Se o FMI diz que a política econômica do Brasil está errada, o que se pode fazer?

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Charge do Genildo (Arquivo Google)

Carlos Newton

Ainda a propósito do artigo escrito por três especialistas do Departamento de Pesquisa do Fundo Monetário Internacional – Jonathan D. Ostry (vice-diretor), Prakash Loungani (chefe de divisão) e Davide Furceri (analista) – torna-se necessário deixar claro que o editor da “Tribuna da Internet” é admirador de Adam Smith, pai do Liberalismo, apenas tem convicção de que suas teorias não podem ser adotadas ao pé da letra, como pretende a equipe dos novos “Chicago boys”. Seria o mesmo erro que seguir hoje em dia as teses de Karl Marx e Friedrich Engels, sem as indispensáveis adaptações. É exatamente o que está acontecendo agora no Brasil, que pretende reviver o antigo sem renová-lo.

Se o próprio FMI reconhece que o neoliberalismo não está dando certo nos países em desenvolvimento, como aceitar essa política suicida do governo Bolsonaro?

IDEIAS ULTRAPASSADAS – Conforme alertamos aqui na “Tribuna da Internet” desde o início do governo, Paulo Guedes é um velho “Chicago boy” que sonha em ressuscitar as ideias ultrapassadas de Adam Smith e Milton Friedman, as quais só podem ser aplicadas com múltiplas adaptações e sob o mais rigoroso controle.

Aproveitando-se do fato de o presidente se orgulhar de nada entender de economia, Guedes resolveu transformar o país numa espécie de laboratório experimental das teorias de Milton Friedman, o pai dos “Chicago boys”, sem levar em conta que Brasil e Chile têm economias totalmente diversas.

A essa altura do campeonato, é melhor respeitar o FMI, até porque não é razoável fazer com que o povo brasileiro seja piloto de provas de fábricas de supositórios econômicos, digamos assim. E nota-se claramente que Guedes está perdido no governo, decididamente não sabe o que fazer, vive a repetir que a reforma da Previdência vai resolver, vem um trilhão de reais daqui, mas um trilhão dali, é uma enganação patética.

DISSE O FMI – Aliás, é bom lembrar que o FMI previu que PIB do Brasil ia cair e o país teria o segundo pior desempenho do mundo em 2016. Depois, mostrou preocupação com ‘ventos frios’ que sopram no Brasil e avisou que o país só poderia voltar a ter superávit primário em 2020, mas essa previsão foi antes de se configurar a atual estagflação, com recessão e inflação ocorrendo simultaneamente.

Conforme temos afirmado aqui na TI, o Brasil tem incomparável potencial de crescimento, pois é o quinto maior país em extensão e habitantes, a oitava economia, tem imensas reservas minerais a explorar, as mais extensas terras agricultáveis do planeta, o maior volume de água doce acima da terra e em aquíferos, e dispõe de uma indústria sofisticada, que é facilmente recuperável, basta o atual governo descobrir para que serve o BNDES.

O CASO NATURA – Como diz nosso amigo Mathias Erdtmann, o Brasil precisa perder o complexo de vira-lata. Ele nos mandou uma excelente reportagem de Alexander Busch na “Deutsche Welle” sobre o sucesso internacional da Natura, citando casos de crescimento relevante ignorados pelos brasileiros.

Por cerca de 2 bilhões de dólares, a Natura incorporou no ano passado a concorrente londrina Avon e ascendeu para se tornar uma das dez maiores empresas mundiais do setor. Embora a empresa que resulta da fusão ainda seja menor do que L’Oreal ou Esteé Lauder, já se aproxima das divisões de cosméticos da Henkel, Chanel ou Beiersdorf.

Diz o jornalista Alexander Busch, que há 25 é correspondente na América do Sul, que essa mistura tipicamente brasileira de liderança de negócios pode ser encontrada em todas as empresas de sucesso do Brasil – desde a fabricante de aeronaves Embraer até as redes varejistas Magazine Luiza e Lojas Renner, ou a Drogaria Raia.

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P.S. 1
Pessoalmente, acredito que o Brasil seja tão promissor que possa seguir adiante independentemente de seus governantes. Basta que eles não atrapalhem,mas esta parece ser a ferrenha disposição de Paulo Guedes, que já ameaça ir “morar lá fora”. Aliás,  deveria fazê-lo com a máxima urgência, e de preferência no Chile.

P.S. 2 – Também estou convicto de que a crise brasileira não se resolverá sem uma auditoria da dívida pública, cujo objetivo não é dar calote em ninguém, mas apenas esclarecer alguns pontos nebulosos, com a remuneração “overnight” da sobra dos depósitos diários dos bancos. (C.N.)

6 thoughts on “Se o FMI diz que a política econômica do Brasil está errada, o que se pode fazer?

  1. “Remuneração “overnight” da sobra dos depósitos diários dos bancos”. Esse nome ficou muito famoso no governo Sarney. Muita gente ganhou muito dinheiro com este tipo de investimento. Foi proibido para povão, mas continua valendo para os banqueiros? Isso que quis dizer?

  2. Em países onde as pessoas se respeitam mais e não aceitam tão facilmente a imposição de doutrinas, sem um mínimo de diálogo, franco e inteligível, as coisas para funcionarem corretamente, dependem menos da influência e da fiscalização do estado. Já nos países onde a mallandragem impera, a coisa se inverte.

  3. Caro CN, “se o próprio FMI reconhece que o neoliberalismo não está dando certo nos países em desenvolvimento” … calma aí, o fato de 3 funcionários do FMI publicarem um artigo num periódico, não implica num aval do órgão, taokey?

  4. A nosso ver, o Estudo do Departamento de Pesquisa do FMI não contradiz a necessidade da redução do tamanho do Estado Brasileiro que atualmente Custa 41% do PIB, redução de seu Deficit Fiscal Nominal de 7% do PIB, e necessidade de breve criar um Superavit Primário de 1,6% do PIB para estancar o crescimento da Dívida Pública que atualmente em 80% do PIB gera o maior Custo no Orçamento Federal ( +- R$ 350 Bi/Ano, só para comparar toda Folha de Pagamentos do Gov. Fed. é de +- R$ 330 Bi/Ano), isso com Taxa Básica SELIC de 6,5%aa e Juro real de 2%aa.

    O que ele aponta é que a “Dosagem” das Medidas de AUSTERIDADE não devem ser Radicais, e a abertura para Fluxos de Capitais de Curto Prazo deve ser rigorosamente controladas, pois geram muita volatilidade/Incertezas.
    Observaram que o radicalismo principalmente nesses dois itens causam grande disparidade na distribuição da Renda, Concentrando-a, o que gera forte efeito de Arrasto no crescimento Econômico.

    Mas o básico continua válido, para recuperarmos no futuro o Grau de Investimento, selo de aprovação internacional de um Governo.

    Dentro desses critérios as Reformas da Previdência, Tributária, Administrativa, etc, DIALOGADAS e votadas pelo Congresso, que tem excelente Corpo de Analistas, necessitam ser aprovadas e quanto mais rápido, melhor.

    Quanto a mudança de Modelo Econômico de Nacional Desenvolvimentista semi-Estatal com viés para o Privatista Nacional, que vem vigorando no Brasil desde 1930 e que INDUSTRIALIZOU o Brasil, para um Modelo Neo-Liberal tipo Chile de PINOCHET, não é a melhor solução. Tínhamos o Modelo Liberal Laissez-Faire todo o século XIX e até 1930 do XX, e nunca saímos do sub-Desenvolvimento/Pobreza.

    É necessário sim, extinguir os excessos de erros cometidos ao longo do tempo no Modelo Industrializador Nacional Desenvolvimentista, via as Reformas.

    Quanto a uma Auditoria POLÍTICA da Dívida Publica no Congresso, no momento seria bem mais prejudicial do que benéfico, pois “espantaria o necessário Capital” para a “rolagem da Dívida” que não necessita ser paga, mas ROLADA.

    Na virada do mês, não nos esqueçamos de ajudar a manter o bom TRIBUNA DA INTERNET onLINE pagando uma Mensalidade de R$ 20.

    CEF – Lotéricas
    Ag. 0211…………….CC. 323-4

    Banco ITAÚ
    Ag. 6136…………….CC. 12318-6

    BRADESCO
    Ag. 3225……………..CC.2247-0

    Muito Obrigado.

  5. Sr Newton;
    Em todo lar de classe média, nós temos familiares trabalhando ( ou aposentados) na iniciativa privada, nas estatais, no executivo e no judiciário.
    As diferenças são agressivas.
    Paulo Guedes foi o primeiro que resolveu enfrentar e tentar resolver isto.

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