Se Ferreira Gullar for candidato, estará preenchida a vaga de Mindlin

Circula um informe (informação não “checada” na fonte) sobre a candidatura do poeta do Maranhão. Existem 8 ou 9 personagens que não disputariam vaga, se deixariam eleger. Gullar é um desses, recusou durante anos e anos, agora está ou estaria disposto a usar o fardão.

Outro poeta, Manuel Bandeira, chamava esses candidatos de “cães de açougue”, entravam, comiam tudo e não deixavam nada para ninguém. O próprio Bandeira se incluiria na designação, levou anos resistindo.

Fez as mais diversas exigências, até que depois da última, aceita, aceitou: “Não usarei fardão de jeito algum. Serei eleito com o terno que uso sempre e como ele irei às sessões”.

Aproveitando a oportunidade, responderei a muitos que pedem esclarecimento sobre a existência da Academia, sua função e objetivo. E se só existe no Brasil.

Como se chama Academia de Letras, a obrigação é de estudar, velar e proteger a língua, escrita, como sempre, ou falada com o avanço da tecnologia. Não é só no Brasil que existem essas Academias. A mais famosa e mais antiga é a da França, chamada de “Petit Trianon”.

A nossa é toda baseada na francesa, e até a sede antiga, ali mesmo na Avenida Presidente Wilson, foi doada pelo governo francês. Usou o título, em francês mesmo, transportado para cá. Quase na mesma época, doou ao Brasil o Theatro Municipal (réplica do Teatro de Paris), inaugurado em 14 de julho de 1909 (aniversário da Revolução Francesa) com discursos do presidente Nilo Peçanha, vice que assumira com a morte de Afonso Pena, e do inesquecível poeta Olavo Bilac.

O regimento (regulamento) interno da Academia brasileira, idêntico. O número de acadêmicos, a forma de eleição, igual. Diferença fundamental: no Brasil, o acadêmico eleito não pode mais sair, pedir demissão ou renunciar.

Houve uma famosa briga entre os acadêmicos Coelho Netto e Graça Aranha, e não foi simples. Jogaram cadeiras um no outro. Coelho Netto renunciou, a Academia não aceitou, ficou anos sem frequentar.

Na França, o presidente da República pode promover radicalmente a expulsão de um acadêmico, naturalmente num caso muito grave. Foi o que aconteceu com o acadêmico, general e depois marechal Petain. Herói e ídolo nacional na Primeira Guerra Mundial, quando derrotou os alemães na Batalha de Verdun, abrindo caminho para a rendição incondicional em 11 de novembro de 1918.

Na Segunda Guerra Mundial, o mesmo marechal, ídolo e herói, ao aderir aos alemães e chefiar o governo “entreguista” de Vichy, passou a réprobo e vilão, odiado por todos. Acabada a guerra, foi expulso da Academia e condenado à morte.

Estava então com 89 anos, preso numa masmorra, (royalties para o advogado bilionário de Arruda), esperava apenas o cumprimento da execução. Por causa da idade, a pena de morte foi comutada para prisão perpétua. O que para ele durou 11 meses, morreu ao completar 90 anos.

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PS – Até 1966, a Academia ficou restrita ao “Petit Trianon”, e ao espaço onde os acadêmicos se reuniam, chamado de “Cenáculo”.

PS2 – Com a mudança da capital, (assunto do momento) ficou vago, pegado à Academia, um grande espaço, onde era o Tribunal Federal de Recursos, que se mudara para Brasília. (E que a Constituição de 1988 extinguiu, transformando em STJ, Superior Tribunal de Justiça).

PS3 – Austregésilo de Athayde conseguiu então, penosamente, que o “presidente” Castelo Branco doasse o terreno à Academia. O sonho de Castelo era ser acadêmico, se julgava intelectual, por ter sido adido militar na França, como coronel. Não entrou.

PS4 – Austregésilo é que ficou 34 anos na presidência, vetando e elegendo acadêmicos, dando à Academia o esplendor de hoje. Isso fica para outra oportunidade.

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