Se os apoios a Bolsonaro no Youtube são espontâneos, por que pagar por sua publicação?

Propagadores defendem Bolsonaro, atacam jornais e emissoras

Pedro do Coutto

Essa é a pergunta que faço a mim mesmo e também aos leitores e leitoras deste site logo após ler a reportagem de Marlen Couto, O Globo de ontem, quando destacou a decisão do ministro Luis Felipe Salomão, do Tribunal Superior Eleitoral, contra a monetização dos propagadores de mensagens, principalmente no Youtube, defendendo Jair Bolsonaro e atacando jornais e emissoras de televisão.

A matéria acentua que as fontes citadas pelo Youtube tem  9,1 milhões de seguidores. Uma tiragem espetacular em termos de texto impresso e uma parcela raramente alcançada por emissoras de televisão, exceto pela TV Globo que lidera a audiência por ampla margem.

SEGUIDORES – Também me vem ao pensamento uma pergunta que acrescento: se o bolsonarismo no youtube tem 9,1 milhões de seguidores, que se presumem ser diários e atentos às versões favoráveis ao Planalto, o número total de seguidores dos diversos sites e artistas devem ir além da população adolescente e adulta brasileira.

Vem também uma dúvida sobre a questão de tempo que os seguidores dos principais personagens da vida nacional despendem diariamente pelo roteiro no espaço cibernético entre uma tela e outra, entre um fato e outro, entre uma versão irreal e outra verdadeira. Dá a impressão que nesse acúmulo de presenças, o tempo não seria suficiente para assegurar tal navegação porque as pessoas têm outras tarefas e compromissos durante o dia.

Os seguidores têm também que trabalhar, estudar ou fazer ambas as coisas, além de terem que pesquisar para garantir que não estão sendo hipnotizados pelo fanatismo e pelos impulsos destrutivos em  que se tornou o conteúdo do radicalismo extremado.

DÚVIDA – A reportagem de Marlen Couto conduz a dúvida que está no título deste artigo e que me parece uma fonte ilegítima de trabalho. Se a postagem nas redes sociais é livre, e daí o risco de cada um se tornar editor de si próprio, qual o motivo que leva às cobranças financeiras pela elaboração de textos e sua veiculação?

Não faz sentido. O Youtube, por exemplo, não cobra nada pela veiculação de mensagens. Quem cobra então? Alguém está sendo enganado. Ao que parece, os leitores das postagens que deveriam ser gratuitas. Baseadas em conteúdos ideológicos, se transformam do anoitecer ao amanhecer em fontes de renda profissional.

Fontes de renda, sem dúvida, para uns poucos que produzem e enganam a grande maioria dos seguidores dos diversos canais de navegação. Quem está pagando? Um problema para o Imposto de Renda, para o INSS, para o FGTS, cujo interesse legítimo é arrecadar as contribuições que se vinculam ao trabalho profissional.

PUBLICIDADE E JORNALISMO -Há uma divisão entre o amadorismo e o profissionalismo. O amadorismo parte da emoção e o profissionalismo, como é esperado, tem a sua base na remuneração. A minha longa experiência no jornalismo de mais de 65 anos me assegura a certeza da eterna diferença entre a publicidade comercial e a produção jornalística.

A publicidade comercial é um axioma. A produção jornalística é um teorema, portanto algo a ser comprovado na prática. O jornalismo tem compromisso com os fatos, já a publicidade é outro universo.

Universo do sonho e da fantasia no esforço de alcançar patamares de consumo que tem no crediário a sua grande base e o seu grande motor. O jornalismo é a história do universo e de cada país escrita no dia a dia. A notícia é complementada pela opinião, pela análise.

DOIS PÓLOS – A publicidade vem do fascínio de um impulso que se repete. Está aí a diferença entre os dois pólos do processo informativo que marcam o pensamento humano, separando o que é pago do que é informação gratuita.

A divulgação do bolsonarismo pelo Youtube assim só pode se explicar pela remuneração paga aos produtores de notícias, em grande parte de acordo com a reportagem, transformadas em fake news e vontades destrutivas antissociais e, portanto, que colidem com os objetivos do processo político, sobretudo na democracia que é o regime da liberdade, inclusive do pensamento.

17 thoughts on “Se os apoios a Bolsonaro no Youtube são espontâneos, por que pagar por sua publicação?

  1. Na mosca, Pedro do Coutto!

    Clap, clap, clap!

    .

    PS. E a dinheirama para o “pagatório” desses propaga(dores) de mentiras, violência e ódio obviamente sai do bolso de cada contribuinte.

