‘Se não tiver auditoria, não vai ter eleição’, ameaça Bolsonaro em reuniões internas

Bolsonaro volta à carga contra as urnas eletrônicas e vai dar uma  trabalheira a Fachin - Flávio Chaves

Charge do Zé Dassilva (NSC Total)

Rafael Moraes Moura
O Globo

A cruzada do presidente Jair Bolsonaro contra as urnas eletrônicas não vai se limitar a uma auditoria que deve ser contratada pelo seu partido, o PL. O chefe do Executivo também quer acionar as Forças Armadas, a Controladoria-Geral da União (CGU) e até a Advocacia-Geral da União (AGU) para fiscalizar o processo eleitoral, segundo interlocutores do presidente ouvidos reservadamente pela coluna.

“Se não tiver auditoria, não vai ter eleição”, disse o presidente da República em uma das reuniões reservadas que tem feito para tratar do assunto, segundo uma testemunha dessa cena.

EM PREPARAÇÃO – Nas últimas semanas, equipes da campanha e dos órgãos de governo que Bolsonaro quer ver na ofensiva foram mobilizadas para reuniões e discussões com o presidente sobre como operacionalizá-la.

A ideia é que as Forças Armadas, a CGU e a AGU formem frentes paralelas à auditoria que deve ser contratada pelo PL. Cada uma dessas instituições acionaria o TSE separadamente para atuar na fiscalização do pleito.

Especialistas ouvidos pela coluna avaliam que a ofensiva de Bolsonaro está dentro das regras do jogo, porque existe uma resolução do TSE autorizando esse tipo de trabalho. A iniciativa, porém, pode tensionar ainda mais o ambiente, porque na prática testará mais uma vez os limites das instituições.

INTERESSE PÚBLICO – O problema pode ocorrer se, durante o andamento dos trabalhos, ficar claro que as Forças Armadas, a CGU e a AGU não estão agindo em nome do interesse público, e sim para dar munição para Bolsonaro atacar a Justiça Eleitoral.

Aliados de Bolsonaro destacam que uma resolução do TSE, de dezembro do ano passado, prevê que partidos políticos, a CGU e as Forças Armadas “são consideradas entidades fiscalizadoras, legitimadas a participar das etapas do processo de fiscalização”.

A resolução em questão  – de número 23.673 – foi aprovada no final do ano passado pelo plenário do TSE durante a presidência do ministro Luís Roberto Barroso. O relator foi o atual presidente do TSE, Edson Fachin.

FAZER CONSÓRCIO – O texto do TSE também prevê que as entidades “poderão se consorciar” para os fins de fiscalização e auditoria do sistema eletrônico de votação.

A estratégia do presidente de envolver as Forças Armadas, a CGU e a AGU na fiscalização das eleições é vista com ressalvas entre militares.

“As Forças Armadas não fazem auditoria. Elas são utilizadas na segurança da garantia da votação e apuração, durante os dias de votação, por solicitação dos tribunais regionais eleitorais, após aprovação do TSE”, comentou uma fonte próxima ao Alto Comando à coluna.

PROCURA-SE A EMPRESA – O PL, partido de Bolsonaro comandado por Valdemar Costa Neto, está enfrentando dificuldades na contratação de uma empresa para acompanhar as diversas etapas do processo eleitoral.

Os empecilhos envolvem tanto encontrar uma empresa com credibilidade no mercado e que aceite assumir a empreitada quanto definir o próprio valor da  auditoria, que ninguém sabe ao certo precisar, porque não se sabe ao certo qual será o escopo do trabalho. Interlocutores de Bolsonaro avaliam que, dada a ambição do presidente, o esse valor deve ultrapassar a marca de R$ 1 milhão.

Representantes do PL já visitaram o TSE ao menos em três oportunidades. Segundo o TSE, a primeira visita ocorreu em 30 de novembro de 2021 – mesmo dia em que Bolsonaro se filiou ao partido – para inspeção dos códigos-fonte do sistema eletrônico de votação.

SEGURANÇA – A segunda visita aconteceu no dia 9 de dezembro, para verificar a segurança do sistema eleitoral. “Durante a visita, técnicos da Secretaria de Tecnologia da Informação do TSE forneceram diversas informações sobre o sistema eletrônico de votação brasileiro”, informou o tribunal.

Um dos advogados da campanha de Bolsonaro, o ex-ministro do TSE Tarcisio Vieira, acompanhou uma das etapas do Teste Público de Segurança.

O ex-secretário do TSE Giuseppe Janino, conhecido como pai da urna, diz que a fiscalização em si não é um problema. “A utilização de empresas técnicas contratadas por partidos políticos é, inclusive, o que a Justiça Eleitoral deseja: a participação dos partidos, utilizando a assessoria de empresas técnicas para fazer o trabalho da melhor forma possível”, avalia, dizendo que as urnas são utilizadas desde as eleições municipais de 1996 e jamais uma acusação de fraude foi comprovada.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
A matéria é interessante, mas falta um detalhe importantíssimo – para descobrir fraudes eleitorais, o Exército contratou uma empresa israelense de segurança cibernética, criada por ex-servidores do Mossad, o serviço secreto do país. Se os arapongas de Israel não encontrarem brechas para fraude, todo o castelo de cartas desaba imediatamente. (C.N.)

12 thoughts on “‘Se não tiver auditoria, não vai ter eleição’, ameaça Bolsonaro em reuniões internas

  1. Fora de pauta.

    “Gastos bilionários de dinheiro público, feita por parlamentares comprados para reeleger Bolsonaro, leva a escândalo parecido com o dos anões do Orçamento.

    Parlamentares promovem um show de gastos fisiológicos com emendas secretas, criadas pelo Centrão com o apoio de Bolsonaro. Para se reeleger, o presidente criou uma máquina de desviar verbas mais eficiente do que o Mensalão e o Petrolão. A nova versão do escândalo dos Anões do Congresso é uma sabotagem do orçamento público.”

    https://istoe.com.br/orcamento-sequestrado/

    Desculpe por colocar o link, mas é melhor do que colocar a matéria completa.

  2. Esse incompetente palaciano está presidente para nos representar e não ficar dando uma de macho a toda hora. Detesto incompetentes sem o devido senso de crítica para reconhecer a sua verdadeira medida na sociedade. Vai perder feio, essa coisa horrenda.

    • Em comentário que fiz outro dia citei cada etapa do dia antecedente e do dia das eleições.
      Se as urnas não forem bem guardadas sempre há um risco de parar por algum mísero tempo que seja nas mãos erradas – ou facilitado o acesso a elas.
      É preciso esforço e união para garantir que estejam
      locais seguros e que não saiam dos olhos de ninguém, preferencialmente vigilância eletrônica, inclusive.

    • ‘”Se não tiver auditoria, não vai ter eleição’, ameaça Bolsonaro em reuniões internas.”
      PS. Sim, claro, prorrogue-de automaricamente o meu mandato, conforme oportuna exigência!

  3. Bolsonaro e família sempre foram eleitos com as urna eletrônicas. Nessas eleições existe forte risco de perder às eleições e, se perder corre o risco de ir para cadeia e não poder mais ajudar os filhos investigados por crimes.
    No desespero Bolsonaro quer de alguma forma tumultuar as eleições. Isso é igual a uma virose que pega em quem não tem anticorpos contra mentiras e distorções dos fatos.

  4. Também acho que precisamos de auditoria externa, competente e honesta.
    E a primeira auditagem deve ser no governo!
    Será que o Mito permitiria e entregaria as chaves do cofre onde guarda os segredos de seu governo?
    Cartões corporativos, distribuição de verbas anti-cpi da lava-toga, rachadinhas e rachadonas, e tantas outras sacanagens administrativas, seriam abertas para esclarecimentos?

    Como dizem os pivetes e assaltantes que perambulam por nossas cidades: Mito, perdeu!

  5. Minha sugestão para que não paire dúvidas.
    Fazer a apuração com é feita a escolha do Papa, os cardeais do TSE e do STF se reúnem num bunker, fazem a votação e soltam a fumaça branca, o eleito foi Lula!
    Bem que as pesquisa acertaram na mosca.
    Hehehe.

  6. Se as condições são essas, então é melhor que sejam transparentes e façam a tal da auditoria. Nada daria mais credibilidade ao processo do que proceder dessa maneira. Porque resistem?

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