Saúde admite ao Ministério Público risco de desperdiçar 2,3 milhões de testes de Covid

Charge do Miguel Paiva (Arquivo Google)

Deu no Jornal Hoje

O Ministério da Saúde admitiu ao Ministério Público Federal o risco de perda de 2,3 milhões testes de Covid. Os testes estão estocados num almoxarifado e vencem neste mês. O documento foi encaminhado à CPI da Covid. Na terça-feira (11), a Procuradoria-geral da República encaminhou à CPI documentos de um inquérito sigiloso sobre a atuação da União na aquisição e distribuição de testes.

A investigação é feita pela Procuradoria da República no Distrito Federal. A informação foi divulgada pelo jornal “Folha de S.Paulo”. A TV Globo também teve acesso ao documento.

VALIDADE VENCIDA – Em um dos documentos, o Ministério da Saúde informou ao Ministério Público sobre o risco do vencimento dos testes.

“Portanto, analisando o cenário atual, o Ministério da Saúde possui no almoxarifado central aproximadamente 4,3 milhões de testes moleculares com vencimento para maio de 2021, e que considerando uma rede laboratorial com capacidade instalada de processamento de aproximadamente 1,5 milhões exames/mês e uma estimativa de perda por validade de pelo menos 2,3 milhões de testes moleculares”, afirmou o ministério.

Nesta sexta-feira (14), o ministério reconheceu que jádeixou 1,7 milhão de testes perderem a validade. Cada teste custou ao cofres públicos R$ 42.

SERÃO REPOSTOS? – O ministério afirmou, sem dar mais detalhes, que os testes vencidos vão ser substituídos pelo fornecedor, sem nenhum custo.

O documento chegou à CPI a partir de um requerimento do senador Ciro Nogueira (PP-PI), um dos governistas que integram o colegiado.

Ele pediu que “cada uma das 27 procuradorias gerais de Justiça (dos estados e do Distrito federal)” e o Ministério Público Federal enviassem um arquivo “de todos os inquéritos ou investigações em qualquer fase, relativos à aplicação de todos os recursos federais destinados aos estados, DF e municípios de até 200 mil habitantes para o combate à Covid”.

TESTES ENCALHADOS – Em novembro do ano passado, o número de testes encalhados era ainda maior: quase 7 milhões, com validade entre dezembro e janeiro deste ano. A pedido do ministério, a Anvisa aprovou a extensão do prazo de vencimento por quatro meses, terminando entre maio e junho.

A testagem em massa foi é defendida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como medida necessária para conter a disseminação da doença desde o início da pandemia, no ano passado.

Apesar de sucessivas promessas de ministros da Saúde, o Brasil é um dos países que ainda têm uma testagem considerada baixa.

PARALISAÇÃO NA ENTREGA – No mesmo documento enviado à CPI, o Ministério da Saúde encaminhou um comunicado, que enviou em junho do ano passado, à Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), pedindo a paralisação provisória da entrega de 4 milhões de testes.

No documento, a pasta reclama que a Opas “quer obrigar o ministério a receber uma quantidade remanescente dos referidos kits, que ainda não foram entregues, totalizando 40 mil kits, ou num total de 4 milhões de testes, sem que o ministério tenha aceito o cronograma de entrega”.

O ministério, então, pediu para suspender o fornecimento. “A solicitação da suspensão do fornecimentos dos insumos se jusTIfica pela pouca saída dos kits, superlotação do almoxarifado do MS em Guarulhos, vencimento dos kits que já estão no almoxarifado (40 mil kits, ou seja 4 milhões de testes), os quais tem vencimento previsto para dezembro de 2020 e a falta do testes de extração RNA”, afirmou a pasta.

PODIAM GERAR CUSTOS – Segundo o ministério, se não houvesse a paralisação haveria “problemas de médio a longo prazo que podem gerar custos ao Ministério da Saúde”.

O ministério disse ainda que, se não houvesse a paralisação, teria que descartar os kits por incineração.

Questionado, o Ministério da Saúde não respondeu se queimou os testes no ano passado, diante da falta de espaço no galpão em Guarulhos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
Realmente, é inacreditável. Numa pandemia, o Ministério da Saúde deixou milhões de testes sem uso, chegou a pedir a extensão da validade e depois simplesmente deixou que se tornassem inservíveis. É um crime de lesa-pátria, sem a menor dúvida, mas estamos no país da impunidade. E nenhuma CPI vai dar jeito nisso. (C.N.)

8 thoughts on “Saúde admite ao Ministério Público risco de desperdiçar 2,3 milhões de testes de Covid

  1. Com o Lula na presidência, senti muita vergonha de ser brasileiro; com o Bozo sinto vergonha de ser homo sapiens. Vai ser ruim assim no mato.

  2. Teste em massa deveria estar sendo realizado desde o começo início da Pandemia. Naquela época se falava que não tinham testes.
    De lá para cá a necessidade permanece. É recomendação da OMS.
    Uma funcionária de onde trabalho foi à UPA com sintomas e recebeu atestado pelo afastamento por 14 dias. Sem teste. Foi alegado que somente era realizado em pessoas com sintomas graves. Isso já em setembro. Nem era mais início.
    E o que vemos é desperdício.

    Infelizmente não se Presidente, Ministro da Saúde e Governadores, Prefeitos e Secretários presos. Se isso ocorresse não teríamos muitos desses problemas na saúde.

  3. Já não somos mais o país da impunidade, essa etapa já está muito bem assimilada por todos os brasileiros de bem.

    O que tá duro de engolir é o país da:

    LOUCURA, DO NONSENSE, DO INVEROSSÍMIL!!

    É de entristecer o maior otimista!

    O país é uma verdadeira lata de lixo, por todos os ângulos que se olhe.

    Até a riqueza na maioria das vezes (evidentemente não estou generalizando) vêm do mesmo lixo, da mesma lixeira fétida que nos comanda.

    Todos se refestelam do lixo (falcatruas) que eles mesmos consomem com orgulho de uma orgia bem sucedida.
    São as benesses que a política proporciona aos que tem a sorte de poder conviver onde reside a riqueza e brota o (nosso) dinheiro.

    Alguma coisa tem que acontecer neste país, não há mais espaço para que a população continue olhando tudo isto pela vitrine.

    JL

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