    PS.2 – Elegemos nossos algozes
    … de policiais militares e civis que deveriam nos proteger da violência diária e muitos deles assumem a identidade de criminosos milicianos para nos barbarizar
    … militares, de recrutas a generais, que deveriam zelar pela segurança nacional, mas igualmente grandes parcelas se viram contra o Povo e a Constituição que juraram defender…

  2. Além disso tudo, o mau exemplo demonstrado pelos idosos da reserva remunerada aos nossos aposentados do INPS: quem pode pode quem não pode passa fome ou morre ou de todo se tolhe (try to rhyme).

  3. Conhecendo como conhecemos o astronómico custo das campanhas eleitorais, senão vejam o bilionário Fundo Eleitoral e o incalculável volume de Caixa 2, podemos imaginar o montante de recursos desviados do erário para custear essa mastodôntica estrutura de propaganda eleitoral instalada a partir de 1º de janeiros de 2019 sob o disfarce de divulgação de ações de governo (???) e manifestações “espontâneas” de apoiadores e simpatizantes.

  4. 1 – Ninguém vê problema nenhum em o Joao doria pagar a Verba Magalhães; e ninguém viu problema nenhum, naquele filosofo ter mudado de direita para esquerda, apoiando o esquerdismo no jornal da cultura, pago pelo governo do estado de São Paulo.

    2 – Ninguém nunca viu problema no PJ do willian bonner.

    3 – Quanto a eles “produzirem” textos o dia inteiro, parecendo não fazer outra coisa. Aqui mesmo parece que tem comentarista que usa fralda; porque escreve tanta bobagem, que não deve sobrar tempo nem para ir no banheiro.

    PS: Isso tudo mostra a importância de se reeleger Jair Bolsonaro; se a esquerda voltar á chave do cofre; além da roubalheira voltar, os jornalistas voltaram a não ver (e não denunciar) nada de errado.

    • Tem um comentarista que usa fralda porque o efeito do que escreve não dá tempo de ir ao banheiro.

      “J.Rubens.15 de agosto de 2021 at 18:39

      Não; logico que o lula é de direita.
      Tanto ele, quanto o partido nazista, que eram socialistas, foram criados pelo sindicato; e com certeza, isso é coisa de direita.

      Tente ir lá no sindicato; que é dominado pela extrema direita; e tente tirar o lula (que é de direita), e colocar alguém de esquerda.

      PS: Mas, faça isso agora; porque no segundo turno, o Ciro vai para Paris; que nenhum esquerdista é de ferro.”

      Se Lula é de direita, Bolsonaro é de esquerda, pois são politicamente antagônicos e inimigos.
      Logo, se Bolsonaro for reeleito, a roubalheira vai continuar, e os jornalistas seguirão criticando os erros clamorosos do atual presidente.

      Não pode é Lula ser de direita e Bolsonaro também ou ambos serem de esquerda.
      A definição a respeito da tendência política de um e outro se faz necessária, caso contrário, haja fralda!

    • Tem toda razão.
      Ademais, o próprio fato do TSE confiscar os valores arrecadados com a monetização desses canais, por si só, é prova de que esses youtubers não são patrocinados com as verbas públicas. Mas também acredito que, tal qual os youtubers, a grande maioria dos jornalistas, a frente das principais bancadas de televisão, voluntariamente fazem ostensiva campanha contra o presidente. A grande diferença é que, no caso destes, o motivo é a falta do “patrocínio” que as gestões anteriores pagavam rigorosamente, enquanto que, no caso daqueles, a voluntariedade decorre notadamente dos congruência de valores (conservadores)

  5. Certamente, caso quiséssemos, cada governo federal que tivemos poderia ter uma definição:

    Sarney, o golpe do Plano Cruzado;
    Collor, o golpe do Confisco;
    FHC, o golpe da reeleição;
    Lula, o golpe da corrupção;
    Dilma, o golpe da frustração;
    Temer, o golpe do ladrão;
    Bolsonaro, a Marcha da Insensatez!

    Convenhamos:
    Se elogiamos a disposição do afegão, que lutou e venceu seus vários invasores ao longo de três, quatro mil anos, desafio qualquer povo deste planeta para suportar as administrações que tivemos e temos, indiscutivelmente como as piores que o mundo já assistiu e testemunhou!

    O atual presidente nos obriga a caminhar por trilhas desconhecidas, tortuosas, irregulares, cheias de labirintos, pois assim deseja nos mostrar como é valente, determinado, um verdadeiro líder.
    Mas, Bolsonaro não as percorre conosco, pois fica sob a proteção de seus seguranças no Palácio do Planalto.

    Quer nos liderar sem sequer usar o megafone;
    Que se mostrar corajoso, exigindo que as FFAA lhe apoiem contra um povo faminto, pobre, miserável, analfabeto e desempregado!

