Se não investiga e não pode dividir seus dados com o MP, para que serve o Coaf?

Resultado de imagem para coaf charges[Eliane Cantanhêde
Estadão

Ao suspender processos e procedimentos de investigação com base em dados do Coaf, da Receita e do Banco Central, o ministro Dias Toffoli acionou uma rede não só de críticas, mas também de suposições. Some-se a decisão de Toffoli às investidas contra o procurador Deltan Dallagnol e temos um ataque organizado à Lava Jato? Ou melhor, ao combate à corrupção?

Indicado pelo ex-presidente Lula para o Supremo, Toffoli foi advogado do PT e é amigão do ex-ministro José Dirceu, condenado tanto no mensalão quanto no petrolão. E sua decisão de agora beneficiou diretamente Flávio Bolsonaro, senador do PSL e filho “01” do presidente Jair Bolsonaro.

GRANDE DÚVIDA – Logo, a pergunta que passou a circular por corredores e gabinetes é se, enfim, está vingando um acordão. Se houve um do PT com setores do MDB, PSDB, PP, PTB… não chegou a lugar nenhum e a Lava Jato continuou firme e forte. E se envolver até o “01”?

Se a resposta for não, melhor para o combate à corrupção e para o País. Se for sim, pior para a depuração das instituições, a Lava Jato, seus protagonistas e as investigações. Podem comemorar os investigados e os já condenados, no setor público (governadores, prefeitos, deputados, ministros e até presidente da República) e no privado (empreiteiros, banqueiros, altos executivos das grandes companhias).

Depois de a procuradora-geral, Raquel Dodge, órgãos de procuradores, as forças-tarefa da Lava Jato em Curitiba, Rio e São Paulo e a cúpula da Operação Greenfield, do DF, manifestarem espanto e preocupação com a medida, Toffoli alegou a “defesa do cidadão”. O temor é de que seja em defesa de suspeitos e alvos de investigações, a torto e a direito, ou da esquerda à direita.

MAIOR RECUO – A “preocupação” de Raquel e de todos os demais é que a decisão de Toffoli seja o maior recuo em todos os cinco anos da Lava Jato e o maior presente para corruptos e criminosos de toda espécie, com repercussão negativa até internacionalmente.

O pivô da crise é o Coaf, órgão de inteligência financeira que identifica movimentações de grandes volumes de dinheiro e é fundamental para combater corrupção e lavagem de dinheiro. Ao aceitar um ministério, o então juiz Sérgio Moro, estrela da Lava Jato, pediu a Bolsonaro que mantivesse o Coaf na Justiça. Foi, saiu, voltou, saiu de novo. Agora, o próprio Coaf está sob forte ameaça. Se não investiga e se não pode municiar os órgãos de investigação, para que ele vai servir?

DIZ TOFFOLI – Tentando consertar o desastre, Toffoli explicou ontem que o Coaf pode continuar enviando ao Ministério Público “dados genéricos” e “o montante global” das contas que fizerem movimentações atípicas, fora do padrão daquela conta e do patrimônio do seu dono. O que não pode, disse ele, é o Coaf, a Receita e o BC fornecerem “informações detalhadas” aos investigadores, sem aval da Justiça. Ah, bom!

No caso em foco, envolvendo Flávio Bolsonaro, foi o Coaf quem detectou e comunicou ao MP os “dados genéricos” e o “montante global” da a movimentação de R$ 1,2 milhão do tal Queiroz, o motorista do gabinete do “01” na Assembleia Legislativa do Rio. Abertas as investigações, começou a fazer sentido: os funcionários do gabinete depositavam parte dos seus salários na conta do agora sumido Queiroz.

PACTO SINISTRO – Ao criar problema para o “01”, o Coaf passou de caçador a caça, agora com um precioso apoio, a decisão monocrática do presidente do Supremo. A previsão de julgamento pelo plenário é em… novembro!

Será que o “pacto” entre Executivo, Legislativo e Judiciário era isso? Um acordão? Eu te protejo, tu me proteges, todos nós nos protegemos. E Flávio se dá bem.

Aliás, o que Moro achou da decisão de Toffoli? E das manifestações das forças-tarefa da Lava Jato?

2 thoughts on “Se não investiga e não pode dividir seus dados com o MP, para que serve o Coaf?

  1. Fala sério Bussunda!

    Bozolado teve um dia de bruxismo hoje.
    Atacou Governadores, atacou a indústria audiovisual, deu varias entrevistas onde se contradisse, o bagual firula ta querendo provar, como o Collor, que têm ‘aquilo roxo’.
    Só que o roxo do Bozolado é na cabeça!
    Um hematoma cerebral!
    Dele se achar solene, de tanta solenidade, ou célebre, de tanta celebração que cria para ter o que fazer.
    Polêmico? Que nada, podre mesmo.
    Um palhaço procurando sustentação pisando em um corredor de bolas de gude….

    Quanto tempo mais até ir pro saco?

    Quanta MOROsidade, Brasil…

  2. Edna Ferber, a autora de “Cimarron”, num artigo sobre o julgamento de Bruno Hauptmann pelo seqüestro e morte do filho de Charles Lindbergh, disse que o sensacionalismo da mídia a fazia desejar renunciar à condição de integrante do gênero humano. É algo que a gente sente tentado a fazer diante do comportamento dessas elites dirigentes do Brasil preocupadas em cometer malfeitos, encobri-los e punir quem os investiga.
    Mas uma vez que não há como se enfiar num buraco para se ver livre dessa gente, o jeito é protestar como puder.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *