Se reeleita, Dilma não dependerá mais de Lula

Pedro do Coutto
A revista Veja que circulou sábado, e que portanto se encontra nas bancas, publicou reportagem muito boa de Daniel Pereira e Adriano Ceolin focalizando as divergências entre a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Lula, contradição que estaria – aliás está – dividindo as bancadas do PT no Congresso entre o voto para Dilma nas urnas e o “volta Lula” para a campanha nas ruas do país. A matéria está muito elaborada, inclusive quanto ao desfecho do separatismo.
Não haverá. É impossível substituir uma presidente que disputa a reeleição, a menos que ela renunciasse, por uma decisão da convenção partidária. Inclusive, como Daniel Pereira e Adriano Ceolin destacaram, tal manobra atingiria direta e negativamente o próprio ex-presidente da República. Divergências entre sucessor e sucedido sempre haverá. Não existem duas pessoas iguais sobretudo capazes de concordar com tudo. Estratégia política é outro assunto.
Dilma Rousseff e Luiz Inácio da Silva, em matéria de outubro deste ano, quando o eleitorado vai votar, não possuem linha de recuo. E tem mais: qualquer divisão interna no PT, diretamente amplia a importância do PMDB na campanha eleitoral. Assim, dividindo-se, o PT só tem a perder. Não só no plano federal, mas na disputa em vários estados, a começar por São Paulo e Paraná, dois focos iluminados pela imprensa na teia sinistra articulada pelo doleiro Alberto Youssef, na qual se emaranharam tantas pessoas, da política e da administração estatal.
PERDENDO ESPAÇO
A candidata do PT é Dilma. O que os lulistas de hoje temem é a perspectiva de perderem ainda mais espaço dentro do partido. Pois se for reeleita, como as pesquisas do IBOPE e Datafolha até agora estão apontando, ela deixa de precisar do apoio público de Lula. Ganha vôo próprio. Até porque depois de dois mandatos no Planalto, ela não tem mais futuro político.
Ao contrário de Lula, que já revelou sua intenção de disputar novamente a presidência da República nas urnas de 2018. Nesse quadro lógico, a liberdade, como no hino, abre as asas sobre ela. Dilma tem descido nos levantamentos de opinião, de acordo com o Datafolha e o IBOPE. Mas Aécio Neves e Eduardo Campos não sobem. Sobe a insatisfação generalizada, atingindo os políticos por igual. E o fenômeno, apesar de crítico, não abala a democracia, nem muda a direção concreta dos votos.
Não faltam motivos para essa  insatisfação. Basta lembrar que nos últimos anos três chefes da Casa Civil foram demitidos por fatos graves: José Dirceu, Antônio Palocci, Erenice Guerra. O que dizer da Petrobrás? O cenário entristece e desanima qualquer um.

4 thoughts on “Se reeleita, Dilma não dependerá mais de Lula

  1. DUVIDO QUE SEJA REELEITA. A LEI PRECISA SER CUMPRIDA.

    IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
    O parágrafo 4º do artigo 37 de nossa Lei Maior dispõe que “os atos de improbidade administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível”.

    Qualquer cidadão pode mover ação na Justiça Federal para obter a responsabilização dos causadores desse astronômico prejuízo sofrido pelo erário federal, ou seja, por todos nós que pagamos em dia impostos e taxas sem fim.

    Nesse caso, o autor da ação poderá, de pronto, ter acesso a toda a documentação referente a essa inacreditável e lesiva “distração”.

    IMPROBIDADE

    De acordo com o artigo 5º da Lei 8.429/92, que trata da Improbidade Administrativa, “ocorrendo lesão ao patrimônio público por ação ou omissão, dolosa ou culposa, do agente ou de terceiro, dar-se-á o integral ressarcimento do dano”.

    Nesse quadro, induvidosamente, comete ato de improbidade administrativa, por exemplo, a diretoria executiva e até os membros de conselho de administração de empresa que tenha participação acionária de ente federal por “permitir ou facilitar A AQUISIÇÃO, permuta ou locação de BEM ou serviço POR PREÇO SUPERIOR AO DE MERCADO».

    Ora, se a refinaria Pasadena, como bem destacado pelo articulista, acarretou lesão de vulto, “ foi um mau negócio”, é o caso da aplicação da Lei da Improbidade Administrativa no. 8.429/92, ato este que independe de CPI para ser judicialmente implementado com efeitos imediatos.

  2. Renato Lima,
    VIVAS a Pedro do Couto, pois também concordo contigo neste particular.
    Vou mais adiante:
    Sabes que não votarei no PT e PSDB, igualmente em Eduardo Campos.
    Busco outra alternativa de governo. Entretanto, se depender da escolha entre Dilma e Lula, prefiro e voto em Dilma, obviamente.

  3. Um estudo de futurologia política muito bem feito… e interessante.
    O autor, Pedro do Coutto, é respeitado pelo cuidado com que cerca os seus comentários, dando ensejo que o leitor tire as mais diferentes opiniões e probabilidades dos enunciados pela sua bola de cristal.
    Até agora, tudo bem. Estamos no final de abril… vamos aguardar o final de maio, mês ideal para profecias… eleitorais, é claro…

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