Se Joesley Batista é um “bandido”, por que então Temer o recebeu em palácio?

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Charge do Benett (Notícias UOL)

Pedro do Coutto

Na resposta que apresentou – reportagem de Eduardo Barretto e Eduardo Bressiani, O Globo deste domingo – Michel Temer afirma que o controlador do grupo JBS é o bandido de maior sucesso na história brasileira, figura notória da prática de lances ilegais, aliado dos ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Rousseff. Alegou também que os negócios do submundo foram realizados nos governos passados. Mas cabe a pergunta: se Joesley Batista é um bandido e estelionatário, quais os motivos que levaram o presidente da República a recebê-lo no Palácio Jaburu, com ele mantendo uma conversa que se prolongou por 40 minutos?

O fato predominante no episódio que surgiu do novo depoimento de Joesley Batista à Polícia Federal foi o encontro que Michel Temer não nega e que provocou nova avalanche de impactos no quadro político do país.

Esperamos para esta segunda-feira a abertura do processo judicial que o presidente da República prometeu iniciar contra Joesley e o rumo que daí vai surgir no entrechoque violento de versões e opiniões a que a opinião pública assiste com interesse e também com revolta e decepção.

DESCEU OS DEGRAUS – Revolta e decepção por ver um presidente da República descer dos degraus do Planalto para duelar na planície com um empresário beneficiado por uma série de créditos e favores imensos que recebeu a partir de 2005, como o próprio Temer diz, através de créditos do BNDES, entre outras vantagens.

Sabedor de avanços ilegais do dinheiro público, o que se podia esperar do presidente Michel Temer era uma reação oficial contra o empresário que criara uma fonte luminosa de corrupção no país. Ao ponto de se tornar proprietário de frigoríficos, não só no Brasil, mas também nos Estados Unidos e outros países.

Porém, ao contrário, o atual governo só firmou posição contrária em relação ao Joesley Batista quando por alvejado por ele em depoimento à Polícia Federal, objeto da entrevista publicada com destaque pela revista Época. Dessa forma a reação presidencial se fez sentir como resultado das pressões e reflexos da opinião pública.

FALA DE FHC – Michel Temer viaja nesta segunda-feira para a Rússia e a Noruega, mas sua ausência do Brasil não funcionará como uma espécie de tranquilizante. A crise, antevista pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, permanecerá e aguardará o retorno do presidente, previsto para o final da semana. Ao contrário, o clima continuará marcado por uma temperatura alta, no início do inverno em nosso país.

Possivelmente informado da nova etapa aberta por Joesley Batista, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso desembarcou da viagem que os tucanos desejavam fazer na escala, mais uma, de participação no governo. Afinal de contas, o PSDB ocupa quatro ministérios na Esplanada atingida pela explosão desencadeada pela JBS. A ideia original era a de adiar a saída, esse adiamento durou apenas uma semana, pois agora a realidade passou a ser outra.

QUESTÃO ESSENCIAL – Desembarcar ou não desembarcar é a questão essencial do PSDB. Antecipar as eleições de 2018 tornou-se, como FHC deseja, uma solução de curto prazo. Essa antecipação pode não incluir os mandatos parlamentares e dos atuais governadores. Ficaria restrita a presidência e vice-presidência da República.

A tempestade atinge apenas o governo que não se encontrou desde a reeleição de Dilma Rousseff e de MIchel Temer. Michel Temer assumiu, mas não conseguiu sair-se bem das armadilhas que o poder deixa no caminho de quem o ocupa.

2 thoughts on “Se Joesley Batista é um “bandido”, por que então Temer o recebeu em palácio?

  1. O bandido e mentiroso, Joesley Batista, como dizem os interlocutores de Michel Temer, foi recebido no porão do palácio Jaburu, porque não recebeu o sujeito no gabinete da presidência da república, não é assim que agem oficialmente empresários, porquê teve que ser as escondidas, é um absurdo que ainda ouçam este deputado Carlos Marun, Moreira Franco e outros aliados de Michel Temer, todos tentam passar a imagem que o presidente não sabia de nada, tanto sabia que concordava pelas gravações obtidas pela PF.

  2. Definição de propina: substantivo feminino, podendo ser, no sentido positivo, gratificação extra por serviço normal prestado a alguém; gorjeta, emolumento.; negativamente significa quantia que se oferece ou paga a alguém para induzi-lo a praticar atos ilícitos; suborno.
    No que se refere à Lava Jato, ou assemelhados, temos a propina no sentido negativo.
    A propina poder ser oferecida ou solicitada. O único que pode, efetivamente, evitar que ela ocorra é quem tem o “dinheiro para dar”, oferecido ou solicitado.
    Quando alguém pede propina, ou aceita, é culpado, também; mas aquele que oferece, ou aceita dar a propina, também o é. Claro que o pedinte, ou aceitante, da propina, poderia evitar que ela acontecesse, não pedindo ou não aceitando, tal como o que dá ou aceita dar, ante um pedido; mas, repito, quem tem o dinheiro é quem, efetivamente, pode impedir que ela ocorra. Aí os delatores, tipo Joesley Friboi, denunciam como se fossem inocentes coitadinhos, que foram achacados por aqueles que agora denunciam. Que se não dessem, não teriam conseguido contratos, empréstimos, etc. Ao serem solicitados a dar propina, deveriam negar e denunciar ao Ministério Público. Antes, não como fizeram agora. E aí mentem, dizendo, por exemplo, que financiaram 1.829 candidatos; foi divulgada uma relação dos candidatos que “teriam sido financiados pelos Friboi”, com dinheiro de caixa um, contabilizado nas prestações de conta dos mesmos; aí fui verificar a prestação de contas de alguns deles; receberam o dinheiro do Comitê Financeiro Nacional Para Presidente da República, da Dilma, no caso; aí na prestação de contas deve ser informado a origem do dinheiro doado pelo Comitê da Dilma – Fundo Partidário, Pessoa Física ou Jurídica que tinha doado para ela; aí aparece a JBS, dos Friboi; ou seja, eles doaram para a campanha da Dilma e ela, como o Aécio também, tendo interesse nas eleições por Estados, repassaram para candidatos com potencial de votos, grandes cabos eleitorais; os candidatos não foram financiados diretamente pelos Friboi; não tiveram contato com os Friboi; alguns nem eram deputados ainda (eleições proporcionais de 2014) e, portanto, creio, não poderiam ter praticado “atos ilícitos, suborno” em troca dos valores recebidos.

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