Sarney, vice indireto, Presidente (?) por 5 anos

Helio Fernandes

Até 21 de abril de 1985, Sarney ficou no Planalto. Tancredo no hospital, o país traumatizado. Começou a luta pela duração do mandato. Sarney queria 6 anos, os políticos exigiam 4, fizeram acordo em 5. Foi um governo desastrado, desalentado, desesperançado.

Mudou várias vezes de moeda, Sarney inventou Mailson da Nóbrega, que elevou a inflação a níveis jamais imaginados. Só que Sarney e Mailson continuam por aí, o Ministro incompetente não sai da televisão, o ex-Presidente agora é que se lembra da aposentadoria. Não conhece a Constituição dos Estados Unidos.

Em 1989 nova coincidência, que futuro. Passa o governo a Collor em janeiro de 1990, em novembro se elege senador. Descobre o Amapá, cujo manganês Eliezer Batista, pai de Eike, entregou aos americanos, se elege senador em 1998, 2006, diz que em 2014 não disputa mais nada, só se surgir nova coincidência. Para 2014 falta pouco, com Sarney nada é definitivo, a não ser a sorte a ambição.

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Constituição dos EUA
e do Brasil, diferente

Sarney discorre sobre a Constituição daqui e de lá, com simplicidade e sem conhecimento. Os Estados Unidos têm apenas uma, de 1788, e 24 emendas. Sem falar na “Primeira Emenda”, reverenciada pelo mundo inteiro. O Brasil tem várias Constituições (1891, 1934, 1937, 1946, 1988), além de vários períodos ditatoriais.

Sarney lembra rapidamente do parlamentarismo, diz que “é a salvação do país, não se sabe quando será adotada”. Esquece, ou não sabe, que a Constituição de 1988 era inteiramente parlamentarista, se transformou em presidencialista-pluripartidária, uma tragédia.

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Suplente, mandatos ininterruptos,
cidadãos que se elegem e mudam de cargo

Nos EUA, não existem suplentes de senadores. Quando se abre uma vaga, a Constituição determina que o governador preencha o cargo, transitoriamente. Quando Kennedy foi assassinado, seu secretário de Imprensa ficou sem nada, foi para a Califórnia. Morreu um senador, o governador democrata nomeou-o por 1 ano e 9 meses. Veio a reeleição, foi derrotado.

Dois presidentes do Brasil começaram como suplentes, Sarney e FHC. O Senado já teve 21 suplentes em exercício. Serra se elegeu senador, ficou quase os 8 anos todos como ministro, o cargo ocupado interinamente pelo suplente financiador. Que República.

De 1788 até 1952 os mandatos lá, não tinham fim. Quando Roosevelt se elegeu em 1932, 1936,1940 e 1944, republicanos e democratas se uniram (coisa rara) e aprovaram a emenda 24, que só permite ao cidadão 8 anos de mandato. Depois mais nada, nem eleito nem nomeado, é o que acontecerá com Obama a partir de 2016.

Outra emenda magnífica: o cidadão só pode ocupar o cargo para o qual foi eleito. Não pode se eleger, digamos, senador, se licenciar, exercer cargo executivo. Hillary tinha ainda 3 anos de mandato no Senado, foi nomeada Secretária de Estado, teve que renunciar. O mesmo acontecerá agora com o senador John Kerry, que substituirá Hillary por vontade dela.

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PS – Quase todas as datas citadas por Sarney, desde a primeira, citadas ou ditadas por ele, equivocadamente.

PS1 – “Quando deixei a Presidência (?) pensava em abandonar a política. Houve o problema com Collor, até meus inimigos exigiram a minha volta, tive que atender”. Ha!Ha!Ha!

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