Se arrependimento matasse

Carlos Chagas

Se arrependimento matasse, número cada vez maior de companheiros já estaria no céu. No PT, aumentam a perplexidade e a indignação com o PMDB, ou melhor, com a direção nacional do partido, cujo chefe, Michel Temer,  é o recém-formalizado candidato a vice-presidente na chapa de Dilma Rousseff. Porque a promessa era de que em troca da incômoda presença de Temer na candidatura petista,  o PMDB inteiro se integraria na campanha, garantia não apenas de mais tempo na televisão para a candidata, mas de votos em profusão.

O quadro que se apresenta é bem diferente. As seções estaduais do PMDB no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Acre estão fechadas com José Serra, além de seus candidatos a governador baterem de frente com os candidatos do PT. Ponha-se em dúvida, também, o diretório do Paraná.

Se era para isso, raciocinam companheiros de peso, melhor teria sido encontrar outro candidato a vice para Dilma, quem sabe até formando uma chapa pura, quer dizer, com alguém do PT.   Afinal, jamais constituiu segredo que o presidente Lula não morria nem morre de amores por Michel Temer.  Se ele não consegue levar o PMDB inteiro para a candidatura governista, já começa a campanha devendo…

Os mesmos de sempre

Já era esperada a blitz da grande imprensa contra a decisão do presidente Lula de não vetar lei que concedeu 7,7% de reajuste para os aposentados com mais de um salário mínimo. Os editoriais, comentários e simples reportagens refletem o sentimento das elites econômicas, infensas a quaisquer benefícios para os menos favorecidos.

Exultaram, essas elites, cada vez que o governo do sociólogo suprimiu direitos sociais. Sustentaram, até, a revogação integral  das leis trabalhistas, deixando  a  relação entre capital e trabalho entregue ao  mercado.

O pretexto é o mesmo de sempre: a Previdência Social vai falir, não suporta encargos capazes de promover justiça aos que vivem de salários e aposentadorias. Sendo assim, vibram tacape e borduna no lombo do Lula, mesmo sabendo que o presidente da República fez o dever de casa pela metade, ou seja, vetou a extinção do famigerado fator previdenciário, outra criação de Fernando Henrique Cardoso.

Constrangida, a equipe econômica curvou-se à decisão do primeiro-companheiro, mas em seguida o ministro Guido Mantega abriu o saco de maldades: vai tirar a  diferença dos gastos com o reajuste cortando no orçamento. Vejam bem, não vai cortar nos juros nem na remuneração do capital especulativo. Muito menos no déficit interno que já ultrapassou um trilhão de reais. Atingirá verbas destinadas à saúde, à educação, á segurança e à infra-estrutura. Bem como, está ameaçando, as emendas individuais dos parlamentares, coisa que será preciso ver para crer.

Com todo o respeito

Dizia  a sabedoria popular, décadas atrás, que cada  macaco deveria ficar em seu galho. Mesmo reconhecendo a precisão do ensinamento, vai um pedido de licença aos competentes jornalistas esportivos para uma incursão em sua seara. Não dá mais para agüentar o polêmico Galvão Bueno narrando os jogos da copa do mundo e derramando-se em comentários que nada tem a ver com as partidas. Muito menos suas  patrióticas e ufanistas tiradas, em especial quando limita e humilha os verdadeiros comentaristas postados a seu lado. Suas indagações constituem verdadeiros discursos, mas quando Falcão,  Casagrande ou Arnaldo César Coelho começam a explicar o necessário, são grosseiramente  cortados pelo personagem referido. Convenhamos, não foram essas as lições de grandes narradores do passado, como Ary Barroso, Oduvaldo Cozzi, Waldir Amaral e tantos outros. “Cala a boca, Galvão!” pode ser um grito  nacional de indignação.

Em busca do tempo perdido

As centenas de inserções de José Serra apresentadas na telinhas podem ter como objetivo recuperar o  tempo perdido nas últimas semanas, quando o candidato tucano perdeu terreno para Dilma Russeff. Mas, convenhamos, essa exposição explícita e exagerada acaba  produzindo  efeito contrário. O homem fala de tudo sem falar de nada, isto é, pela exigüidade do tempo em cada aparição, nada consegue acrescentar além de que o país necessita  de mais hospitais, médicos,  escolas e estradas.  Disso a população já sabe. Seria preciso que Serra informasse como.  A soma de pequenas mensagens não forma uma grande mensagem.

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