de D. João VI, tivesse sido nomeado por ele no seu gabinete. (No de sua filha Roseana pode ser, cada um tem seu estado, eu sou do Amapá).

Sarney estadista acaba a primeira parte, começa o final “não tenho nenhum inimigo”

É impossível negar: foi um discurso menor do senador. Depois do relacionamento de tudo o que fez e que modestamente “limitou em 55 anos”, quando na verdade precisariam de 550 anos, (embora o país só tenha 509) passou ao que chamou “apelo para que não façam a humilhação de uma vida digna, sem qualquer acusação”.

Foi uma sucessão de nomes desconhecidos, sem nenhuma importância. E é lógico, que o plenário inteiro mostrou ao (ainda) presidente da casa, que não gostara, com um mínimo de palmas, formais, desatentas, protocolares.

Todos os senadores, contra ou a favor de Sarney, estavam decepcionados, frustrados, se consideravam enganados. E não escondiam o fato. E repetindo e comentando com palavras do próprio Sarney: “Ele disse que jamais se esconderia no silêncio, mas esse silêncio teria sido muito melhor para ele. Pois o que falou, quer dizer, NÃO FALOU, foi muito pior para ele”.

Consternamento geral, impossível esconder.

Nenhuma solução à vista, nem hoje, nem no Conselho de Ética ou falta de Ética

Acabando de falar, Sarney não olhou para ninguém, não falou com ninguém, não apertou a mão de ninguém. Saiu pela porta do lado, até Marconi Pirilo, que presidia a sessão, ficou confuso. Declarou: “Passo a presidência ao presidente Sarney”, mas este já estava num de seus gabinetes. Por segundos ninguém presidiu o Senado.

Pirilo estava em pé, dando a presidência a Sarney, que acreditava que já estava EXPULSO, não queria assumir.

Depois de Sarney, começou a indecisão a respeito da sessão do Conselho de Ética. Este deveria ter se reunido antes, como o próprio Sarney anunciara na véspera.

Esse Conselho não tem a menor condição de resolver coisa alguma. Depois do discurso de Sarney, me lembrei de duas afirmações do ex-presidente, que publiquei e ontem não saía da memória do repórter.

1 – “Vou para o Maranhão, volto com o DOSSIÊ, que organizei durante 40 anos”. Ontem, ameaças e intimidações eram feitas nessa base.

2 – “Não tenho um só inimigo”. Sarney tentava reviver ou ressuscitar essa realidade, mas viu que não era realidade, as aspas deturpavam a palavra.

Lamentável, mas é preciso constatar: não foi uma sessão histórica, nem um discurso memorável. Hoje mesmo já estava tudo esquecido, ninguém queria o FUNCIONAMENTO do Conselho de Ética, mas oposição e a base, diziam o contrário.

Não era omissão, era a certeza de que a questão não tinha solução à vista, e esse Conselho não possuía autonomia de voo para nada. Podia ter até maioria de votos, mas não de convicções.

Não se lembravam mais da descoberta da HISTÓRIA CENTENÁRIA DE  SARNEY, que todos DESCONHECIAM, mas eram obrigados a conviver com o que tentaram impor ou impingir, o que consideravam realisticamente como o ESTADISTA DO NADA.

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