    Em 1935 tivemos a Coluna Prestes, um movimento ideológico, que resultou na sua derrota por Vargas.

    Após 86 anos, o Brasil se vê diante de um movimento muito parecido porque também ideológico, agora o contrário do comunismo que desejou a Intentona. Este, de direita como alegação, porém estritamente pessoal como objetivo verdadeiro.

    Talvez a motivação de Bolsonaro, estilo Dom Quixote, e querer formar um exército tipo Brancaleone, se fosse possível, seja a satisfação e prazer quando ouve ser chamado de mito. mito, mito …

    Foram os gregos que criaram os seus mitos, copiados depois por outros povos com nomes diferentes, como a Mitologia Romana, porém com a mesma intenção de criar uma explicação entre a realidade e o desconhecido, onde as divindades eram humanas.

    Bolsonaro quer ser esta ponte entre a realidade brasileira – com participação de um mito, de um exemplo do que é sagrado e professado -, e o fim do comunismo, guerra travada pelas nossas FFAA na década de sessenta com este movimento, que redundou no retorno do comunismo e socialismo com muito mais força que antes de Jango ter sido deposto, 36 anos depois.

    Mas, o plano é a marcha da insensatez, pois separa o povo, divide, segrega, discrimina, enaltecendo castas, elites e poder econômico, em detrimento de dezenas de milhões de brasileiros que estão sendo usados, manipulados, exatamente como era a definição do passado, bucha de canhão!

    Voltando à vaca fria, como se diz no RS, na mitologia grega um dos mais famosos mitos é o de Narciso, um jovem tão bonito que despertou o amor de Eco, uma bela ninfa. Narciso rejeitou esse amor, fazendo que a ninfa ficasse destruída com a rejeição. Como castigo, a deusa Nêmesis fez com que ele se apaixonasse por si próprio. Então, no dia que Narciso viu seu reflexo no rio, ficou admirando sua própria beleza até que definhou e morreu.

    Qualquer semelhança com o famoso mito não é coincidência!

    Desta forma, na psicologia, o narcisismo é o nome dado a um conceito desenvolvido por Sigmund Freud que determina o amor exacerbado de um indivíduo por si próprio e, sobretudo, por sua imagem.

    O nome do transtorno de personalidade está associado ao mito de Narciso, uma vez que recupera sua essência egoísta de sobrevalorização de si. Ou seja, nos estudos da psicologia a pessoa narcisista preocupa-se excessivamente consigo e com sua imagem.
    Essa vaidade descontrolada e admiração excessiva por si próprio pode gerar outros problemas no indivíduo, que geralmente necessita ser admirado e não admite que sua presença passe despercebida em determinado grupo.

    Convenhamos, acompanhar Bolsonaro neste seu devaneio e sonho de grandeza é a legítima Marcha da Insensatez!

    • Sarney, o golpe do Plano Cruzado;
      Collor, o golpe do Confisco;
      FHC, o golpe da reeleição;
      Lula, o golpe da corrupção;
      Dilma, o golpe da frustração;
      Temer, o golpe do ladrão;
      Bolsonaro, a Marcha da Insensatez!

      Lá se vão 35 anos dos mesmos.
      Só mudaram o penico, as moscas varejeiras são as mesmas de sempre…
      E nada muda.

  6. Perfeito, Armando, perfeito.

    Até nós, parceiro, também não mudamos porque elegemos quem serão nossos algozes, nossos verdugos, nossos carcereiros, nossos ladrões e nossos assassinos!!

    Abração.

  7. Agradeço ao meu amigo e conterrâneo Duarte Bertolini, que me chamou à atenção para dois erros meus no texto acima:

    1 – A Coluna Prestes (ou Coluna Miguel Costa-Prestes) foi um movimento político-militar brasileiro ocorrido entre 1924 e 1927 ligado ao tenentismo;

    2 – A Intentona Comunista se deu em 35, como movimento para derrubar Vargas.
    Em março de 1936, Prestes foi preso, perdeu o posto de capitão e iniciou uma pena de prisão que durou nove anos.

    Em 1940, foi condenado a trinta anos de prisão pela participação como mandante no assassinato da militante Elza Fernandes, tendo sido anistiado por Getúlio Vargas em 1945, em troca de apoio político.

    Agradeço penhoradamente a Duarte, eu poder fazer essas correções, pois não podemos modificar a História, mesmo sem intenção.

    Abração, gaúcho.
    Amizade também é corrigir os amigos quando erram.
    Saúde e paz.

  8. O senhor Pedro do Coutto já se perguntou quanto ganha Felipe Neto com seus 42 milhões de seguidores no YouTube? Sabe que paga? Com todo respeito ao articulista, pergunte ao seu neto que ele explica como acontece e como funciona a plataforma.

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