Se tivesse seguido os conselhos de Tancredo, o neto Aécio não estaria sob suspeita de uma série de irregularidades, que podem destruir sua carreira.

Carlos Newton

Do alto de sua vasta experiência de deputado, senador, ministro, governador e até primeiro-ministro (no governo parlamentarista de João Goulart), o grande político Tancredo Neves costumava dar um conselho a seus correligionários. “Político não pode ser rico. Se for rico, não pode parecer ser rico”, recomendava. Mineiramente.

Infelizmente, seu neto preferido, que tanto conviveu com ele e foi seu secretário particular durante o governo de Minas, não quis seguir a sabedoria do avô. Ao contrário. Embora esteja chegando aos 50 anos, continua refratário à “idade da razão”, imortalizada por Jean-Paul Sartre, e segue vivendo como um pobre menino rico, imaturo e irresponsável.

Com esse comportamento de playboy, Aécio Neves está conseguindo jogar no lixo uma das mais promissoras carreiras políticas da atual geração. Depois do episódio da carteira de habilitação vencida e da recusa ao teste do bafômetro, a cada dia estão vindo a conhecimento público novas estripulias desse singular político mineiro. Primeiro, surgiu a história do jatinho (prefixo PT-GAF) que ele utiliza na ponte-aérea Belo Horizonte-Rio de Janeiro.

Veio a explicação de que o jatinho (um modelo antigo, de fabricação inglesa, semelhante aos usados pela FAB no transporte de ministros) pertence à mãe dele, que é viúva (do segundo casamento) do banqueiro Gilberto Andrade Faria, o que explica o prefixo GAF, formado pelas iniciais do nome dele. Ou seja, até aí, tudo mais ou menos, porque Aécio Neves tem direito de utilizar o avião da família, embora nos moldes da política preconizada pelo avô Tancredo isso pegue muito mal, porque é demonstração exterior de riqueza, e todo político, mesmo rico, mineiramente tem de parecer que é de classe média.

Mas depois, surgiu a surpreendente rádio FM “Arco Íris”, controlada pela irmã Andrea, sócia majoritária. Os partidos que fazem oposição ao governo Antonio Anastásia na Assembléia mineira (PMDB, PT, PCdoB e PRB), formando o autodenominado Bloco Minas Sem Censura, denunciam “estranhos fatos” que seriam relacionados à Rádio “Arco Íris”, que proporcionalmente é a mais rentável do país e possui uma inusitada frota de carros de luxo e dois microônibus.

Segundo o bloco, figuram em nome da rádio, que tem capital social declarado de somente R$ 200 mil, não apenas a Land Rover que Aécio dirigia quando foi apanhado numa blitz na madrugada de domingo no Rio, mas também outros 11 veículos, entre eles alguns de alto padrão, como um Audi A6, outra Land Rover e duas camionetes (uma Toyota Hilux SWR e uma MMC L200 Sport).

“Trata-se de uma rádio de programação musical, voltada para o público jovem e adolescente, sem estrutura para atividade jornalística, o que torna estranho essa quantidade de veículos”, diz a nota do bloco oposicionista.

“Empresas jornalísticas bem maiores que essa rádio não tem frota similar”, acrescenta a nota, ao listar os veículos que pertenceriam à Rádio “Arco Íris”: 1. Toyota Fields (Station Wagon); 2. Land Rover TDV8 Vogue; 3. Toyota Hilux SWR SRV 4X4; 4. Land Rover Discovery TD5; 5. MMC L200 Sport 4X4 GLS; 6 .Audi A6; 7. Fiat Strada Adventure Flex; 8. Micro ônibus Fiat Ducato; 9. Micro ônibus M Benz 312 B Sprinter M; 10. Uno Mille Fire; 11. Gol Mil; 12. Moto Honda CG 150 Titã.

O pior é que já circulam na internet informes de que Aécio seria oficialmente sócio da Rádio, com 44% das cotas, e a empresa teria faturado R$ 5,06 milhões em 2010, o que representa um desempenho extraordinário, em relação ao tamanho da empresa, que verdadeiramente estaria humilhando a concorrência. A informação deve ser procedente, caso contrário o balanço não seria capaz de justificar a propriedade dessa surpreendente frota.

Os deputados estaduais de oposição agora vão exigir que seja feita uma investigação profunda na contabilidade da emissora. Se ficar comprovado que está havendo lavagem de dinheiro, a carreira política de Aécio Neves não valerá um níquel. Estará demonstrado que o mais promissor parlamentar de Minas Gerais despreza os conselhos do avô e não sabe fazer política profissionalmente.

Pelo contrário, seu comportamento seria de um amadorismo comovente. Mas vamos aguardar as explicações do senador, até porque ninguém faz lavagem de dinheiro em emissora de rádio. O mais acertado é comprar um hotel, declarar que ele está sempre lotado e ir esquentando o dinheiro. Não há melhor lavandaria.

Bem, estes são os fatos. ainda a serem melhor apurados, na próxima semana. Por enquanto, o mais importante é  lamentar o aproveitamento sórdido que se faz na internet, com adulteração do boletim de ocorrência da blitz no Rio, para dizer que Aecio estaria embriagado ou dopado, e com uma grotesta montagem do que seria uma foto da apreensão da carteira do senador. Mas o falsificador da foto é tão amador que colocou Aecio usando barba. Realmente grotesco. Isso não se faz. É baixaria pura.

This entry was posted in Sem categoria. Bookmark the permalink.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *