Se o país está falido como diz Guedes, por que não se pode discutir a dívida pública?

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Guedes mantém os números sob sigilo e tenta aterrorizar o Congresso

Carlos Newton  

O culpado pela gravíssima crise do país não é o presidente Jair Bolsonaro. Muito antes de ser eleito, ele avisou a todos que o responsável pela gestão seria o economista Paulo Guedes, apelidando-o de seu “Posto Ipiranga”. A maioria dos eleitores aceitou essas condições, ao eleger o candidato do nanico PSL. E agora, com apenas quatro meses e meio de governo, o ministro da Economia, Paulo Guedes, comparece ao Congresso Nacional e anuncia que o país entrou em situação de pré-falência.

“Estamos à beira de um abismo fiscal. Vamos nos endividar para pagar Bolsa Família, BPC, Plano Safra e as aposentadorias do regime geral, INSS. Estamos nos endividando para pagar despesas correntes. Não deveria ser normal”, disse na Comissão Mista do Orçamento.

ENDIVIDAMENTO – Essa declaração apocalíptica foi feita para justificar o pedido de dotação extraordinária no valor de R$ 248 bilhões, para que o governo não cometa pedalada fiscal tipo Dilma Rousseff. Nesse crédito suplementar, conforme Guedes, R$ 200 bilhões são para Previdência, R$ 30 bilhões do BPC (benefício mensal ao idoso carente e à pessoa com deficiência), R$ 6 bilhões da Bolsa Família e quase R$ 10 bilhões do Plano Safra.

Guedes é um farsante, que faz contorcionismo verbal e maquia a realidade. Deveria ter dito a verdade. O governo precisa rolar a dívida pública, que tem prioridade de pagamento devido à fraude do então deputado Nelson Jobim, que introduziu essa obrigatoriedade no texto constitucional sem ter sido aprovada na Comissão de Economia. A dívida pública hoje leva a maior parte do arrecadação, não sobra dinheiro para nada. Esta é a realidade.

Mas Guedes atribui tudo ao rombo da Previdência, como se o INSS não tivesse qualquer receita. Por isso, mantém os números sob sigilo, revela-os da maneira que bem entende, sempre querendo iludir, ao invés de discutir.

FUNDOS DE PENSÃO – Além de omitir a importância da dívida pública no caos econômico, o mais impressionante foi ouvir Guedes dizer o seguinte: “Houve um desvio terrível. As estatais quebraram. Não foram só os Correios. Quebraram também o Postalis (fundo de pensão dos Correios). Cem mil carteiros estão sem receber suas aposentadorias”, afirmou ele, que mencionou ainda a Petrobrás e seu fundo de pensão, o Petros, e também o Portus, fundo de pensão dos funcionários do Porto de Santos. “É um problema atrás do outro. A conta está chegando. São bilhões chegando”, afirmou apocalipticamente.

Além de omitir o lucro médio de 10% das principais estatais em 2018, que não “quebraram”, estrategicamente o ministro esqueceu de dizer ter sido corresponsável pela crise dos fundos de pensão, por ter aplicado recursos de Postalis, Petros, Previ e Funcex em ativos financeiros criados pelo próprio Guedes, segundo investigações em curso no Tribunal de Contas da União e no Ministério Público do Rio de Janeiro, e o ministro jamais atendeu às convocações para prestar depoimento.

É TUDO MENTIRA – O governo não está pré-falido (“à beira de um abismo fiscal”). Está sendo é mal gerido. A dívida pública corrói a nação, que não tem mais dinheiro para pagar as mordomias e altas remunerações da nomenklatura dos Três Poderes. No entanto, ao invés de procurar um Pacto Nacional, para reduzir  despesas desnecessárias, gratificações, penduricalhos, medalhões de lagosta e vinhos premiados, o rumo do governo é dar aumento salarial aos militares.

Na verdade, é preciso dar um freio de arrumação. Mas ninguém pode acreditar num mitômano como Guedes, que esconde os números da Previdência e conta uma mentira atrás da outra.

Os brasileiros só podem acreditar nele quando derrubar o sigilo, convocar auditorias para a Previdência e a Dívida Pública, e comparecer voluntariamente ao Ministério Público para depor sobre suas transações com os fundos de pensão. É o mínimo que se espera dele.

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P.S.
Os brasileiros não devem desanimar. Somos o quinto maior país do mundo em território e número de habitantes, a oitava maior economia, com as mais extensas áreas agricultáveis e o maior volume de água doce em nascentes e aquíferos, com abundantes riquezas minerais a serem exploradas e grande potencial de crescimento. Os governos passam e ministros como Paulo Guedes acabam no lixo da História, mas o Brasil há de seguir adiante. (C.N.)

14 thoughts on “Se o país está falido como diz Guedes, por que não se pode discutir a dívida pública?

  1. No Postalis, estamos pagando este roubo, efetuado pela quadrilha de Politicos e Empresários. No meu caso, estou pagando mais de R$ 800,00, durante 23 anos. Estamos aguardando que estes bandidos sejam presos, e devolva estes bilhões ao nosso Plano de Previdência. Estamos de olho em vocês.

  2. Carlos Newton, excelente matéria por ti publicada.
    Infelizmente, moramos num país onde tem como base, a comercialização de matéria prima (commodities). Nunca tivemos um governo capaz de agregar valores aos nossos recursos naturais (faltaram investimentos em pesquisas e industrialização em nosso país).
    Temos um congresso (câmara e senado), que nos envergonham, nos enojam.
    Apesar de toda dificuldade financeira, esses congressistas estão pressionando o governo para aumentar o número de ministérios, para poderem aprovar medidas (aumento de ministérios = aumento de despesas).
    Nossos políticos não tem o menor interesse em salvar à nação. Eles querem que se dane-se os pagadores de impostos.
    A Caixa Econômica, de 1999 a 2013, fez correção do FGTS pela TR (onde o índice ficou abaixo da inflação). Não houve vantagem para o trabalhador, mas a CEF teve 300 milhões disponível para a companhia GOL, causando mais um escândalo de pagamento de propinas.
    Nossos recursos naturais são enormes, temos as maiores jazidas de Nióbio do mundo, onde não sabemos explorar de forma correta.
    O governo pensa pequeno, pois enquanto o minério de ferro (que adoramos vender para a China e Japão) custa US$ 50 a tonelada, o Nióbio custa US$ 45 mil a tonelada (para quem não sabe, o Nióbio é utilizado para dar liga ao aço inox, ou seja, matéria prima de grande necessidade para a indústria mundial).
    Torço para que o presidente consiga disponibilizar o FGTS para saque, para possibilitar que esse recurso que fica praticamente parado na conta do FGTS, seja usado pelos trabalhadores para sanar suas dívidas e injetar uma importante quantia na economia, dispensando empréstimo e aumento da dívida pública.
    Ou será que o dinheiro do trabalhador tem que ficar preso na conta do FGTS para continuar beneficiando “esquemas”???

  3. Dona Carmem Lucia impede a quebra de sigilo tdo celular do assessor jurídico da JBS na CPI do BNDES, a pedido da OAB. O que há de tão importante que estão tentando esconder? Seria o envolvimento do judiciário? Dos banqueiros? Dos advogados da OAB? São contra estas coisas que temos de nos levantar, mas a impren$a só se interessa pelos Bolsonaros! Quanta patifaria!

  4. Eu vejo Guedes falar na dívida em quase todas as entrevistas e audiências; e ele apresenta a solução: reforma da previdência, privatizações, reformas tributária e simplificações, assim o crescimento vai fazer a dívida se estabilizar em relação ao pib.

    O que não vejo é ele pregar o calote, como parece ser a preferência de Newton e da psolista caloteira.

  5. Análise das mais cortantes que desafia o pensamento tosco acerca do caos a que chegamos, o texto embasa com irrefutável correção como eclodem as crises e mascaram suas verdadeiras causas. Como comenta Ciro Gomes: “É disto que se trata! TODOS os números provam esta tese irrespondível: com preços altos dos produtos tradicionais brasileiros no exterior, expandiu-se o consumo de massas criando a ilusão de avanço. Com a queda profunda dos preços, o fenômeno inverso, um empobrecimento acelerado! Nenhuma mudança nas estruturas , especialmente a dos tributos e a manutenção da mesma política econômica de FHC durante todo o período PT, revelaram que nada mudou!” https://portaldisparada.com.br/politica-e-poder/a-leitura-politica-errada-de-lula/amp

  6. O editor, com a tentativa de sustentar seus argumentos com essa de que somos o grande país, com terras agricultáveis,etc, etc,etc nos salvaria se fosse o nosso presidente.

    cada uma.

  7. O grande fator alimentador do crescimento da dívida pública é o déficit primário, onde as despesas, mesmo sem pagamento de juros da dívida, são maiores que as receitas. O Brasil amortiza a dívida com lançamentos de novos títulos do tesouro, ou seja, com mais dívida. Não usa um real de imposto para pagar a dívida. Voce pode dá calote, fazer auditoria da dívida, ou o que quiser, mas se não reduzir as despesas, para que caibam dentro das receitas, de forma que haja sobra para reduzir a dívida, o endividamento público só vai aumentar.
    E para os defensores de calote, sugiro que leiam sobre a Argentina.

  8. O momento é de emergência nacional. Há um buraco no orçamento no valor de R$ 258 bilhões que tem que ser coberto com operações de crédito. A “regra de ouro”, que consta do artigo 167, III da Constituição Federal, estabelece que o total da receita de operações de crédito não pode ser superior ao total de despesas de capital(= investimentos + inversões financeiras + amortização da dívida). Ou seja, proíbe o Governo de se endividar para pagar despesas correntes, que são o custeio administrativo e os gastos rotineiros da máquina burocrática. Ocorre que a Constituição prevê que essa regra pode ser quebrada mediante a aprovação, pelo Congresso Nacional, em sessão conjunta, mediante a aprovação, por maioria absoluta da Câmara e do Senado deliberando em sessão conjunta do Congresso Nacional, de um projeto de lei de crédito suplementar para reforçar crédito já existente ou para instituir crédito não consignado na lei orçamentária, que é o crédito especial. Essa deve ser a grande prioridade nacional do momento, é uma questão emergencial, cuja importância, no momento, é até maior do que a da reforma da previdência.

  9. Se o governo não metesse a mão no dinheiro dos segurados através da DRU
    (30% de cara, antes de chegar aos cofres), para pagar a dívida pública, o Paulo Guedes, não precisaria pedir esse 248 bilhões de reais aos cofres público.
    Paulo Guedes, na ânsia de favorecer seus colegas banqueiros está aplicando o conto do terror: se não fizer a Reforma da Previdência nos seus moldes, o Brasil vai quebrar de vez.
    O que vai afundar o Brasil é a divida pública, que vai continuar aumentando e, haja DRU para ter dinheiro para pagar os juros dessa “dívida”

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